Acabou a Mágica?

  • por Gregor Vasconcelos
  • 7 Anos atrás

MAGIA OZIL PROMO

Quando Özil chegou ao Arsenal no começo de setembro, muitos esperavam que essa seria a contratação que elevaria o patamar do clube, que finalmente voltaria a brigar por títulos.

Nos primeiros meses, esse realmente parecia ser o caso. Özil já entrou no time entrosado, dando três assistências em seus dois primeiros jogos e criando uma espécie de özilmania em Londres. O Arsenal, que havia começado a temporada de maneira catastrófica após uma derrota em casa contra o Aston Villa, liderou a Premier League até meados de Janeiro e se classificou no grupo da morte desta edição da Champions.

Foto: Arsenal.com - 'Özilmania' tomava conta de Londres

Foto: Arsenal.com – ‘Özilmania’ tomava conta de Londres

Özil se destacava ao lado de Ramsey. Até o Boxing Day, Özil contribuiu com 9 assistências e 5 gols em 20 partidas. Depois de uma pequena contusão no ombro que tirou o jogador das partidas contra Newcastle e Cardiff, ele não tem sido mais o mesmo. Nos últimos 12 jogos, o alemão deu apenas duas assistências, uma delas contra o Coventry City, da terceira divisão em partida válida pela FA Cup. Seu último gol veio contra o Everton no dia 8 de Dezembro.

O rendimento baixo do jogador foi mascarado por vitórias tranquilas contra Aston Villa, Fulham, Crystal Palace e Coventry em janeiro, mas a grande verdade é que sua única atuação acima da média naquele mês foi no segundo tempo do empate contra o Southampton.

Pouco depois disso, uma atuação vergonhosa de Özil contra o Liverpool expôs de vez as dificuldades que vem encontrando nos últimos dois meses. A marcação a pressão executada pelo trio de meio do Liverpool – Gerrard, Coutinho e Henderson – não dava espaço para o jogador pensar. O meia do Arsenal se mostrava fraco fisicamente e perdia a bola com imensa facilidade, sendo responsável direto pelo terceiro e quarto gols do Liverpool.

O pênalti perdido contra o Bayern de Munique na Champions League afundou de vez a moral de Ozil. O jogador vem claramente sentindo a pressão de uma torcida impaciente, que esperava mais do meia nas partidas decisivas. As críticas são tantas que Özil precisou ser defendido por Lukas Podolski em uma postagem no Facebook do seu colega de equipe.

Foto: BPI - O penalti perdido contra o Bayern, foi o ponto mais baixo de um 2014 infernal para Özil até aqui

Foto: BPI – O pênalti perdido contra o Bayern foi o ponto mais baixo de um 2014 infernal para Özil até aqui

As atuações foram tudo o que a mídia inglesa precisava para lançar um ataque contra Özil, já taxando-o como um flop. O raciocínio imediatista dos críticos se dá principalmente considerando o valor pago pelo jogador: tendo custado £42.5 milhões, ele deveria ser capaz de decidir partidas sozinho, o que pouco fez desde que chegou ao Arsenal. Apesar do rendimento decepcionante desde a virada do ano, a situação de Özil merece uma análise um pouco mais profunda.

O que aconteceu?

Devido ao seu excelente começo na Premier League, muitos parecem esquecer que Özil ainda está em processo de adaptação ao futebol inglês. E o seu principal problema ultimamente tem sido o seu físico. Mesmo em Madrid, ele era substituído em quase todo jogo, por não ter fôlego para completar os 90 minutos. Com a intensidade física do Campeonato Inglês, sua falta de vigor é ainda mais evidente. E, sendo a principal estrela dos Gunners, Özil dificilmente é substituído e nunca começa no banco. O técnico Arsene Wenger sempre diz que jogadores que chegam de fora costumam ter mais dificuldade na segunda metade da temporada, já que, quando eles estariam de férias em outros países, o calendário inglês se intensifica.

Foto: Reprodução - Os problemas de adaptação com a fisicalidade na Premier League ficou escancarado na humilhante derrota por 5-1 diante do Liverpool

Foto: Reprodução – O problemas de adaptação com a fisicalidade na Premier League ficaram escancarados na humilhante derrota por 5×1 diante do Liverpool

Outro problema para Özil e para o Arsenal tem sido as contusões, principalmente a de dois jogadores-chave do elenco: Ramsey e Walcott. O galês, que não atua desde a vitória por 3×1 sobre o West Ham no Boxing Day, havia formado uma dupla letal com Özil. As subidas-surpresa em velocidade de Ramsey pelo meio, característica que nenhum dos outros volantes do Arsenal possui, fazem falta ao alemão, que agora sofre com uma marcação mais intensa. Além disso, Ramsey fez o passe para 3 dos 5 gols de Özil com a camisa do Arsenal (Özil por sua vez também participou diretamente de 3 gols de Ramsey).

A ausência de Walcott também é bastante sentida. Sem a ameaça do ponta inglês, times podem pressionar a saída de bola do Arsenal com uma linha alta, já que nenhum outro jogador da equipe tem as mesmas características. Com isso, Özil dificilmente tem a opção do passe em profundidade, que é a sua especialidade.

Um exemplo disto foi no empate em 0x0 contra o Manchester United. Özil, que fez boa partida, levava o time à frente toda vez que recebia a bola, mas quase sempre acabava a jogada sozinho, rodeado de jogadores do United. Dentre seus companheiros de linha ofensiva (Giroud, Cazorla e Rosicky), nenhum se movimentava à sua frente, tentando receber a bola nas costas da zaga. A situação melhorou com a escalação de Chamberlain e Podolski na FA Cup contra o Liverpool, dando ao meia opção para o passe e gerando sua melhor atuação nos últimos três meses.

Flop?

Apesar das atuações recentes, chamar Özil de flop é um pouco precipitado. A qualidade do jogador é indiscutível, assim como o fato que ele pode (e, com o tempo, deve) render mais. O que preocupa de verdade são as atuações em clássicos, mas, para a sua primeira temporada, Özil vem jogando bem e tem sido uma “vitima” do sucesso instantâneo que teve em seus primeiros meses em Londres.

Na atual Premier League, só criou menos chances de gol que David Silva do Manchester City e só deu menos assistências que Wayne Rooney, do Manchester United. Nada mal para um “flop”. É um caso parecido com de David Silva e seu início no Manchester City.

A grande verdade é que os críticos esperam que Özil seja um jogador que ele nunca foi: aquele que decide um jogo ou campeonato sozinho. Para render o seu melhor, ele precisa estar em sintonia com o time à sua volta, algo que não tem acontecido recentemente.

As atuações nos últimos dois recentes alássicos contra Manchester United e Liverpool foram encorajadoras. A chuva de críticas que o jogador recebeu depois da partida em Anfield parecem ter tido um efeito positivo em seu desempenho, já que ele tem parecido mais atento, motivado e participativo desde então.

Ainda não é hora de descartar Özil e Arsenal, que se encontram em uma posição ótima para finalmente terminar com a seca de troféus. Quem sabe a humilhação sofrida pelo jogador nesta última semana seja o estímulo que ele precisava para mostrar que pode, sim, ser o jogador que levará o Arsenal a um outro patamar.

Foto: Reprodução – Apesar das dificuldades recentes, Özil ainda é o cara que pode levar esse Arsenal a frente

Foto: Reprodução – Apesar das dificuldades recentes, Özil ainda é o cara que pode levar esse Arsenal a outro patamar

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Torcedor fanatico do Arsenal e do Flamengo, Gregor é fã de longa data da Premier League, acompanhando a liga avidamente há 10 temporadas. Formado em linguística inglesa pela universidade King's College em Londres, agora faz mestrado em linguistica e literatura na universidade de Zurich. Colunista da extinta revista "Doentes por Futebol", hoje é o editor de futebol inglês no site.