Pílulas sobre o Real Madrid de Carlo Ancelotti

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás

– O aspecto mais fascinante do Real Madrid pós-Mourinho é a obsessão pela manutenção da posse de bola. A equipe não abdicou da velocidade e do jogo agressivo e direto visto durante a passagem do português por Chamartin, mas tenta compensar o pragmatismo às vezes visto com Mourinho com um jogo mais à Barcelona e Espanha. No entanto, paradoxalmente, o que se viu na maior parte da temporada foi uma equipe ainda em teste, adaptando-se à nova proposta de jogo.

– Aparentemente, Ancelotti segue indefinido sobre qual sistema deve utilizar. Por isso, não será incomum ver o Real Madrid alternando entre o 4-4-2 (dos três primeiros jogos de 2014), o 4-2-3-1 (do final de 2013) e o 4-3-3 (do jogo de hoje, contra o Bétis). Coincidência ou não, foi com o último módulo tático que saíram os melhores jogos dos blancos na temporada (e no 4-4-2, os piores, por subutilizar meio time).

– Contra o Bétis, no sábado, o que se viu foi um Real Madrid dominante e objetivo com a bola. É verdade que o adversário faz sua pior temporada desde que retornou à elite espanhola e, salvo um milagre divino, provavelmente voltará à Liga Adelante, mas a postura merengue deve ser elogiada. Tudo funcionou: as peças individuais (Ronaldo, Bale, Modric e Di María), o jogo coletivo e o desempenho tático (marcação pressão sufocante, verticalidade ao extremo e solidez defensiva, muito graças a Pepe e sua ótima temporada).
foto: Getty Images Europe
– É provável que, no momento mais agudo da temporada (leia-se: Liga dos Campeões da UEFA), Ancelotti abra mão de Di María ou Isco para escalar Illarramendi, caso se renda ao 4-3-3. O treinador chegou a comentar que o ideal seria Illarra atuar como mediocentro no sistema, substituindo Xabi Alonso, mas aprovou a partida feita pelo jovem volante espanhol contra o Osasuna, atuando junto com Xabi, como um interior. Mas a pressão física que Di María, em especial, faz é louvável. O argentino corre o campo inteiro, ajuda Marcelo na marcação e é efetivo na jogadas de ataque. Além disso, um trivote com Xabi, Illarra e Modric pode deslocar o croata da parte do campo da qual ele vem brilhando.

– Cristiano Ronaldo à parte, Modric vem sendo o jogador mais destacável da temporada merengue. Como o próprio Ancelotti afirmou, “ele é o único que tem entendido sua função e o que eu quero da equipe”. Ao lado de Xabi Alonso, o croata manda e desmanda no meio-campo, sempre com passes precisos e jogadas inteligentes. Ao contrário do que muitos duvidavam, Modric dá sim sustentação ao sistema defensivo. É jogador para marcar época no Bernabéu.

– O que mais me incomoda é a indefinição de Ancelotti para com Isco Román. O jovem, que começou a temporada num nível alto, segue irregular, com frequentes aparições no banco de reservas. A exemplo da temporada passada, Isco só rendeu quando foi escalado no suporte a Benzema (ou Morata), auxiliando-o, e com liberdade para cair pela esquerda quando Ronaldo avança. É no 4-2-3-1 que o espanhol melhor se apresenta. No 4-4-2, como um autêntico winger inglês, Isco coleciona más partidas.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.