Culpados somos nós

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

O futebol não é só entretenimento, ou aquela fonte de sentimentos diversos da qual costumamos beber dia sim e outro também. O futebol é uma paixão nacional e, sim, ele é uma extensão da sociedade, uma ramificação de nós mesmos. O futebol, mais do que refletir nosso caráter, reflete o mundo em quem vivemos.

O que aconteceu em Joinville durante o jogo entre Atlético-PR e Vasco poderia ter acontecido em qualquer cidade e estádio do país. Então se você é daqueles que defendem o argumento tacanho e dizem que “no meu clube não é assim, que vergonha”, para de ler o texto aqui mesmo. Você é tão selvagem quanto quem estava brigando naquelas arquibancadas. No seu clube é assim, no meu é assim e no de todos é assim. A selvageria e a bandidagem não são exclusividade de clube A ou B. E, na maior parte dos casos, existe porque os seus atores sabem que a impunidade se fará presente.

Foto: reprodução

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Culpados são os que brigam, se matam e afugentam os torcedores de bem – crianças, idosos, famílias completas – que apenas querem se divertir e apoiar o time de coração. Tão culpados quanto eles são os que organizam, policiam e julgam os que eventualmente vão presos. Os imbecis que propagam a violência não querem que isso mude. Mas quem está por trás do espetáculo deveria querer. Ou mostrar que quer. Não adianta prender e soltar, julgar e depois trocar as punições severas por brandas e, o pior dos casos, terceirizar a culpa. Porque, apesar dela ser de todos, parece que nunca é de ninguém.

Não vou nos excluir deste roteiro. Como cidadãos, também somos réus dos crimes praticados em estádios de futebol. Não levantamos punhos e pernas para agredir ninguém, muito menos nos munimos de paus e pedras para atirar na direção de outros. Mas somos nós que assistimos a tudo condescendentemente. Somos passivos e pouco fazemos para mudar esse panorama de guerra que nos cerca.

As imagens estão aí, os vídeos estão aí. É possível ver quem são e quem fez o quê. É possível botar todos na cadeia e, a partir daí, criar um modelo que sirva como solução para dar fim à barbárie que assola nosso futebol praticamente toda semana. Mas haverá boa vontade de todos os envolvidos? Duvido.

Foto: reuters

Foto: reuters

O resultado de toda essa lamentável situação é um só: estamos caminhando para o fim. As imagens deste fim de semana – e de tantos outros – só mostram a falência da nossa sociedade. Sim, da sociedade, porque o futebol é apenas uma pequena parte dela que está completamente errada.

Muitos falam que, hoje, os rebaixados fomos todos nós. E fomos mesmo. Mas me permito ir além dessa análise. Porque quando um clube é rebaixado, ele tem o direito de se reinventar, se reerguer, se recuperar, e retornar para a Série A. Eu acredito que já tivemos as nossas chances e jogamos todas elas ralo abaixo.

Não fomos rebaixados. Fomos derrotados, falhamos, chegamos ao fim.

Perdemos para nós mesmos.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.