Pela volta aos tempos de magia

  • por Levy Guimarães
  • 4 Anos atrás

Ele passou seis anos tentando reencontrar a sua identidade. Foi buscar a glória máxima na Inter de Milão e no Chelsea e fracassou, tentou se restabelecer no Beskitas e viveu altos e baixos e, mais recentemente, passou meses de esquecimento no futebol dos Emirados Árabes. Hoje aos 30 anos de idade e já longe de seus tempos áureos, Ricardo Quaresma precisa, mais do que nunca, voltar a se sentir à vontade em um clube de futebol para, quem sabe, mostrar novamente o talento que encantou os portugueses de 2004 a 2008. E para isso, nada como voltar à casa onde viveu seus maiores momentos.

Durante as quatro temporadas em que esteve no Porto, Quaresma conduziu a equipe ao tricampeonato português em 2005/06, 2006/07 (quando conseguiu a Tripleta, vencendo também a Taça de Portugal e a Supertaça) e 2007/08, sempre como o grande destaque dos Dragões. Mais do que isso: impressionou a todos com seus dribles de efeito, golaços, assistências e trivelas, ganhando apelidos como Harry Potter, Mustang e Cigano.

Abaixo, um dos mais belos gols marcados por ele pelo clube, em uma vitória sobre o Benfica, por 3×2, em 2006:

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Agora com o seu retorno ao time azul e branco concretizado, a grande questão é: o Quaresma que se verá em campo será mais próximo do craque da primeira passagem ou daquele insípido jogador que se viu nos últimos seis anos? A única certeza que se pode ter é que tanto o atacante precisa respirar os ares portistas para voltar à sua grande forma como o Porto precisa do talento do camisa 7 para deixar de ser um time tão previsível e dependente do colombiano Jackson Martínez.

Foto: reprodução - Quaresma na Inter, onde chegou a ser eleito pela imprensa o pior jogador da temporada italiana em 2008/2009

Foto: reprodução – Quaresma na Inter, onde chegou a ser eleito pela imprensa o pior jogador da temporada italiana em 2008/2009

Hoje, a posição de ponta (pelos dois lados) é justamente uma das mais carentes do elenco – não só pela quantidade de jogadores, mas pela ausência de algum que dê qualidade ao setor. Varela e Licá atuam constantemente como titulares, mas estão longe de serem atletas diferenciados. Um se destaca pela força e eficiência, o outro pela velocidade e vontade, mas tecnicamente, não têm tido uma grande contribuição. Já Josué e Quintero, que não são naturais da posição mas volta e meia acabam escalados pelos flancos, mostram dificuldades de se adaptar à função. As fracas atuações desses quatro jogadores deixam a equipe carente de boas jogadas pelos lados do campo, fazendo com que boa parte delas venham dos laterais Danilo e Alex Sandro, que cruzam para a área e ficam na dependência de Jackson para marcar gols.

Foto: A Bola - Logo no primeiro treino do atacante, 10 mil torcedores marcaram presença

Foto: A Bola – Logo no primeiro treino do atacante, 10 mil torcedores marcaram presença

Para Quaresma, o retorno ao clube de origem pode ser ainda uma oportunidade de retornar a ser convocado para a seleção portuguesa, camisa que não veste desde 2012. Devido às poucas opções confiáveis de Paulo Bento – à exceção de Cristiano Ronaldo e Nani, que não vive boa fase – o Cigano pode cair como uma bela opção de banco para a Copa do Mundo, um jogador que poderia entrar no 2º tempo e mudar os rumos de uma partida. Se ele voltar a jogar um futebol eficiente e vistoso, não haveria por que deixá-lo de fora das convocações.

Mesmo visto com certa desconfiança por parte da torcida, a recepção calorosa dos portistas e a presença maciça dos adeptos em seu primeiro treino mostraram que o ambiente é o melhor possível para a volta por cima do jogador, que já vinha fazendo uma forte preparação física há algumas semanas. Agora, fica a cargo de Quaresma corresponder e voltar a ser reconhecido como um verdadeiro artista com a bola nos pés.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.