O efeito Otamendi no Galo

Por O Futebólogo

Contratado às pressas, após a grave lesão do zagueiro Emerson, o Argentino Nicolás Otamendi, recém-vendido pelo Porto ao Valencia por €12 Mi, chegou ao Atlético Mineiro para jogar poucos, importantes e decisivos meses. Cotado para defender a Seleção Argentina na Copa do Mundo, o defensor precisará assumir a titularidade da equipe, ou, pelo menos, ter alguma regularidade. Com isso em mente, vem a pergunta: como encaixar Nico em uma defesa forte e entrosada como a atual do Atlético? Pensamos algumas possibilidades.

No lugar de um dos dois titulares: a opção óbvia

Intentando, simples e puramente, colocar o defensor argentino para jogar, o treinador Paulo Autuori teria como a possibilidade mais simplória inseri-lo na vaga de um de seus titulares: ou Leonardo Silva ou Réver.

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Contudo, efetuar essa mudança não é algo tão simples. As Torres Gêmeas (Réver e Leonardo Silva têm 1,92m) possuem um entrosamento de três anos completos atuando juntos e com grande destaque. Seja evitando derrotas ou garantindo vitórias (sendo vitais, inclusive, em triunfos históricos, como na final da Copa Libertadores do ano pregresso), os zagueiros titulares do Galo tornaram-se ídolos do torcedor e têm o status de quase intocáveis dentro dos onze titulares.

Mudando o esquema tático? 3-5-2

Outra possibilidade que a contratação de Otamendi traz para o Galo é a de a equipe atuar com três zagueiros, mudando seu esquema de jogo.

Como é um defensor dotado de grande senso tático, Nico provavelmente se encaixaria tanto na direita quanto no centro ou na esquerda da linha de defensores. Como é um zagueiro rápido e bom no desarme, seria muito bem utilizado como zagueiro da sobra, em uma função semelhante a de líbero.

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Além do exposto, essa opção poderia ser boa para o zagueiro. Tanto Réver quanto Leonardo Silva têm boa saída de bola, o que faria com que Otamendi dificilmente ficasse com essa tarefa, evitando assim alguns dos problemas de que mais foi cobrado no Porto e na Seleção Argentina.

Na lateral-direita?

Uma opção mais desesperada poderia ser a escalação de Otamendi na lateral-direita. Apesar de não ser absurda – afinal, o zagueiro já atuou nessa função no Vélez Sarsfield e pela Argentina, inclusive na Copa do Mundo de 2010 – já ficou demonstrado que o lugar do jogador é no miolo da defesa.

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Contudo, essa escolha poderia representar uma mudança tática de certa forma positiva para o Galo. Tendo em mente que o lateral-direito titular do Atlético, Marcos Rocha, tem vocação sabidamente ofensiva, e que o provável titular da esquerda (Pedro Botelho) possui semelhante característica, Nicolás, em uma eventualidade, poderia ser escalado pelo flanco direito, possibilitando ao lateral-esquerdo avanços menos “responsáveis” ao ataque. Otamendi ficaria restrito às tarefas defensivas pelo lado contrário.

Colocando um zagueiro no meio-campo

Uma última e derradeira possibilidade suscitável é a da escolha de um dos zagueiros, preferencialmente Réver ou mesmo Otamendi, como volante.

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É evidente que essa possibilidade seria ou uma opção tática utilizável durante alguma partida ou algo pensado para uma necessidade – com a ausência dos volantes titulares. Isso não representaria absurdo algum, uma vez que ambos os jogadores já desempenharam esse papel em jogos esporádicos.

Independentemente da posição, Otamendi traz consigo grande qualidade, um currículo importante e a necessidade de jogar. Embora seja uma contratação com prazo de validade, segue sendo oportuna, afinal, chega em um momento importantíssimo para o Atlético, às vésperas do inicio da Copa Libertadores. Assim como Réver, tem o objetivo de ir à Copa do Mundo, o que faz com que busque mostrar bom nível técnico, casando perfeitamente com a necessidade imediata do Galo.

O problema agora é de Paulo Autuori, que terá de conseguir convertê-lo em solução.

Não se lembra do futebol do zagueiro? Confira o vídeo com lances dele:

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.