Demissão de Paulo Fonseca era necessária, mas não basta

  • por Levy Guimarães
  • 4 Anos atrás
Foto: reprodução - Empate contra o Vitória de Guimarães, pela 21ª rodada, foi o estopim para a demissão do técnico portista

Foto: reprodução – Empate contra o Vitória de Guimarães, pela 21ª rodada, foi o estopim para a demissão do técnico portista

A demissão do jovem técnico Paulo Fonseca do comando do Porto, após mais um tropeço no Campeonato Português, foi mais que esperada e até um pouco tardia. Jogando um futebol de pouca criatividade e objetividade, o time do norte de Portugal se vê, a nove rodadas do fim do certame nacional, com 9 pontos de desvantagem para o líder Benfica e 4 para o Sporting. A isso, soma-se a falta de empatia com a torcida, a péssima campanha na fase de grupos da Liga dos Campeões e o desempenho pífio em 2014 pelo Campeonato Português, somando apenas três vitórias em sete jogos.

As exibições dentro de campo têm sido tão sofríveis quanto os resultados. Um Porto ainda previsível, dependente de seu centroavante (que tem estado longe de sua melhor fase), dos lampejos de Quaresma e das jogadas pelas laterais e com colapsos defensivos há anos não vistos no Dragão. Perdido e sem saber o que fazer para corrigir as deficiências de sua equipe, o próprio treinador, de acordo com a imprensa portuguesa, já havia colocado o cargo à disposição outras duas vezes. Na terceira, o presidente Pinto da Costa não viu outra alternativa se não a dispensa de Fonseca.

Foto: reprodução - Derrota em casa para o Estoril, pela 20ª rodada, uma das mais marcantes da era Paulo Fonseca

Foto: reprodução – Derrota em casa para o Estoril, pela 20ª rodada, uma das mais marcantes da era Paulo Fonseca

A decisão da diretoria portista é um passo importante, já que, com Paulo Fonseca, a perspectiva de melhora era quase nula, mas deve ser vista apenas como o primeiro passo. Apesar da visível incapacidade do treinador em conferir um padrão de jogo a seus comandados, é equivocado atribuir a ele toda a responsabilidade pela má campanha. Os erros começaram já antes do início da pré-temporada.

Um fator que não pode ser desprezado é a falta de reposição à altura para dois jogadores-chave que o elenco perdeu ao final da temporada passada, João Moutinho e James Rodríguez. 

Como de praxe, o Porto optou por se reforçar com jogadores de baixo custo, mas alguns deles já chegaram despertando a desconfiança da torcida e imprensa. Contratado como provável substituto de Moutinho, o mexicano Héctor Herrera desde o início se mostrou verde para atuar em um time do cacife do Porto, chegando a jogar por várias vezes no time B. Já Josué, homem de confiança de Paulo Fonseca (que o treinou no Paços de Ferreira), sentiu o peso da camisa azul e acabou sendo rapidamente alvo de críticas dos adeptos, principalmente após ter sido escalado em diversas funções pelo meio e pelas pontas (e ido mal em todas). Licá, atacante rápido e voluntarioso, mas de pouca eficiência, também se mostrou abaixo do que o Dragão precisava. Nem mesmo a grande contratação para a temporada, o promissor Quintero, vem rendendo o esperado: com altos e baixos, o meia colombiano ainda não conseguiu se firmar em Portugal, tendo corrido o risco até de ser emprestado em janeiro. Com isso, o torcedor do Porto continuou a lembrar durante todos esses meses do português e do colombiano que haviam deixado o clube.

Foto: reprodução - Uma das principais apostas de Paulo Fonseca para a temporada, Josué acabou não rendendo, sendo alvo de muitas críticas da torcida

Foto: reprodução – Uma das principais apostas de Paulo Fonseca para a temporada, Josué acabou não rendendo, sendo alvo de muitas críticas da torcida

E mesmo se os jogadores negociados tivessem sido devidamente repostos, seria pouco. Apesar de mais um título português, o Porto de 2012/2013 não deixou muitas saudades ao torcedor. Já na temporada passada, o time apresentava problemas no setor ofensivo: vencia muitos jogos sem convencer, decididos mais pelo alto poder de decisão de alguns jogadores do que propriamente pelo conjunto. Era visível que, para repetir o título nacional e alçar voos mais altos em nível europeu, era necessário melhorar – o que não parecia tão claro para os dirigentes e e o recém-assumido treinador.

A falta de um jogador diferenciado era tanta que o clube teve de recorrer a um velho ídolo, já sem a mesma forma de antes. Há de se admitir que, apesar de ter sido uma tentativa arriscada e um tanto quanto desesperada, Ricardo Quaresma tem tido boas atuações desde que retornou ao clube. Marcou alguns gols, deu assistências e vez ou outra fez jogadas que lembraram o seu auge, de 2004 a 2008. Mas já se foi o tempo em que Quaresma poderia ser visto como protagonista de um time de ponta.

Por mais que , a essa altura, o título nacional pareça quase uma utopia, a temporada ainda não pode ser dada como perdida pelo Porto. Os tripeiros ainda estão no páreo na Liga Europa, na Taça de Portugal e na Taça da Liga e ainda pensam em tomar a vice-liderança do Sporting para conseguirem uma vaga direta à UEFA Champions League. O comando técnico vai ficar a cargo de Luís Castro, que faz ótimo trabalho à frente do Porto B, líder da II Liga. Mas o que foi feito até aqui já dá margem para o clube repensar seu planejamento e voltar a ser forte em 2014/2015. Afinal, para quem acompanha o futebol da terrinha, FC Porto e crise são termos que não combinam na mesma frase.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.