Pela primeira vez em 58 anos, O’higgins conquista o Chile

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: Futbolred - jogadores levantando a taça

Foto: Futbolred – jogadores levantando a taça

Nesta terça-feira, 10, o O’higgins venceu por 1×0 o jogo de desempate contra a Universidad Católica, no estádio Nacional, em Santiago, e sagrou-se campeão do Apertura 2013. O gol foi do meia argentino Pablo Hernandez, aos 34 minutos do primeiro tempo. Esse foi apenas o segundo título dos Celestes, o primeiro na primeira divisão. O outro foi em 1986, quando foi campeão da segunda divisão. 

A conquista foi, acima de tudo, um prêmio ao planejamento da diretoria, que segue apostando no trabalho de Eduardo Berizzo, no comando do clube desde 2011. Antes disso, foi ajudante de Marcelo Bielsa, quando El Loco comandou a seleção chilena na Copa do Mundo de 2010. Ainda teve uma rápida passagem pelo Estudiantes.

Berizzo foi um dos maiores responsáveis pelas 13 vitórias, 3 empates, 2 derrotas, 38 gols marcados e 13 sofridos nesse Apertura. Berizzo também já havia participado do histórico vice-campeonato do Apertura 2012, quando perdeu a final para a Universidad de Chile. Até ali, foi a melhor campanha da história do clube.

Após a derrota para La “U”, poucos acreditaram que Berizzo conseguiria montar outro elenco para chegar em outra final ou fazer uma campanha parecida novamente. O time havia perdido vários jogadores importantes, como Enzo Gutiérrez, Ramón Fernández, Luis Marín e Juan Rodrigo Rojas, todos para a Universidad de Chile.

Na temporada seguinte, no Clausura 2012, o time fez uma campanha fraca e terminou na 14ª posição, fora dos play-offs. No começo do ano, fez uma boa campanha no Torneo Transición, terminando em quarto lugar. Mas no Apertura 2013 seria diferente. 

Quando foi auxilar técnico na seleção, Berizzo pegou um pouco do estilo Bielsa. Mesmo sem ter condições para contratar os melhores jogadores, conseguiu montar um time ofensivo, jogando no 4-3-3, que tenta manter a posse de bola e com jogadores sempre se movimentando para dar opção de passe ao companheiro. Foi assim, sem grandes estrelas, que apresentou o melhor futebol do campeonato.

O time base durante o campeonato: Paulo Garcés no gol; Opazo na lateral direita, Ugglesich e Barroso na zaga e López na lateral esquerda. Leal, Fuentes e Hernández formam o trio no meio-campo; Figueroa, na ponta direita, Calandria, na referência, e Barriga, na ponta esquerda, completam o trio ofensivo. 

Um dos destaques do histórico título foi o atacante argentino Pablo Calandria, artilheiro do time na competição com 9 gols, dois a mais que o meia Hernandez. Calandria não teve um começo de campeonato animador, mas, nos últimos 9 jogos, conseguiu a incrível marca de 8 gols, sendo decisivo na reta final. 

Desde 1980, o campeonato chileno não tinha um campeão inédito. O último foi quando o Cobreloa conquistou seu primeiro troféu. Esse torneio prova que os chamados grandes (Colo Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica) não têm mais o domínio de antes. Já é o terceiro campeonato que nenhum deles é o campeão, pior marca desde os anos 70 (1973 a 1977).

Com a conquista do Apertura 2013, o O’higgins garantiu participação na Copa Libertadores 2014 junto com a Unión Española. O outro classificado sairá de Universidad Católica, Universidad de Chile, Palestino e Iquique. O primeiro enfrenta o quarto; o segundo, o terceiro. Os dois vencedores dos confrontos se enfrentam numa final. Quem vencer garante vaga na pré Libertadores.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.