O Athletic Bilbao de Ernesto Valverde

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

Durante a primeira parte da temporada, os torcedores do Athletic Bilbao sentiram-se órfãos de Marcelo Bielsa. Por mais que o argentino tenha saído de maneira conturbada do comando técnico do time bilbaíno, o legado deixado em Lezama não poderia ser esquecido. A equipe que encantou em 2011/2012 e alcançou as finais da Liga Europa e da Copa do Rei foi um marco recente no futebol do País Basco.
imagen12735g
Com uma política de contratação que exige somente bascos ou descendentes de bascos no elenco, Athletic e Bielsa derrubaram o conceito preconceituoso de que o clube não pode competir em alto nível. O sistema-bielsista deixou uma virtude coletiva irrefutável: os habituais ataques em bloco, pressão à defesa adversária e zelo com a posse de bola que fazem do argentino um treinador brilhante.

Os primeiros meses do substituto de El Loco no San Mamés não foram definitivos para que ele conquistasse os torcedores. Ainda que desde o início da temporada o Athletic não tenha saído da parte de cima da tabela, a passagem de Bielsa deixou os torcedores mal acostumados. Com uma filosofia diferente e alterações no time em relação à temporada passada, Ernesto Valverde demorou a cair nas graças dos aficionados, mesmo com vitórias importantes ao longo da Liga Espanhola.

A vitória contra o Bétis no último domingo na Andaluzia foi a síntese do Athletic Bilbao de Ernesto Valverde: defesa sólida e precisão para marcar gols. Os Leones continuam marcando em cima e sufocando o rival, especialmente quando atuam em casa (o Real Madrid que o diga), mas não têm vergonha de retrair as linhas e apostar mais nos contra-ataques. A força caseira é o maior trunfo que o Bilbao tem para assegurar a quarta colocação. Com 47 pontos, quatro a mais que a Real Sociedad, os rojiblancos são favoritos a voltar à Liga dos Campeões da Uefa.

O time da posse de bola aprendeu a jogar mais diretamente com ela. Se Bielsa prezava por uma saída de bola mais qualificada desde a zaga (isso explica o fato de Javi Martínez ter sido efetivado como zagueiro), o novo Bilbao faz uma transição mais rápida e, quando em perigo, não tem vergonha de se livrar da bola. O ótimo Beñat seria importante para controlar e acalmar a bola no meio-campo, mas, por enquanto, vem decepcionando. Ele tem recebido poucas chances e, consequentemente, não consegue mostrar o bom futebol que o levou a ser convocado à Espanha e gerar o interesse de clubes da Premier League.

Valverde fez ajustes cruciais a um melhor andamento da temporada. O time se defende melhor e é mais vertical. A recuperação de Muniain e a estabilidade do ótimo Ibai Gomez garantem um jogo mais agressivo pelos lados. Aduriz poderia aproveitar mais as jogadas aéreas, mas cresceu na temporada após um começo crítico. A possível vaga no maior torneio de clubes do mundo seria um prêmio à gestão do presidente Josu Urrutia, uma volta por cima de um treinador tão criticado no início de trabalho e ainda uma resposta à altura ao maior rival que, em 2012/2013, fez ótima temporada e obteve uma vaga na fase de grupos da UCL.

Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.