Meu mundo caiu

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás

“Vamos continuar lutando porque a instituição Real Bétis é grande e merece cada gota de esforço”, afirmou Gabriel Humberto Calderón depois de ver seu Bétis cair para o Celta Vigo por 4×2 no jogo que abriu a 21ª rodada da Liga Espanhola. Na estreia do novo treinador, a equipe verdiblanca mostrou um bom futebol em determinados momentos, mas deixou notório que há muito trabalho pela frente.

Com 11 pontos conquistados e a lanterna da competição, a permissividade dos jogadores impressionam e talvez seja por isso que raios como estes caem com certa frequência em suas cabeças. Rodada após rodada, fica cada vez mais evidente que só um milagre maior que o que apareceu para o Zaragoza em 2009/2010 e 2010/2011 pode salvar o Bétis do rebaixamento à Liga Adelante.

A boa arrancada no início de temporada encobriram os problemas da equipe. Quando a maré virou, o futebol desapareceu, como se jamais tivesse existido. Desde a vitória contra o Villarreal, na 7ª rodada, a torcida heliopolitana não sabe mais o que é comemorar uma vitória. Nesse meio tempo, a campanha na Liga Europa impressionou: a equipe massacrou os tchecos do Jablonec e obteve a vaga na fase de grupos, na qual somou nove pontos, conseguindo classificação para o mata-mata. Ainda que a Europa seja um motivo para diminuir a crise, é improvável imaginar o Bétis eliminando o Rubin Kazan e avançando de fase.

Só olhando: a realidade dos defensores do Bétis na temporada - Foto: Zimbio Pictures

Só olhando: a realidade dos defensores do Bétis na temporada – Foto: Zimbio Pictures

A boa temporada alcançada em 2012/2013, com a sétima colocação na Liga Espanhola e a vaga à Liga Europa, já é um passado bem distante da realidade atual. A campanha foi realizada por uma equipe talentosa e madura, que transformava Benito Villamarín em um cenário de desconforto ao adversário. Em 19 jogos, a equipe venceu dez vezes, empatou quatro e perdeu somente cinco dentro de seus domínios. Números diametralmente opostos aos atuais. Até o momento, foram 11 jogos, duas vitórias, três empates e seis derrotas.

O redimensionamento pelo qual passou o clube no verão europeu expôs os problemas financeiros que castigou a equipe nas últimas janelas de contratações. A exemplo de comparação, em relação ao Bétis que derrotou o Real Madrid por 1×0 na Liga passada e o que foi humilhada pelos blancos por 5×0 há duas semanas, são sete alterações na equipe titular. O constante uso de jogadores da base para suprir as partidas de peças chave do esquema de Pepe Mel há uma temporada não é por acaso. Os problemas vão além das quatro linhas, ainda que o atual elenco verdiblanco seja carente de talento.

Um ano e dois meses se passaram desde aquela noite mágica de 24 de novembro de 2012, quando Beñat Etxeberria bateu Casillas, levou a torcida à loucura e decretou a vitória béltica ante o até então atual campeão espanhol, o Real Madrid de José Mourinho. Hoje, o Bétis já não tem mais Beñat, craque do time nos últimos anos, um meio-campo criativo e uma defesa que passa confiança. O clube está em seu segundo treinador desde a polêmica queda de Pepe Mel, treinador querido pelos torcedores. Enquanto o presidente Miguel Guillén agir como um torcedor passional, os protestos no Benito Villamarín só irão aumentar.

Sem planejamento, o Bétis não tem conseguido substituir aqueles que se foram. Muito menos substituir de forma gradual os senadores do elenco, que já não atuam mais em alto nível. Há dois anos, Ruben Castro e Jorge Molina formavam uma excelente dupla de ataque. Hoje, os dois são reflexos do momento turbulento do clube andaluz. Sem dinheiro, a diretoria tenta caçar algum nome capaz de adicionar qualidade ao elenco no mercado doméstico, mas as opções são escassas.

A contratação por empréstimo de Leo Baptistao junto ao Atlético de Madrid foi uma boa sacada, mas uma andorinha sozinha não faz verão. No gol, o canterano do Real Madrid Adán foi oficializado e não deve tardar a ganhar a vaga do sofrível Andersen. O defensor argentino Insaurralde, o volante brasileiro Casemiro e o meio-campo senegalês N’Diaye são outros nomes na órbita verdiblanca. O clube tenta acelerar a contratação do trio para tentar dar um último suspiro na primeira divisão. Quanto mais demorado for o processo, mais difícil será retomar o caminho das vitórias.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.