Uma ponte aérea chamada Udinese

A partida deste final de semana, entre Roma e Fiorentina, mostrou mais uma vez a grande forma vivida pelo meia-direita (ou winger) Juan Guillermo Cuadrado, da Viola (alcunha da equipe de Florença) e pelo zagueiro marroquino Mehdi Benatia, da Roma. Mas o que isso tem de interessante? Um passado comum aos dois, e a outros jogadores.

Foto: Ansa - Cuadrado representando as cores da Udinese.

Foto: Ansa – Cuadrado representando as cores da Udinese.

Ambos os rivais do último domingo chegaram aos seus clubes atuais vindos da Udinese, uma equipe que, apesar de não viver um grande momento, cresceu imensamente nos últimos 10-15 anos. Um dos fatores para esse sucesso é o belo trabalho de prospecção realizado pelo clube. Grandes jogadores de sucesso em outras equipes apareceram na Udinese, que se mostrou (e ainda se mostra), uma bela porta de entrada no Futebol Europeu para jogadores sul-americanos, africanos, e de nações europeias com futebol menos forte. Escolhi um time de jogadores que se encaixam nesse perfil:

Goleiro:

Samir Handanovic: goleiro titular da seleção eslovena, ele chegou à Udinese em 2004, aos 20 anos. Nos seus primeiros três anos, o esloveno foi o reserva da equipe. Em 2007, com a saída do antigo dono da meta e ídolo do time – De Sanctis – Handanovic assumiu a titularidade. E assim permaneceu até 2012, quando foi contratado pela Inter de Milão para suceder o brasileiro Júlio César.

Lateral-direito:

Mauricio Isla: chileno, Isla chegou precocemente ao futebol europeu (ele sequer chegou a se profissionalizar em seu país). Em 2007, ainda aos 19 anos, o jogador foi contratado pela equipe de Udine. Nos cinco anos que defendeu a Zebrette, Isla mostrou-se um jogador polivalente, o que, certamente, engrandeceu o interesse de grandes clubes em seu futebol. Em 2012, optou por sair para a Juventus.

Zagueiros:

Roberto Néstor Sensini: nome mais antigo da lista, Sensini destacou-se no Newell’s Old Boys no final da década de 80 e logo se transferiu para a Udinese. Os quatro anos que passou em Udine foram extremamente importantes para o Argentino, que, quando deixou a equipe em 1993 para brilhar no grande Parma da década de 90, já estava muito mais maduro e capacitado.

Mehdi Benatia: com um perfil diferente dos outros jogadores já citados, Benatia foi formado num grande centro. Criado na base do Olympique de Marselha o jogador não teve o início de carreira que se esperava. Quando jovem, o zagueiro chegou, inclusive, a defender as Seleções Francesas de base. Após empréstimos infrutíferos ao Tours e ao Lorient, o marroquino Benatia destacou-se no modesto Clermont e foi vendido à Udinese, onde conseguiu, por fim, o destaque esperado no início de sua carreira. Depois de três anos de sucesso em Udine, o zagueiro foi vendido por 13,5 milhões de euros à Roma.

Foto: Reprodução Sky Sports - O zagueiro Benatia em tempos de Udinese.

Foto: Reprodução Sky Sports – O zagueiro Benatia em tempos de Udinese.

Cristian Zapata: tido por vezes como um zagueiro temerário e inseguro, Zapata foi contratado pela Udinese em 2005, aos 18 anos, vindo do Deportivo Cali. Após seis temporadas de sucesso, o colombiano foi pretendido por diversos clubes na Europa, e acabou seguindo para o Villarreal. Apesar disso, com uma campanha ruim e o consequente rebaixamento do Submarino Amarelo, o zagueiro rumou para o Milan, seu clube atual.

Lateral-esquerdo:

Marek Jankulovski: outro jogador que se projetou no futebol europeu na Udinese foi o tcheco Marek Jankulovski. Depois de chegar ao futebol italiano para jogar no Napoli, que vivia tempos negros, o ex-lateral-esquerdo defendeu a Zebrette por três temporadas (2002/2005) e seguiu para o Milan, onde permaneceu até 2011, retornando então ao Banik Ostrava, clube que lhe deu as primeiras chances no futebol, e onde encerraria sua carreira.

Volantes:

David Pizarro: o volante/meia chileno foi formado no Santiago Wanderers e mudou-se para a Itália ainda aos 19 anos. Após, um rápido empréstimo à Universidad de Chile, Pizarro retornou à equipe da Udinese, onde brilhou. Foram mais de 100 partidas pelo time que carimbaria seu passaporte para o mercado europeu. O jogador passou posteriormente pela Inter de Milão, Roma (onde teve grande destaque, entre 2006-2012), Manchester City e Fiorentina, onde milita atualmente.

Foto: Reuters - Observado por Totti, Pizarro é cumprimentado por Sensini.

Foto: Reuters – Observado por Totti, Pizarro é cumprimentado por Sensini.

Sulley Muntari: o ganês Sulleyman Ali Muntari foi contratado pela Udinese aos 17 anos, vindo do Liberty Professionals, de seu país. Após um ano na base da equipe italiana, Muntari estreou aos 18 anos na equipe principal, que ele defendeu entre 2002 e 2007, quando se mudou para o então novo-rico inglês Portsmouth. Após rápida passagem pelo futebol bretão, Muntari foi contratado pela Inter de Milão e posteriormente pelo Milan, seu clube no momento.

Meia:

Gokhan Inler: hoje referência no meio-campo do Napoli e atual capitão da seleção suíça, Inler ganhou sua primeira oportunidade num grande centro do futebol mundial na Udinese, aos 23 anos, vindo do Zürich. Pelo clube bianconero de Udine, ele jogou no período de 2007 até 2011, quando se mudou para Nápoles.

Atacantes (ou wingers):

Juan Guillermo Cuadrado: jogador mais efetivo da Fiorentina, Cuadrado é mais um sul-americano que desembarcou em Udine. Utilizado como “quebra-galho” na Udinese, o colombiano não alcançou o brilhantismo que dele se esperava. Contudo, conseguiu mostrar que tinha potencial. Após um empréstimo ao Lecce, a Fiorentina, ainda que com desconfiança, apostou em seu futebol, levando-o emprestado à Florença. Ao final do vínculo, dada a importância do jogador, a Viola optou por adquiri-lo.

Alexis Sánchez: habilidoso e insinuante, Alexis como gosta de ser chamado o chileno winger do Barcelona, começou a desfilar seu futebol ainda aos 16 anos no Cobreloa. Aos 17 acertou com a Udinese. Após dois períodos de empréstimo, primeiro ao Colo-Colo e depois ao River Plate, Sánchez retornou ao futebol Europeu. Mais maduro, conseguiu com belas atuações seduzir o Barcelona, que não hesitou em pagar 26 milhões de euros pelo jogador.

Quais podem ser os próximos nomes a se encaixar nesse perfil?

A equipe atual da Udinese, diferentemente das últimas temporadas, não vive um bom momento. Mas alguns jogadores com perfil semelhante ao dos supracitados aparecem bem cotados no mercado europeu. Nesse sentido, convém ressaltar o atacante colombiano Luis Muriel, que tem atuado ao lado de Falcao Garcia na Seleção de seu país. Jovem, 22 anos, o veloz atacante tem tudo para mudar-se para um grande centro futebolístico num futuro próximo.

Foto: Reprodução Marca - Luis Muriel, destaque na Udinese e na Seleção Colombiana

Foto: Reprodução Marca – Luis Muriel, destaque na Udinese e na Seleção Colombiana.

Além do colombiano, outros candidatos a um bom futuro em algum clube maior na Europa são o volante brasileiro Allan, que, mesmo criticado à época em que atuava no Vasco, conseguiu firmar-se na Udinese, e, por fim, o goleiro Brkic um dos melhores do Campeonato Italiano.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.