Buscando alternativas

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás
Xavi, Iniesta e Fàbregas, regentes de uma variação que animou os torcedores barcelonista (Foto: Getty Images)

Xavi, Iniesta e Fàbregas, regentes de uma variação que animou os torcedores barcelonista (Foto: Getty Images)

A uma semana de visitar o Etihad Stadium para encarar o Manchester City, o Barcelona fez sua melhor partida em 2014 e obteve a classificação à final da Copa do Rei. Apesar do empate por 1×1, os blaugranas controlaram o jogo à sua maneira e não deixaram a Real Sociedad, atuando no Anoeta, onde sempre traz complicações aos grandes espanhóis, confortáveis dentro de campo.

Para evitar a chuva de contra-ataques que vem apavorando o sistema defensivo e Vela e Griezmann sem espaços, o Barça flertou com sua melhor versão na temporada. Tata Martino adiantou a marcação, compactou as linhas de maneira mais segura (em relação aos últimos jogos) e deu liberdade para os jogadores de frente se movimentarem. Com mais segurança e paciência com a bola nos pés e jogadores qualificados no suporte a Xavi, o time só sofreu o gol quando relaxou, no final da partida, mas foi dominante e superior ao longo dos 90 minutos.

Martino buscava exatamente isso quando voltou do intervalo no 4-3-1-2, com um losango (ou diamante) à italiana no meio-campo. Foi a primeira vez que o Barcelona atuou assim de maneira mais definida em 2013/2014, com os ponteiros menos espetados nos lados do campo. Há três semanas, na vitória contra o Levante por 4×1, Messi recuou seu deslocamento para a linha central, de onde saíram as três assistências para Tello, entrando em diagonal pela esquerda. Ontem, o argentino chegou a participar da fluência de passes no meio-campo, mas estava mais próximo do gol na hora da conclusão.

A possibilidade do diamante ser utilizado com mais frequência na temporada é alta. O 4-3-1-2 dá certo no Barcelona, mas vale lembrar que uma formação é “melhor” do que outra apenas em determinados contextos. O losango passa a ser uma alternativa no Camp Nou porque permite ao treinador argentino escalar Fàbregas, Iniesta, Xavi e Messi (e Neymar) sem subutilizá-los. Na primeira vez que Martino uniu o quarteto, o Barcelona venceu o Real Madrid por 2×1, mas Messi, naquele dia de volta à ponta direita, e Fàbregas, como falso nove, não foram protagonistas. A falta dos extremos pode ser compensada com as subidas surpresas de Daniel Alves e Alba – ainda que a fraca temporada do baiano possa interferir nessa questão.

Um outro ponto a se considerar (e já discutido aqui no site dias atrás) para o sucesso do esquema é o retorno da obsessão barcelonista de atacar pelo centro, abdicando da verticalidade. Especialmente para combater o City, o Barcelona pode mandar prender e soltar no meio-campo, através de um tiki-taka mais veloz no primeiro passe e menos cadenciado. Desafogando Messi, o argentino pode ser uma arma mortal na eliminatória. No domingo, houve uma partida em que um treinador mudou sua equipe para o diamante e conseguiu controlar um poderoso adversário: Mônaco 1×1 PSG.

As atuações recentes incentivam Martino a utilizar a formação outras vezes, mas essa opção certamente não é definitiva. Ele não comentou sobre o esquema na coletiva, mas mencionou a qualidade de movimentação de Iniesta, que teve liberdade para sair da ponta esquerda para o centro, jogando como um famoso trequartista italiano, nos 45 minutos finais. E é válido deixar claro que o Barcelona começou no 4-3-3 habitual, com o camisa oito aberto à esquerda e Fàbregas de interior esquerdo, como nos melhores momentos de Tito Vilanova na temporada passada. A adaptação de Neymar a uma provável nova função também será interessante perceber, embora seja provável que o brasileiro não deva começar entre os titulares em Manchester. Muito além de apenas uma formação, a capacidade de variar seu estilo de jogo passa a ser uma grande arma do Barcelona.

O Barcelona do segundo tempo no Anoeta: um diamante à italiana no meio-campo, com Iniesta e Fàbregas revezando na função de auxiliar Messi e Pedro. “Sua excelente movimentação permitiu começar como extremo esquerdo e depois se deslocar para o centro”, disse Tata Martino sobre Iniesta.
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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.