Pra que serve o STJD?

  • por Bráulio Silva
  • 7 Anos atrás

Supremo Tribunal de Justiça Desportiva. Autoridade máxima que gere as normas desportivas no futebol brasileiro. Que toma decisões que muitas vezes se sobrepõem aos acontecimentos do campo de forma injusta.

Montagem - Zero Hora / Sérgio, Luiz e agora Flávio. A família Zveiter comanda a justiça desportiva no Brasil, desde os anos 90.

Foto Montagem – Zero Hora / Sérgio, Luiz e agora Flávio. A família Zveiter comanda a justiça desportiva no Brasil desde os anos 90.

Decisões essas, que em muitas situações revoltam o torcedor comum e que deixam a opinião pública com uma “pulga atrás da orelha”, sempre em dúvida da lisura e isenção do Tribunal. 

Situado no RJ, presidido desde sempre por algum carioca e de sobrenome Zveiter, o tal Tribunal, desde sua primeira aparição com maior exposição na mídia, parece ter tomado gosto pela coisa. E as decisões mais polêmicas, na maioria das vezes, mudam o rumo da competição.

O DPF relembrará algumas das decisões tomadas pelo Tribunal ao longo dos anos e o que resultaram aos times.

Brasileirão de 1999 – O caso Sandro Hiroshi

Foto: Reprodução / Sandro Hiroshi foi pivô da crise que ocasionou a Copa João Havelange em 2000.

Foto: Reprodução / Sandro Hiroshi foi pivô da crise que ocasionou a Copa João Havelange em 2000.


Em 04 de agosto daquele ano, o São Paulo goleou o Botafogo por 6×1. Resultado justo dentro de campo devido à disparidade entre as equipes. Tempos depois, o Botafogo entrou na Justiça pleiteando os pontos da partida, alegando que Sandro Hiroshi havia atuado irregularmente, porque seu passe estava bloqueado na CBF em função de problemas na transferência do atleta do Tocantinópolis (TO) para o Rio Branco (SP). O Zveiter da vez e sua trupe elegeram o São Paulo como o vilão da história e repassaram para o Botafogo os três pontos que o São Paulo conquistou em campo. No meio do imbróglio, apareceu o Inter-RS, que havia empatado o jogo contra o São Paulo em 10 de outubro. (Detalhe que o atacante jogou normalmente nesse período). O júri também deu ganho de causa para o Inter e com isso passou o ponto que o São Paulo conquistou na partida para o Colorado. Ou seja: O Botafogo, que perdeu o jogo, ficou com três pontos e o Inter, que empatou, ficou com dois pontos. Pontos que salvaram o Botafogo do rebaixamento e empurraram o Gama para a segunda divisão. O time do Distrito Federal entrou na justiça comum e toda essa confusão serviu para a realização da Copa João Havelange, que resgatou o Fluminense da terceira direto para a elite do futebol nacional.

Brasileirão de 2005 – A Máfia do Apito.

Foto: IG / Edilson Pereira de Carvalho se envolveu com a Máfia do Apito em 2005

Foto: IG / Edilson Pereira de Carvalho se envolveu com a Máfia do Apito em 2005

O jornalista André Rizek, que na ocasião trabalhava na Editora Abril, elaborou um Dossiê para comprovar que existia uma Máfia do Apito no futebol brasileiro. E que o principal árbitro envolvido no caso era Edílson Pereira de Carvalho. Árbitro paulista e que em sua carreira havia apitado diversos jogos importantes. O “juiz ladrão” chegou a ser preso e o STJD aproveitou para dar as caras novamente. Edílson havia sido escalado para apitar em onze jogos daquele Brasileirão. No domingo, perto da hora do almoço, convocaram uma coletiva e anunciaram a decisão – no pior timing possível, diga-se de passagem – Os onze jogos que tiveram Edílson como árbitro seriam realizados novamente, até mesmo os jogos que não tiveram indícios comprovados de adulteração de resultado. 

O maior beneficiado foi o Corinthians, que havia perdido para Santos e São Paulo. Nos jogos remarcados, o Corinthians acabou conquistando quatro pontos, ao vencer o Santos e empatar com o São Paulo. Pontos que foram essenciais no título corinthiano, já que o time paulista ficou apenas três pontos à frente do Inter, seu principal concorrente.

Houve outros casos intrigantes envolvendo decisões do STJD: a perda de pontos do São Caetano em 2004 após o falecimento do Serginho, é um exemplo.

O julgamento do caso Portuguesa-Fluminense é apenas mais um que vem pra agraciar o tribunal, que hoje é mais importante do que os jogadores que deveriam ser as estrelas da competição. 

Paulo Schmidt ou algum membro do clã Zveiter, estão ofuscando jogadores importantes como Everton Ribeiro, Rafael Sóbis, Alex ou Seedoorf. Jogadores que tiveram sua importância reconhecida durante toda a competição que, infelizmente, prossegue nos – obscuros – tribunais. E a próxima e derradeira rodada já tem data e hora marcada: Dia 27 de dezembro, na sede do Tribunal.

Foto: Reprodução / Torcedores da Lusa protestam contra o STJD. Decisão de ontem rebaixa o time do Canindé

Foto: Reprodução / Torcedores da Lusa protestam contra o STJD. Decisão de ontem rebaixa o time do Canindé

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.