Sobre o futebol, sociedade e preconceito

  • por Leandro Lainetti
  • 6 Anos atrás

Precisamos tirar o racismo do futebol. Se você acredita que esta frase está correta, comece a pensar diferente. O racismo e preconceito estão presentes nos estádios, seja no nosso continente ou não, simplesmente por que eles estão intrínsecos na sociedade. Quem frequenta as arquibancadas são indivíduos que fazem parte desta organização falida. Sim, enquanto sociedade, não aprendemos a conviver uns com os outros. Em qualquer esfera, não importa qual, não sabemos respeitar diferenças, não sabemos respeitar o próximo.

O que aconteceu com Tinga na derrota do Cruzeiro para o Real Garcilaso não é novidade para ninguém. Não foi a primeira e tampouco será a última vez. A cada toque na bola, torcedores imitavam o som de um macaco. Uma atitude vergonhosa, tão baixa e vil como podemos esperar de pessoas desta estirpe.

Porém, o que mais assusta é a incapacidade e a morosidade em agir contra tudo isso por parte daqueles que poderiam mudar essa panorama. No mínimo, dar o chute inicial numa campanha intensa e verdadeira para a punição dos praticantes desta imbecilidade. Multas irrisórias, faixas contra o racismo, nada disso adianta. É como apagar um incêndio na floresta com cuspe. Apenas uma maquiagem para embelezar algo que, na essência, não servirá de nada.

Foto: Repdrodução - Jornal de Pernambuco faz bonita homenagem ao jogador

Foto: Reprodução – Jornal de Pernambuco faz bonita homenagem ao jogador

Sinceramente, nem falo da Conmebol. Esperar uma postura sensata e dura de quem organiza a várzea que é a Libertadores é praticamente uma utopia. Sejamos honestos com nós mesmos. FIFA, UEFA e Conmebol são farinha do mesmo saco. Uma pode ser mais organizada que a outra, resolver problema A ou B mas, com relação ao racismo, todas são pífias. Torcedores podem jogar cachos de bananas no gramado, levar macacos para as arquibancadas, que elas nada farão. Vão soltar uma nota oficial repudiando, dar uma multinha sem vergonha e vida que segue.

Por que clubes e jogadores, quem sabe a CBF, não se unem num momento como este? Por que não mostrar, de uma vez por todas, que eles são adversários, não inimigos? Por que não paralisar o jogo no ato e, quem sabe, todos saírem da competição? É necessário mostrar que nossos clubes não compactuam com essas atitudes, mas isso precisa ser feito com impacto. O próprio Tinga admitiu que trocaria todos os títulos para vencer esta luta. É claro que existem razões comerciais e financeiras para permanecer na Libertadores, e todos sabemos disso. Mas se o dinheiro vai sobrepujar o ser humano até o fim dos dias, podemos parar por aqui mesmo.

Dinheiro algum paga uma humilhação pública ou ofensas a uma etnia. Milhões de reais não valem se, em troca, um jogador precisa passar por situações constrangedoras. Nada compra a honra e o orgulho de um ser humano. Tinga, e tantos outros jogadores, técnicos, árbitros e dirigentes, negros ou brancos, poderiam ser o começo de uma reviravolta contra a ignorância de uma sociedade falida. Esqueçam taças, títulos, prêmios. A vitória que mais importa ainda estamos longe de conseguir.

Deveríamos olhar menos para as camisas que vestimos ao torcer, e colocarmos todos a mesma camisa em busca de uma sociedade igualitária, na qual a impunidade não ganhe de goleada.

Não somos brancos, negros ou índios. Somos humanos, somos iguais. Até os imbecis.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.