O Flamengo estreia com Elano e sem Elias.

  • por João Balbi
  • 7 Anos atrás

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A saga até a conquista:

O atual campeão da Copa do Brasil garantiu sua vaga na Libertadores desbancando o bom time do Atlético Paranaense. Na final, o Maraca lotado viu Hernane se consolidar como artilheiro da competição e ganhar de vez o coração do torcedor.

Voltemos ao início de 2013. Como muitas outras vezes no Flamengo, o ano passado, que terminou feliz, começou conturbado. O trabalho de Jorginho não decolou e ficou pouco tempo no comando. Entrou Mano Menezes, para alegria do diretor de futebol, Paulo Pelaipe. O trabalho de Mano foi elogiado e chegou a ser considerado como milagre por alguns, porém, uma derrota para o mesmo Atlético Paranaense da final da Copa do Brasil fez com que Mano pedisse sua demissão. Foi uma atitude inesperada e criticada por todos no meio do futebol.

A solução estava em casa. Jayme de Oliveira tinha sido jogador do clube e havia voltado para trabalhar no Flamengo. Com seu jeito calmo e paternal que lembrava Andrade, conseguiu levantar a moral de alguns jogadores que ainda não tinham a total confiança da torcida. O Flamengo foi vencendo jogos e avançando na Copa do Brasil, e ainda manteve distância da zona de rebaixamento do Brasileiro. Montou um esquema de jogo eficaz, com uma defesa sólida e protegida pelo cão de guarda Amaral, e ainda uma transição rápida por dentro com Elias e pelas pontas com Paulinho, sempre auxiliados pelo experiente Léo Moura na lateral-direita. Na frente, o Brocador fez seu trabalho. Como fez! Foram 36 gols marcados ao longo do ano e a artilharia da Copa do Brasil. As limitações técnicas do centroavante são claras, mas e daí? Atacante vive de gols.

Apesar da boa fase de Hernane, o destaque do time foi Elias, com sua velocidade, inteligência tática e uma ótima capacidade de organizar a transição, com passes precisos e boa chegada ao ataque. Tanta disposição fez inclusive com que a falta de interesse de André Santos e, principalmente, Carlos Eduardo fossem deixadas de lado. Tanto destaque teve um preço: Elias voltou para Portugal e já foi inscrito pelo Sporting. Certamente seu retorno, improvável no momento, só virá caso o Flamengo passe para a próxima fase da Libertadores.

O que esperar do Flamengo:

Na linha defensiva, o Flamengo trouxe o equatoriano Erazo. No entanto, devido às fracas atuações do defensor, a dupla de zaga deverá ser Wallace e Samir. Na lateral-direita, Léo Moura ganhou uma sombra: Léo veio do Atlético Paranaense para ser reserva na posição. Já pela esquerda, André Santos volta à posição de origem e ocupa a vaga de João Paulo, carregando a provável insegurança defensiva de sempre.

O desafio do Flamengo deveria ser a contratação de um substituto para Elias. Ao invés disso, buscou Elano. O veterano meia é muito forte nas bolas paradas e passes em geral. Não vivia boa fase no Grêmio, mas isso será esquecido facilmente se fizer bons jogos na Libertadores. Já fez gol pelo clube, mas, como o restante do time, não foi bem no clássico contra o Fluminense. É experiente e pode ajudar muito em um campeonato tão difícil.

Mas não tem a velocidade de Elias…

O Flamengo também contratou o argentino Lucas Mugni, que ficará encarregado de vestir a camisa 10. O jovem meia é talentoso. Porém, não tem experiência semelhante a de Elano.

Nem a movimentação de Elias…

Para o ataque, a contratação de Alecsandro foi contestada pela torcida. Outro veterano que pode usar a experiência em prol do time da Gávea e ajudar em partidas truncadas com seu posicionamento e faro de gol. De todos os reforços do Flamengo, quem mais pode se destacar é Everton. Pode fazer junto com Paulinho uma nova nova formação, com um meio de campo coeso e rápido, mesmo sem ter as mesmas características de Elias ou a mesma qualidade de Elano e Mugni.

O Flamengo perdeu junto com Elias a possibilidade de jogar como jogou em 2013: fechado e saindo em velocidade. Pode se reinventar com um meio campo mais talentoso, com Elano, Lucas Mugni armando e o veloz e batalhador Paulinho fazendo a aproximação pelos lados do campo. É uma opção interessante para jogos em que o Flamengo queira ter a bola e atacar com qualidade. O que não é certo é ficar com os desinteressados André Santos e Carlos Eduardo no meio campo e sem Elias.

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