Luz no fim do túnel

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás
Os primeiros jogos de Juan Antonio Pizzi no Valencia foram promissores e animaram a torcida (Foto: Getty Images)

Os primeiros jogos de Juan Antonio Pizzi no Valencia foram promissores e animaram a torcida (Foto: Getty Images)

Os recentes sucessos dos treinadores sul-americanos no futebol espanhol fizeram o Valencia ir a Buenos Aires contratar Juan Antonio Pizzi, campeão argentino com o San Lorenzo no final do ano passado. Com passagens pelo próprio Valencia, Tenerife e Barcelona na época de jogador, Pizzi retorna à Liga Espanhola com a missão de melhorar a campanha valenciana na atual temporada. Em seis meses com Miroslav Djukic, a equipe não emplacou, não obteve um padrão de jogo e passou longe da zona de Liga dos Campeões da Uefa.

Diante desses fatores, qualquer mudança concluída por Pizzi seria um avanço na tentativa de salvar a temporada blanquinegra. Pelo andar da carruagem e baseando-se pela excelente estreia, o Valencia vê uma luz no fim do túnel. Na vitória no dérbi de Valencia contra o Levante por 2×0, o comportamento e a postura dos jogadores animaram a torcida, que encerrou 2013 protestando contra a diretoria e o time. O sistema está em desenvolvimento, mas a abordagem tática já mostra resultados. O 4-2-3-1 que mais parece um 4-4-2 com o adiantamento de Jonas para auxiliar Helder Postiga renova a tentativa de buscar uma vaga nas competições europeias da temporada que vem.

Ao contrário do time pragmático da primeira parte da temporada, Pizzi aposta na verticalidade, intensidade e preenchimento de espaço. É uma forma de se adaptar ao futebol moderno, a la Real Madrid 2011/2012, em suas devidas proporções, é claro. Os 73% de posse de bola não significaram uma partida cadenciada, pelo contrário. O volume de jogo intenso foi utilizado de maneira agressiva e direta, na qual o treinador apostou em “abrir o campo”, ao contrário do que fazia a equipe do técnico Unai Emery, responsável por imprimir um ritmo mais leve ao jogo, adotado entre 2009 e 2012.

A evolução do Valencia não é somente tática. Tecnicamente, a recuperação de jogadores em baixa com Djukic podem facilitar o andamento do projeto. No dérbi, Dani Parejo e Oriol Romeu formaram uma perigosa e sólida dupla de volante. Enquanto Romeu foi perfeito na ocupação de espaço, Dani Parejo teve liberdade para fazer a leitura de jogo. Aliás, Pizzi, por ora, improvisa a clara ausência de um meia-armador dando carta branca para Parejo executar a função. Os ataques frequentes pelas alas do campo serão uma bênção para o promissor Bernat e o ótimo João Pereira, laterais com características ofensivas.

Por outro lado, o debate acerca da contratação de um centroavante fica mais explícito devido a quantidade de lançamentos à área rival. Segundo dados do periódico Super Deporte, foram 43 cruzamentos na área do Levante. Poucos foram aproveitados de maneira perigosa. Para quem há pouco tempo teve David Villa e Roberto Soldado em suas melhores fases, Helder Postiga não é o centroavante ideal. O magnata chinês Peter Lim, que apresentou uma proposta para comprar o clube, sonha com Dzeko, segundo o próprio declarou. Mas o nome em pauta em Paterna é Caicedo, centroavante equatoriano com ótima passagem pelo Levante há duas temporadas. Pela experiência no futebol espanhol, ele não teria problemas de adaptação e, em tese, seria um bom nome.

Os passos em frente são cada vez mais evidentes e as polêmicas perderam espaço. O próximo desafio será lidar com a pressão pelo resultado e o imediatismo da exigente torcida. Contratado para suportar uma fase de transição, Pizzi pode ser uma espécie de novo Simeone. Manter a determinação será a chave do sucesso.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.