Confronto de gerações: de 81-82 até 93-94

É sempre curioso pensar em gerações. A conversa ronda jogadores que passaram por seleções de base, títulos conquistados e sucesso posterior com a seleção profissional, mas as últimas grandes gerações do futebol mundial não necessariamente obtiveram êxitos nas categorias inferiores e alguns grandes atletas sequer tinham o devido destaque quando jovens. O interessante é pensar, de fato, na quantidade de jogadores bem sucedidos que nasceram na mesma geração. Escolhemos desde o biênio 81-82 as grandes gerações do futebol mundial e contaremos um pouco sobre elas.

81-82: Brasil

Conmebol

Foto: Conmebol.com – Seleção Brasileira que disputou o Sul-Americano sub-20.

Expoentes: Kaká, Adriano, Maicon, Luisão, Elano, Maxwell, Gomes, Alex e Júlio Baptista.

Outros jogadores destacáveis: Edu Dracena, Naldo, Ewerthon, Fábio Rochemback, Nenê e Fernando Menegazzo.

Conquista: Sul-Americano Sub-20 em 2001

Jogadores de sucesso em seus clubes, alguns pela seleção brasileira principal, mas, sobretudo, atletas de grande qualidade. Isso marca a excelente geração 81-82 do Brasil. Dela surgiram bons jogadores de diversos calibres, desde atletas de classe mundial, como Kaká, Adriano – no auge – e Maicon, até atletas que não alcançaram o potencial deles aguardado, mas que conheceram o sucesso.

Desnecessário declamar sobre as carreiras dos expoentes da geração, mas mesmo os outros jogadores citados merecem destaque. Edu Dracena deixou sua marca no Guarani, Cruzeiro, Fenerbahçe e Santos, Naldo conseguiu sucesso no futebol alemão, Ewerthon fez parte do grande time do Borussia Dortmund do inicio do século, Rochemback chegou a atuar pelo Barcelona, Nenê fez parte dos quadros do já rico PSG e Fernando Menegazzo traçou uma sólida carreira no futebol europeu.

Com muitos frutos na Seleção Brasileira em diversos momentos, a grande geração do biênio 81-82 é, sem dúvida, a do Brasil.

83-84: Holanda

Foto: Reprodução - Heitinga, van Persie, van der Vaart, Robben, Huntelaar e de Jong representam a geração 83-84.

Foto: Reprodução – Heitinga, van Persie, van der Vaart, Robben, Huntelaar e De Jong representam a geração 83-84.

Expoentes: Arjen Robben, Rafael van der Vaart, Wesley Sneijder, Robin van Persie e Nigel De Jong.

Outros jogadores destacáveis: Klaas-Jan Huntelaar, Michel Vorm e Johnny Heitinga.

Conquistas: nada

Tendo alcançado o ápice em 2010, com a chegada à final da Copa do Mundo, a melhor geração dos anos 83-84 é a holandesa. Com uma safra de impressionante qualidade técnica, formada por jogadores com excelente visão de jogo, habilidade e ótimos nas finalizações, a Holanda conseguiu dar continuidade à safra de Seedorf, Kluivert, Bergkamp e Davids – dentre outros, justamente por causa desses vitoriosos jogadores.

A geração não é tão completa, pois não conseguiu criar talentos para o setor defensivo, mas o poder de fogo da geração é tão rico que consolida o país como a melhor geração deste período. Hoje são justamente Robben, van der Vaart, Sneijder, van Persie e companhia que já começam a dar suporte a uma nova e talentosa geração.

85-86: Portugal

Foto: Reprodução - Hoje, Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho e Miguel Veloso são titulares absolutos em Portugal.

Foto: Reprodução – Hoje, Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho e Miguel Veloso são titulares absolutos em Portugal.

Expoentes: Cristiano Ronaldo, Nani, João Moutinho e Miguel Veloso.

Outros jogadores destacáveis: Rolando, Miguel Lopes, Rúben Amorim, Manuel Fernandes, Vieirinha e Varela.

Conquistas: nada

Bons valores e um jogador genial. Isso define a geração portuguesa do biênio 85-86. Criada em boa parte na excepcional base do Sporting Clube de Portugal, esse grupo de jogadores forma, ainda, a base da seleção portuguesa atual, que tem como grandes resultados a chegada às semifinais da Eurocopa de 2012 e a classificação para a Copa do Mundo deste ano.

Evidentemente que a presença de um jogador da categoria de Cristiano Ronaldo dá um peso enorme a essa geração, mas a qualidade técnica de João Moutinho e Nani e a forte marcação de Miguel Veloso estão longe de passarem despercebidos.

87-88: Argentina

Foto: Reprodução - Equipe argentina campeã olímpica.

Foto: Reprodução – Equipe argentina campeã olímpica.

Expoentes: Lionel Messi, Angel Dí Maria, Sérgio Agüero, Gonzalo Higuaín e Ever Banega.

Outros jogadores destacáveis: Sérgio Romero, Federico Fazio, Nicolas Otamendi, Fabian Monzón, Fabian Rinaudo, Ricky Alvárez, Nico Gaitán e Mauro Zárate.

Conquistas: Mundial Sub-20 (2007) e ouro olímpico (2008).

A melhor geração do biênio 87-88 é possivelmente a melhor geração de jogadores em atividade no mundo. No auge de suas formas física e técnica, os argentinos nascidos nesse período tiveram sucesso nas categorias de base e conquistaram o título olímpico (apesar de nem todos serem dessa geração). Falta a ela uma conquista pela seleção adulta.

Esse safra impressiona pela quantidade e qualidade dos jogadores de frente. Desconsiderando a presença do gênio Lionel Messi, ainda há as presenças de Agüero e Higuaín, excelentes atacantes, e também de outros de menor calibre, mas importantes para seus clubes – casos de Nicolas Otamendi e Ricky Alvarez. Apesar da clara diferença técnica entre atacantes e defensores, a geração argentina de 87-88 é bem completa.

89-90: Alemanha

Foto: Reprodução - L. Bender, Marco Reus, Thomas Müller, Ilkay Gündogan e Lewis Holtby, representam a geração 89-90.

Foto: Reprodução – L. Bender, Marco Reus, Thomas Müller, Ilkay Gündogan e Lewis Holtby, representam a geração 89-90.

Expoentes: Toni Kroos, Thomas Müller, André Schürlle, Marko Marín, Ilkay Gündogan
e Marco Reus.

Outros jogadores destacáveis: Holger Badstuber, Lars Bender, Sven Bender, Ron-Robert Zieler, Philipp Wollscheid e Lewis Holtby.

Conquistas: nada.

Que a Alemanha atual não apresenta as características tradicionais do futebol alemão é evidente, e isso acontece, em grande medida, devido à geração 89-90 da Alemanha. Formada por jogadores extremamente técnicos e bons passadores, foi importantíssima para a renovação da seleção germânica.

É bem verdade que essa geração completa a de 87-88 e é completada pela 91-92, também excepcionaL, mas não há quem não reconheça a importância de Toni Kroos, Thomas Müller e Marco Reus para a seleção. Excelentes valores.

91-92: Brasil

Foto: ESPN - Seleção brasileira campeã do Sul-Americano sub-20 de 2011.

Foto: ESPN – Seleção brasileira campeã do Sul-Americano sub-20 de 2011.

Expoentes: Neymar, Oscar, Lucas, Bernard, Alex Sandro, Danilo, Fernando e Philippe Coutinho.

Outros jogadores destacáveis: Juan Jesus, Casemiro e Wellington Nem.

Conquistas: Sul-americano sub-20 (2011) e Mundial sub-20 (2011).

Se a safra argentina de 87-88 é a melhor no momento, a brasileira de 91-92 é a que tem maior potencial técnico para evoluir. Essa geração conseguiu formar bons atletas em quase todas as posições: laterais, volantes, meias e atacantes de ótima qualidade, além de um jogador que tem potencial para estar entre os melhores do mundo – Neymar. Alguns deles apareceram no Brasil e já compõem o selecionado principal que disputará a Copa do Mundo em 2014.

Considerando que estes atletas estão hoje com 22-23 anos, são também a esperança canarinha para a Copa de 2018, quando, a exemplo da geração argentina citada, terão alcançado a maturidade técnica.

93-94: França

Foto: Reprodução - Seleção francesa campeã  do Mundial Sub-20 de 2013.

Foto: Reprodução – Seleção francesa campeã do Mundial Sub-20 de 2013.

Expoentes: Paul Pogba, Raphaël Varane, Geoffrey Kondogbia, Florian Thauvin e Lucas Digne.

Outros jogadores destacáveis: Aymeric Laporte, Kurt Zouma e M’Baye Niang.

Conquista: Mundial sub-20 (2013)

Resta falar da última grande geração que o futebol nos apresentou: a da França 93-94. Curiosamente, seus destaques principais são jogadores de defesa e meio-campo. Paul Pogba e Raphaël Varane – volante e zagueiro – tem tido presença constante nos times titulares de Juventus e Real Madrid, respectivamente, e também na seleção principal. Além deles, há os destaques do também volante Kondongbia e do lateral esquerdo Lucas Digne, que disputa posição com Maxwell no PSG.

No ataque, os destaques são o Florian Thauvin, winger que pode cair pelos dois lados do campo, e M’Baye Niang, centroavante que pertence ao Milan e que já disputou partidas pelo clube. Hoje está emprestado ao Montpellier.

Apesar de muitos jovens promissores, alguns atletas já são realidade, e outros serão, indubitavelmente, peças importantes em um futuro próximo em suas seleções principais.

Menções honrosas!

Foto: Reprodução - Seleção espanhola campeã do último Europeu Sub-21.

Foto: Reprodução – Seleção espanhola campeã do último Europeu Sub-21.

Além dessas grandes safras de jogadores, merecem também destaque a alemã e a espanhola dos biênios 87-88 e 91-92. A Alemanha 87-88 produziu grandes nomes, como Sami Khedira, Mesut Özil, Mats Hummels e Jerome Boateng, e a de 91-92 trouxe Patrick Herrmann, Mario Götze, Bernd Leno e Marc-André ter Stegen.

Já a Espanha 87-88 contou com Cesc Fábregas, Gerard Piqué, Pedro, Javi García, Busquets, Juan Mata e Javi Martínez e a de 91-92, Thiago Alcântara, Iñigo Martínez, Isco, Koke, Muniain, Carvajal e Alberto Moreno.

E então, Doentes, qual a melhor geração?

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.