Por um futebol melhor

  • por Henrique Joncew
  • 7 Anos atrás

Por Henrique Joncew e Rodrigo Ribeiro

No segundo semestre deste ano, os jogadores do Campeonato Brasileiro se organizaram para exigir mudanças na gestão do futebol no país – como alterações no calendário, “fair play” financeiro e maior participação dos atletas na administração do futebol nacional. Nasceu, então, o Bom Senso FC, sob o lema “por um futebol melhor”.

A evidente necessidade de um mínimo de representação dos jogadores nas federações, na organização dos campeonatos e na direção dos clubes fez com que o movimento encontrasse boa recepção geral – não apenas entre torcedores e imprensa, como também em um grupo de treinadores e de outros profissionais diretamente envolvidos com o futebol.

Entretanto, neste mesmo campeonato que viu o surgimento do Bom Senso (mostrando inédita capacidade de manifestação coletiva entre os jogadores nos gramados brasileiros), ontem um julgamento em primeira instância decretou a perda de quatro pontos e o rebaixamento da Portuguesa (invertendo o resultado final determinado pelo “jogo jogado”). O principal beneficiado foi o Fluminense, que subiu para o 16º lugar e escapou da série B (sem que, mais uma vez, precisasse de grandes esforços dentro de campo para isso).

O julgamento foi cercado de polêmicas e teve ampla repercussão em território nacional. Por isso, soa estranho que precisamente neste momento o Bom Senso não se manifeste oficialmente. Em um caso tão importante, que altera significativamente os resultados construídos em campo, falta o posicionamento justamente de quem participou dos jogos. E aí entra a questão: um movimento composto por jogadores deve se omitir quando diante de tentativas de alterar o que foi feito dentro das quatro linhas?

Bom Senso FC: braços cruzados dentro e fora de campo. Foto: André Brant/Hoje em Dia/Futura Press.

Claro que o movimento tem atletas dos dois clubes implicados – o que coloca estes atletas, especificamente, em situação mais embaraçosa. Porém, se os jogadores querem representação, devem também assumir algum tipo de posição oficial quanto ao que é levado à justiça desportiva. Algo como “o Bom Senso FC é favorável à perda de pontos sob quaisquer circunstâncias de escalação irregular de jogadores, cumprindo-se estritamente o regulamento” ou “o Bom Senso FC é contrário a qualquer punição sem que sejam levadas em conta as circunstâncias da infração” já seria suficiente. Para tanto, não seria necessária nenhuma tese muito elaborada e profunda sobre a história do Direito Esportivo – bastaria seguir o posicionamento coerentemente. Até porque há argumentação coerente favorável aos dois lados.

Passado o momento do primeiro julgamento, porém, qualquer tipo de pronunciamento poderia ser considerado parcial. Embora o silêncio possa parecer pior, diante das alterações produzidas por um Tribunal tão amador quanto os Clubes e Federações que o Bom Senso critica. Amadorismos e profissionalismos a parte, o campeonato deste ano termina melancolicamente. E, para todos que encaram com tristeza o término do Brasileirão 2013, nunca será tarde para posicionar-se “por um futebol melhor”.

Comentários

Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.