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Sport avançou, mas precisa ser mais criativo

ailton sport

*Conteúdo originalmente postado no Seleção do Rádio

Ontem à noite, o Sport foi derrotado pelo CSA por 1×0, mas graças à boa vantagem conquistada no jogo de ida, classificou-se para as semifinais da Copa do Nordeste. Apesar de ter atingido o objetivo de seguir adiante na competição, o time não conseguiu se haver bem em campo: foi atacado durante boa parte dos 90 minutos, apresentando um futebol muito aquém do que havia mostrado nas últimas partidas. Não tanto por conta do sistema defensivo, que acompanhou bem o ritmo frenético do adversário enquanto teve fôlego. Mas principalmente, em função da baixa produtividade de seu meio-campo, que teve atuação tímida e pouco produziu.

Desde a reta final da última Série B, a grande arma ofensivas do Leão têm sido seus laterais. No flanco direito, Patric reencontrou seu melhor futebol e vem numa sequência muito boa, sendo decisivo em momentos importantes. Já na esquerda, o jovem Renê assumiu o posto de Marcelo Cordeiro com grande autoridade, e hoje parece consolidado no time titular. Pelo meio, até dezembro havia Lucas Lima, um dos principais responsáveis pelo acesso conquistado. Mas desde o início da atual temporada, o Sport segue sem um jogador que assuma satisfatoriamente a tarefa de criar situações para os atacantes.

Nas últimas partidas, Eduardo Baptista (e antes dele, Geninho) vem escolhendo Aílton para ser seu armador. Só que mesmo com a confiança depositada, o meia tem destoado bastante do bom desempenho coletivo e não tem conseguido cumprir bem a função, comprometendo as atuações dos atacantes e sobrecarregando a defesa com as bolas desperdiçadas na frente.

"Heatmap" de Aílton na derrota contra o CSA: atuação burocrática (Fonte: Footstats).

Heatmap de Aílton na derrota contra o CSA: atuação burocrática (Fonte: Footstats).

O jogo de ontem foi apenas mais uma fraca atuação do camisa 10 rubro-negro. Numa partida em que se sabia que o time seria sufocado o tempo inteiro, era dele a responsabilidade de prender a bola quando necessário e caprichar nos passes, de modo a mandar o time à frente e desafogar o sistema defensivo. Mas Aílton não esteve em noite muito inspirada. De acordo com dados do portal Footstats, o meia errou oito dos 29 passes que tentou (aproveitamento de apenas 63,75%), mostrando pouca precisão, principalmente nos toques em profundidade. Nas bolas longas, ele tampouco impressionou: homem das bolas paradas, ele errou três cruzamentos e acertou apenas um, além de ter errado os dois lançamentos que tentou. Resumindo, fez um jogo burocrático, deixando o time refém de sua passividade e falta de criatividade.

Essa tem sido uma constante para o Sport em 2014. O time joga bem, mas cria pouco, e vem contando com a grande fase de seus laterais – e, óbvio, do artilheiro Neto Baiano – para vencer as partidas. A evolução no aspecto defensivo é nítida: a equipe mostra organização em campo, e por isso costuma recuperar a posse da bola logo não muito depois de perde-la. Mas ofensivamente, ainda deixa bastante a desejar, e a fase de Aílton tem sido determinante para esse fraco desempenho. Seja com Robert Flores ou com o recém-chegado Bruninho, é este o próximo nó que Eduardo Baptista terá que desatar para dar continuidade a esse momento de crescimento rubro-negro.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.