Os rumos da carreira de André Villas-Boas

  • por Levy Guimarães
  • 7 Anos atrás

Ao final da temporada 2010/2011, André Villas-Boas era tido como um dos técnicos mais promissores do futebol mundial. Com apenas 34 anos de idade, comandou o histórico time do Porto, que conquistou, no mesmo ano, o Campeonato Português (invicto), a Liga Europa e a Taça de Portugal, estando bem acima dos adversários nas três competições. A impressionante temporada pelos Dragões lhe rendeu uma chance raríssima para treinadores de sua idade: a de brilhar em uma das maiores ligas do mundo, a Premier League. Mas o que parecia ser o início de uma jornada gloriosa acabou se tornando um verdadeiro pesadelo para o português.

Apontado como o sucessor de José Mourinho, o jovem treinador chegou cercado de grande expectativa ao Chelsea, em junho de 2011. Porém, os meses foram se passando e o time não se acertava, fato evidenciado pela fraca campanha na Premier League. Já em março de 2012, com apenas um 5º lugar no certame nacional e uma pesada derrota frente ao Napoli na partida de ida das oitavas-de-final da Champions League, Villas-Boas não suportou a pressão e foi despedido. Além disso, sua relação com alguns dos pilares do elenco dos Blues não era das melhores, o que também contribuía para o mau desempenho da equipe dentro de campo.

Foto: reprodução - No Chelsea, Villas boas do início ao fim só encontrou problemas

Foto: reprodução – No Chelsea, Villas boas do início ao fim só encontrou problemas

Villas-Boas mal havia sido dispensado pelo Chelsea quando recebeu uma segunda chance no futebol inglês, dessa vez pelo Tottenham. Apesar do 5º lugar no fim da temporada 2012/2013 e de mais uma perda da vaga na Liga dos Campeões para o Arsenal, o time terminou a Premier League com uma boa campanha – boa parte por mérito de Gareth Bale, decisivo em diversas vitórias dos Spurs. Já na atual temporada, sem Bale e com muitas novidades no elenco, a equipe ainda não conseguiu se encaixar, acumulando tropeços inesperados e goleadas humilhantes em grandes jogos, como o 5×0 contra o Liverpool no último domingo. Esta última derrota acabou custando o cargo do português, que deixa o Tottenham na 7ª posição.

Foto: Telegraph - Após viver altos e baixos nos Spurs, Villas-Boas não suportou a pressão e foi dispensado nesta segunda-feira

Foto: Telegraph – Após viver altos e baixos nos Spurs, Villas-Boas não suportou a pressão e foi dispensado nesta segunda-feira

De promissor a contestado

Em apenas dois anos, Villas-Boas passou de “novo Mourinho” a técnico bastante contestado pelos fracassos no futebol inglês. Apesar do insucesso nas suas duas temporadas e meia na Premier League, há de se destacar que trata-se de um treinador de apenas 36 anos e que, há dois anos, vinha da sua primeira temporada por um grande clube português – antes disso, era um mero desconhecido em nível europeu.

Os seus feitos pelo Porto também não podem ser desconsiderados. Montou um time bastante dinâmico e eficiente, com bom toque de bola, ataque arrasador e uma das melhores defesas da história do Campeonato Português. O que ficou evidente nos últimos anos é que o português ainda está “verde” para comandar uma equipe de topo em uma liga de ponta; falta-lhe a experiência necessária para encarar situações de grande pressão (tanto interna como externa) e administrar elencos recheados de jogadores consagrados.

Foto: reprodução - Villas-Boas sendo carregado pelos jogadores na comemoração do título da Liga Europa

Foto: reprodução – Campeoníssimo no Porto, o técnico mostrou que precisa adquirir mais experiência para treinar clubes de maior pressão

No momento, o que parece mais sensato é voltar a procurar uma liga menos badalada, como as do Leste Europeu ou até mesmo a portuguesa – vale lembrar que, no Porto, Paulo Fonseca vive um momento conturbado, o que possivelmente abriria uma brecha para a volta de Villas-Boas. Ou então um clube de menor cobrança em uma liga maior. Dessa forma, adquirindo mais maturidade e com moral restabelecido (contanto, é claro, que faça um bom trabalho), o treinador estaria mais apto a novamente alçar voos mais altos.

Entretanto, é inegável que os fracassos por Chelsea e Tottenham deixaram uma interrogação sobre o futuro e as capacidades de André Villas-Boas. O histórico recente do treinador não abre espaços para mais derrapadas nos próximos anos, e seu próximo trabalho será importante para que ele se confirme como um técnico promissor ou seja visto cada vez mais como um flop após a sua grande temporada em Portugal.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.