Depois da tempestade…

  • por Levy Guimarães
  • 4 Anos atrás

A primeira metade da temporada do Benfica foi de desanimar qualquer torcedor. Cambaleante no Campeonato Português e eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões pelo Olympiakos, parecia ser mais uma temporada de decepções para os benfiquistas.

O ambiente no clube não era dos mais confortáveis, o técnico Jorge Jesus estava completamente desacreditado pela torcida e imprensa, e a equipe, estagnada dentro de campo, sentia notavelmente os efeitos dos títulos perdidos na temporada passada. Ainda assim, os Encarnados continuavam firmes na briga pela liderança do campeonato nacional, já que nem Sporting e muito menos Porto se mostravam tão superiores a ponto de tomarem as rédeas da competição.

Foto: reprodução - Reação dos treinadores após o fatídico gol de Kelvin, origem de todo o trauma benfiquista na temporada

Foto: reprodução – Reação dos treinadores após o fatídico gol de Kelvin, origem de todo o trauma benfiquista na temporada

Passados alguns meses, o panorama é completamente diferente. Líder disparado do Campeonato Português, com 7 pontos de frente para o Sporting e 9 para o Porto, faltando oito rodadas para o final, o Benfica voltou a apresentar um bom futebol e, portanto, a fazer as pazes com a torcida. O time voltou a praticar um futebol leve, confiante e eficiente, muito diferente do que se via no primeiro turno.

O divisor de águas foi o superclássico contra o Porto, no dia 7 de janeiro, no Estádio da Luz. Com uma atuação segura, o Benfica venceu e assumiu a liderança para, até o momento, não largá-la mais. A partir dali, o time só cresceu e foi, jogo a jogo, se mostrando superior a seus dois concorrentes ao título. A confirmação veio três rodadas depois, no derby contra o Sporting, também na Luz: mais um triunfo por 2×0, placar que ficou barato para o time verde de Lisboa. Desde então, foram só vitórias.

Foto: slbenfica.pt - Em dia de homenagens a Eusébio, a Águia alçou voo à liderança, e não dá sinais de queda

Foto: slbenfica.pt – Em dia de homenagens a Eusébio, a Águia alçou voo à liderança, e não dá sinais de queda

O momento retrata uma das principais qualidades de Jorge Jesus: a de saber lidar bem com a pressão e, em meio à turbulência, impor o seu trabalho e fazer a equipe voltar a render. Aos poucos, o dedo do treinador foi-se percebido com um Benfica menos afobado, tocando melhor a bola e, sobretudo, mostrando mais segurança na defesa. Muito mais segurança. Abandonar certas teimosias também foi essencial: hoje, o Benfica é um time que não tem vergonha de esperar o adversário no próprio campo quando necessário, mesmo que esteja jogando em casa e o oponente seja tecnicamente inferior.

Além disso, Jesus teve a humildade de reconhecer que Artur, um dos seus homens de confiança, já não mostrava a mesma segurança de outrora na baliza e o colocou na reserva, dando lugar ao promissor Jan Oblak. E desde que o esloveno assumiu, a mudança foi drástica: se com o brasileiro a defesa encarnada foi vazada 23 vezes em 24 partidas somando todas as competições (uma média relativamente alta para um gigante português), com Oblak foram 14 jogos e 1 gol sofrido. A mudança no gol se refletiu também no sistema defensivo como um todo, que desde que Oblak assumiu, tem se mostrado mais sólido, correndo menos riscos e deixando menos espaços para que o adversário penetre na área. Jogadores como Maxi Pereira e Luisão subiram de produção desde então. É notório que o goleiro de 21 anos passa mais confiança aos companheiros do que passava Artur.

Foto: reprodução - Jan Oblak, um dos grandes responsáveis pela melhora no sistema defensivo encarnado

Foto: reprodução – Jan Oblak, um dos grandes responsáveis pela melhora no sistema defensivo encarnado

Há de se destacar, ainda, o ótimo momento vivido pelo trio Enzo Pérez – Gaitán – Markovic no meio-de-campo. Desde o ano passado um dos jogadores mais regulares da equipe, Enzo tem sido responsável por dar dinamismo ao setor ofensivo, movimentando-se por todas as faixas do meio e aparecendo para finalizar. Já Gaitán e Markovic dão um toque diferenciado às jogadas. A quantidade de belos gols e lances produzidos por eles, aliás, tem chamado a atenção recentemente. Apesar de não serem tão regulares, a qualquer momento pode sair de seus pés um golaço ou uma jogada que arranque suspiros da torcida.

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Soberano no Campeonato Português, o maior adversário do Benfica, a essa altura, parece ser ele mesmo – como foi na temporada passada, quando se complicou na reta final e perdeu o título de forma trágica para o Porto. Além disso, tem outras três frentes para brigar: o time está nas oitavas-de-final da Liga Europa (enfrenta o Tottenham) e nas semifinais da Taça de Portugal e da Taça da Liga (em ambas terá pela frente o Porto). Ao mesmo tempo em que vai enterrando os fantasmas da época passada, o clube sonha, mais uma vez, em ter um fim de temporada glorioso, repleto de títulos. Mas uma coisa está bem clara: o foco é ser campeão nacional, e nisso é difícil acreditar em final triste para o adepto encarnado.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.