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Para nós, do DPF, o futebol é envolvente. Os noventa minutos de cada jogo nos consomem enquanto nós os consumimos. A repetição de cada lance nos enche de emoção – cada gol chorado, golaço, gol de xiripa, nos faz suspirar, gritar, se entusiasmar. Os noventa minutos tomam conta de nós, mas não só eles. Tudo que tange a arte do esporte bretão, tudo que envolve o futebol – e sabemos que o futebol envolve tudo – nos emociona e nos marca porque nos deixamos levar por essa paixão insaciável, porque somos estudiosos dessa matéria sem fim, porque somos torcedores de um time (campeão do mundo ou da várzea do interior). 
Além disso, muitas vezes o futebol resolve brincar de filósofo e nos ensina os descaminhos da vida; muitas vezes o futebol resolve usar o disfarce de professor de geografia e nos ensinar as fronteiras, as rotas migratórias, as políticas; muitas vezes o futebol toma a forma de um estrangeiro, obrigando-nos a aprender línguas desconhecidas, costumes distintos e histórias absurdamente inacreditáveis. Foi pensando em tudo que o futebol nos faz refletir, que criamos essa coluna; pois ele ultrapassa as quatro linhas e toma forma no cinema, nos livros, nos documentários e muito mais. 

Estreia o DPF Recomenda, indicando um livro e um filme que acreditamos ter um valor especial para nós todos, amantes do futebol:

1 – Como o futebol explica o mundo, um olhar inesperado sobre a globalização – Franklin Foer

DPF RECOMENDA FRANKLIN FOER
Esse livro escrito pelo jornalista estadunidense Franklin Foer é uma obrigação para quem se interessa por análises do futebol em sua relação com questões globais, como a economia e a migração. Através de expedições a países como Sérvia, Brasil, Ucrânia e Irã, o autor tece análises da articulação do contexto local com o global – pensando em temas como as torcidas organizadas e a guerra dos Bálcãs, os cartolas no Brasil, os jogadores nigerianos na Ucrânia, entre outros. Com observações sob estas perspectivas, Foer constrói uma argumentação geral sobre os efeitos da globalização – sob, como diz o subtítulo, um olhar inesperado. Concordando ou não com a opinião do autor, os relatos dos diferentes países visitados já são suficientes para que essa obra se torne um clássico na prateleira de qualquer doente por futebol.
O livro se divide em dez capítulos, cada um abordando uma ou mais nações:


1- O paraíso dos gângsteres (Sérvia)
2- A obscenidade das seitas (Escócia)
3- A questão judaica (diversos países)
4- O hooligan sentimental (Inglaterra)
5- A sobrevivência dos cartolas (Brasil)
6- Os negros dos Cárpatos (Ucrânia)
7- Os novos oligarcas (Itália)
8- O discreto charme do nacionalismo burguês (Espanha/Catalunha)
9- A esperança do Islã (Irã)
10- As guerras culturais nos Estados Unidos 


2 – Maradona – Emir Kusturica

DPF RECOMENDA MARADONA KUSTURICA

Emir Kusturica é, sem dúvidas, um dos maiores diretores do cinema contemporâneo. Responsável por filmes como Underground (vencedor da Palma de Ouro de Cannes em 1995), A vida é um milagre (Život je čudo), Arizona Dream, entre outros, Kusturica é doente por futebol. Nesse trabalho, o diretor narra a história de Maradona com uma precisão incomum a um estrangeiro (nascido numa distante Sarajevo) e consegue relacionar a vida de um (anti-) herói, como D10S, às suas próprias obras. O documentário está completo no Youtube e conta com a participação do músico Manu Chao – que canta, para Dieguito, “la vida es una tombola”, canção dedicada justamente a ele. Simplesmente impressionante.

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Semana que vem voltamos com mais DPF Recomenda. Que o amigo Doente também sinta-se à vontade para recomendar, contribuir e sugerir. Afinal, a Doença afeta todos nós.

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Antropólogo, fanático por relações internacionais, direitos humanos, literatura e, óbvio, Doente por Futebol. Além de colunista para o DPF, escrevo para o fã clube Borussia Dortmund Südbrasilien e no projeto latinoamericano Goltura Futebol. Jogo de segundo volante.