Não culpem só o Fluminense. A culpa também é nossa!

  • por João Rabay
  • 6 Anos atrás

Por Gabriel Carneiro

Muita gente começou a criticar com veemência o Fluminense por causa da decisão do STJD, que tirou quatro pontos da Portuguesa pela escalação irregular do meia Héverton e salvou os cariocas da Série B de 2014. O problema é que o único ato do Fluminense nessa história toda foi se aproveitar de uma brecha do sistema. Exatamente o que a gente faz no dia a dia para se dar bem, para levar vantagem.

Não somos nós que sempre damos um “jeitinho” para consertar tudo? Não somos nós que fazemos de tudo para furar uma fila? Não somos nós que não respeitamos regras de trânsito, horários e hierarquia? Não somos nós que curtimos ter um amigo influente para trocar favores ou deixar a gente entrar de graça em festas, por exemplo? Não somos nós que estacionamos em lugar proibido porque vai ser “rapidinho”? Não somos nós que fazemos o máximo para não precisar passar por formalidades e burocracias? Não somos nós que na 1ª oportunidade pegamos o acostamento para fugir do trânsito? Não somos nós que “molhamos” a mão do guarda para a cervejinha? Não somos nós que colamos nas provas? Não somos nós que guardamos lugar no ônibus para o amigo sentar? Não somos nós que comemoramos quando nosso time faz gol roubado?

Somos nós, sim. Tudo isso é completamente “nós”. Pegamos pequenas brechas do sistema em atitudes que podem parecer inofensivas e nos beneficiamos. É só alguém dar um vacilo. Qual a diferença para o caso da Portuguesa e do Fluminense?

Para começo de conversa, um clube com a tradição e a história da Lusa não pode cometer um erro juvenil como esse, seja qual for o motivo. Não que isso justifique a posição do tribunal, evidentemente. O julgamento desta segunda-feira não deveria ter sido só uma formalidade de um resultado de favas contadas, cartas marcadas. Deveria ter sido aberto, respeitando os resultados obtidos em campo, a bem da moralidade esportiva. Isso é direito. Em pouco tempo, valerá mais a pena contratar um bom advogado do que um craque.

Que se jogue um Brasileirão com 21 times no ano que vem, mas que em nenhum momento se premie a falta de mérito de um clube como o Fluminense. Ele não merece ser odiado, mas também não merece jogar a Série A em 2014. Quem disse foi o campo, não eu. E também meu amigo Yan Resende: “Se na nossa sociedade o correto fosse sempre tratado como correto, não haveria discussão nenhuma relacionada a isso”.

E tem mais: torcedores do Flu (em sua minoria, claro) gritarem “ão, ão, ão, segunda divisão” aos lusitanos que foram à sede do STJD foi um dos gestos mais baixos.

Não é só futebol.

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Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".