Histórias das Copas #07 – A batalha de Highbury

No início do século XX, os países britânicos, principalmente a Inglaterra, consideravam-se superiores a qualquer outra seleção e tinham relações cortadas com a FIFA, devido a opiniões divergentes com relação ao profissionalismo no futebol. Assim, mesmo convidada para as primeiras Copas, a Inglaterra declinou da chance, assim como seus vizinhos.

Na primeira partida após o título mundial de 1934, a Itália foi enfrentar a Inglaterra, em 14 de novembro do mesmo ano, no jogo que é considerado a “Batalha de Highbury”. Para os ingleses, o jogo seria a “verdadeira” final da Copa. Para eles, em jogo estava a honra de realmente poder ser considerado o melhor do mundo sem qualquer ressalva.

Os capitães se cumprimentam em Highbury (Foto: Topical Press Agency/Getty Images)

Os capitães se cumprimentam em Highbury (Foto: Topical Press Agency/Getty Images)

Os italianos também aguardavam o jogo com ansiedade, tanto que Mussolini ofereceu um Alfa Romeo e uma grande quantia em dinheiro a cada um de seus jogadores caso eles vencessem a partida.

Porém, o fato mais marcante da partida foi a violência: tornozelos, pernas e até um nariz, do capitão inglês Hapgood, foram quebrados. Logo a dois minutos, Luis Monti sofreu uma violenta falta de Ted Trake e a Itália jogou todo o resto da partida em desvantagem numérica. Em 15 minutos, a Inglaterra abriu 3×0, mas no segundo tempo Giuseppe Meazza fez dois gols para os italianos, mas os ingleses carimbaram a faixa dos campeões mundiais: 3×2.

Após a partida, a Inglaterra chegou a cogitar não mais disputar amistosos, mas voltou atrás. Na mídia europeia, muitos acharam que aquele resultado demonstrou que o título conquistado pelos italianos na Copa do Mundo não era merecido. Aliás, nada mais justo que pensar assim, já que naquela Copa a Itália tinha sido bastante ajudada pela arbitragem contra espanhóis, tchecos e austríacos.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.