Clima de Seleção

Foto de Alexandre Battibugli

Foto de Alexandre Battibugli

As torcidas italianas, em diversos estádios, se levantaram para aplaudir o gol que Ronaldo marcou na tarde de 9 de dezembro de 2001 diante do Brescia. Após mais de dois anos sem balançar as redes em uma partida oficial por conta da grave lesão no joelho que quase pôs fim à sua carreira, o Fenômeno voltava a fazer o que mais sabia na vida. Daquele momento até o fim da temporada, foram mais seis gols e muitas lesões musculares, algo que colocou em dúvida seu melhor aproveitamento na Copa do Mundo de 2002.

Contudo, se havia a desconfiança de muitos, Luiz Felipe Scolari acreditava no centroavante que escolhera, preterindo um veteraníssimo Romário. No fim, como todos sabemos, Felipão estava certo e Ronaldo foi o artilheiro da campanha brasileira no pentacampeonato mundial, tendo Rivaldo, outro nome coberto de dúvidas, ao seu lado. Essa foi apenas uma das vertentes da chamada “Família Scolari”, na qual um bom ambiente e um grupo focado foram suficientes para tornar real uma conquista que parecia improvável.

Esse mesmo clima pode ser visto na atual Seleção Brasileira. Da entrega mostrada na Copa das Confederações até um vídeo simples em que os jogadores brincam com o baixo desempenho do atacante Hulk no videogame, o que se vê é um grupo de amigos. Atletas que atuam em diversas partes do mundo, enfrentam pressões e situações distintas por seus clubes, mas que servindo a Seleção sentem que, de certo modo, estão em casa. Um ambiente em que os problemas das agremiações que defendem podem ficar de fora sem que isso represente falta de profissionalismo.

O melhor exemplo é Neymar. Ainda em fase de adaptação ao futebol coletivo do Barcelona, sem gozar de privilégios táticos e sendo pivô da queda do ex-presidente do clube catalão, o atacante brasileiro mostra que isso não o afeta em nada quando veste a camisa 10 amarela. É como se houvesse um sentimento de proteção que proporciona o craque mostrar seu melhor futebol sem se preocupar se a última tentativa de drible resultou em desarme. Uma liberdade que ainda precisa ser conquistada no Barça.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.