Quem é Kim Källström?

Foto: Arsenal FC - Källström ficará no Arsenal por empréstimo até o meio do ano

Foto: Arsenal FC – Källström ficará no Arsenal por empréstimo até o meio do ano

No fechamento da janela de transferências de inverno, o torcedor do Arsenal nutria a esperança de que o que fora visto na janela de verão fosse repetido. Na ocasião, o clube tirou uma carta da manga e trouxe o alemão Mesut Özil para Londres. O também germânico Julian Draxler era o sonho de consumo para o período mais recente, mas os Gunners foram obrigados a se contentar com o sueco Kim Källström, meio-campista que defendia o Spartak Moscou. Não é preciso ser nenhum gênio para entender que os torcedores não ficaram contentes com a notícia.

Esse desagrado já começa pelo fato dele ser sueco. Não tem nenhuma relação com xenofobia ou algo do tipo, mas é importante ressaltar que, ao citar o futebol do país nórdico, Zlatan Ibrahimović é a única lembrança em 95% das pessoas. Indiretamente, fica a impressão de que, na Suécia, só Zlatan presta, o que não é verdade.

O próprio Källström é um dos bons jogadores que os nórdicos ofereceram para o planeta bola nos últimos anos. Com passagens consistentes e regulares por Rennes e Lyon, o sueco conta no currículo com bons números na França.

Sucesso na França

Somente no clube bretão, foram quase 90 jogos e resultados expressivos. Källström e o Rennes encerraram o Campeonato Francês na 4ª colocação na temporada 2004/2005, com 55 pontos. Este foi o melhor resultado da história do clube (resultado repetido duas temporadas depois, sendo a quarta vez que o Rennes terminou em 4º) e que valeu vaga na Copa da UEFA no ano seguinte.

Parte do bom rendimento do time e do próprio Källström é creditado ao técnico romeno László Bölöni, que fez o sueco se tornar o grande maestro bretão entre 2004 e 2006. Tamanho sucesso lhe rendeu uma transferência para o Lyon, no valor de 8 milhões de euros – na época, quarta maior venda da história do Rennes (hoje é a nona).

Foto: Ligue 1 - Com Toulalan e Juninho, Källström fez ótimas temporadas no Lyon

Foto: Ligue 1 – Com Toulalan e Juninho, Källström fez ótimas temporadas no Lyon

No Lyon, ganhou status internacional. Atuando ao lado de ídolos do clube, como Jérémy Toulalan e Juninho Pernambucano, fez enorme sucesso no meio-campo do time, sendo até mesmo peça coringa de técnicos como Claude Puel, que o aproveitou na lateral-esquerda após fracasso com o italiano Fábio Grosso.

Foram mais de 200 jogos com a camisa do Lyon em seis temporadas. Källström ainda balançou as redes 20 vezes e deu 38 assistências neste mesmo período. No currículo, colocou dois troféus do Campeonato Francês (2007 e 2008), duas Copas da França (2008 e 2012) e duas Supercopas da França (2006 e 2007), que se juntaram a outros três títulos (dois do Campeonato e um da Copa) que já havia obtido com o Djurgårdens IF, na Suécia.

Há mais de uma década na seleção sueca, ele já está na lista de 10 jogadores que mais vestiram a camisa nórdica. Foram 103 jogos, ocupando a nona colocação no ranking. Mais quatro jogos e ultrapassa Henrik Larsson nessa lista.

Utilidade

Pelo que fez em seu auge na França, Källström foi uma contratação interessante para o Arsenal compor o elenco. Não é nenhum craque, mas apresenta virtudes que podem ser úteis em determinados jogos. O sueco sempre se notabilizou por ser bom cobrador de faltas e ótimo lançador. Além disso, tem potente chute de perna esquerda.

O gerador de pontos de interrogação na cabeça dos londrinos pode não ser a qualidade técnica de Källström, mas as condições físicas atuais do atleta. Além de chegar lesionado (um mês fora), as ligas francesa e russa possuem ritmo menos intenso que a Premier League, e falamos de um jogador de 31 anos que já passou do seu auge físico. Isso pode pesar.

É inimaginável pensar que veio para ser solução de algo, até porque sempre foi um bom carregador de pianos e não um craque. Se a condição física não lhe atrapalhar, poderá ser bem utilizado por Arsène Wenger na ótima temporada dos Gunners.

Comentários

Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.