E se Fred ficar fora?

Por O Futebólogo

A Seleção Brasileira, desde a chegada do treinador Luiz Felipe Scolari, voltou a atuar sempre com um centroavante fixo na grande área adversária. Em sua primeira convocação, neste retorno, Felipão escolheu Luís Fabiano e Fred como seus goleadores. O primeiro, titular na partida contra a Inglaterra, não aproveitou sua chance e o segundo assumiu a condição de matador da equipe.

Desde o retorno do treinador pentacampeão, Fred disputou 12 partidas pela seleção, marcou 10 gols e deu três assistências, média excelente, ainda mais se for levada em conta sua participação efetiva na Copa das Confederações, quando marcou cinco gols em cinco partidas e deu o passe para mais dois tentos. Até então, está tudo certo, não? Fred será o titular da equipe e dono da mística camisa 9 da seleção brasileira. Bem que os brasileiros gostariam de poder fazer essa afirmação sem medo.

Ocorre que o matador do Fluminense tem estado às voltas com lesões, as quais põem em cheque sua presença na Copa do Mundo. Desde o dia em que ajudou a maravilhar o mundo com a gorda vitória sobre a Espanha na final da Copa das Confederações, a seleção brasileira jogou seis partidas e Fred só esteve em uma delas: a primeira, contra a Suíça. Se o artilheiro não estiver em forma, como se virará o treinador Felipão? Confira algumas possibilidades.

.

Possibilidades com autênticos “camisa 9”

Para manter o padrão da equipe, Felipão teria de escolher um centroavante típico. Assim, surge como opção óbvia, até pelo bom desempenho na Copa das Confederações e por ter se firmado como o reserva de Fred, o atacante do Atlético Mineiro Jô. Forte no jogo aéreo e na “parede”, ajeitando a bola para os jogadores que vêm da linha do meio-campo, é quem melhor atuou na ausência do atacante do Fluminense. Sua escolha dependerá, em grande medida, de seu desempenho na primeira metade do ano. Até o momento disputou três partidas e marcou dois gols. Entretanto, no fim do ano passado afundou retumbantemente com o Galo no Mundial de Clubes em Marrocos.

Se Jô agarrou bem sua chance na seleção, muito disso se deve à lesão de Leandro Damião, originalmente convocado para a reserva de Fred na Copa das Confederações. Então no Internacional, Damião impressionara Felipão por sua grande disposição em alguns amistosos – principalmente em relação à apatia demonstrada por Alexandre Pato, que teve chances semelhantes. Agora no Santos, Damião precisará fazer chover e, talvez, contar com uma má fase de Jô para ser novamente lembrado por Felipão. Contudo, já passou pela avaliação do treinador que conhece seu trabalho e, numa eventualidade, poderá optar por ele.

As outras opções convocadas por Felipão, Luis Fabiano, Alexandre Pato e Diego Costa (que não é mais opção, pois optou por defender a Espanha), estão fora de questão. E outros atletas, a não ser que mostrem um futebol de outro mundo nestes seis meses, dificilmente ganharão uma vaga, afinal, Luiz Felipe não pôde testá-los.

.

Possibilidades com um “falso 9”

Se for confirmada a ausência de Fred na Copa do Mundo e Felipão não estiver disposto a utilizar nenhuma das opções supracitadas no centro de seu ataque, a solução será optar por um jogo sem ninguém fixo na grande área. Nesse caso, ganha força o nome de Robinho, que além de ter entrado bem nas poucas chances que recebeu do treinador Felipão, é parceiro de Neymar, tem experiência de Copa do Mundo e é um jogador querido pelo grupo.

Além de Robinho, podem atuar nessa função o “winger” direito Hulk, que já cumpriu esse papel tático no Porto – de forma pouco eficiente, é bem verdade – mas que não é totalmente estranho à posição. Neymar, ainda, é outro que pode jogar no comando do ataque.

A opção pelo chamado “falso 9” (consagrado pelo Barcelona de Pep Guardiola, com Messi fazendo a função), traz consigo a possibilidade de uma intensa movimentação no ataque tupiniquim, o que é positivo. Com três jogadores livres trançando no ataque, o Brasil poderia confundir as defesas adversárias e ganhar pontos com o talento e a imprevisibilidade de seus jogadores. Todavia, nem tudo são flores, e, para atuar dessa maneira Felipão teria que ter tempo para treinar seus selecionados e entrosá-los, o que, sabidamente, não terá.

Felipão claramente prefere atuar com um camisa “9” de ofício, mas também sabe que os concorrentes de Fred ainda não estão à altura dele, e, além disso, ao convocar Robinho deixou implícita a possibilidade de jogar com um “falso 9”.

Como resolver a questão? A bola é sua, Felipão! E se Fred ficar fora?

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.