Histórias das Copas #10 – O gol de pé descalço e o maior carrasco

Em 1938, o Brasil estreou na Copa do Mundo contra a Polônia, time médio na época. O jogo acabou protagonizando lances pitorescos e um recorde até hoje nunca quebrado.

Brasileiros e poloneses entram em campo (Foto: Reprodução).

Brasileiros e poloneses entram em campo (Foto: Reprodução).

O primeiro tempo acabou em 3×1 para o Brasil, nada além do esperado, já que a seleção brasileira pela primeira vez poderia contar com todos seus principais  jogadores, sem brigas internas interferindo em sua convocação.

Quando desaba uma grande chuva e o campo se torna lamacento, eis que surge Ernst Wilimowski. Ezi, como era conhecido, fez três gols no segundo tempo, levando a partida para a prorrogação em 4×4. Na prorrogação, faria ainda o quinto gol polonês, sendo até hoje o único jogador a marcar quatro gols na seleção brasileira em uma única partida profissional, seja de competição ou amistosa.

Nascido na Polônia e filho de pais alemães com o nome de Ernst Pradella, Wilimowski atuou ainda na seleção alemã e foi considerado traidor pelos poloneses após a Guerra. Em 1974, foi inclusive proibido pela Federação Polonesa de visitar a concentração da equipe na Copa da Alemanha.

Algumas curiosidades adicionais podem ser atribuídas ao jogador:

– É o primeiro jogador a marcar 4 vezes em uma mesma partida de Copa;

– É o único jogador a marcar 4 vezes e perder uma partida de Copa;

– Tem a maior média de gols em Copas: 4,0 por jogo;

– É o único jogador a marcar gols a favor e contra a seleção alemã.

Wilimowski possui uma série de recordes "esquecidos" (Foto: Reprodução).

Wilimowski possui uma série de recordes “esquecidos” (Foto: Reprodução).

Quando a fantástica partida estava em 4×4, Leônidas da Silva fez um gol que entrou para a história, de pé descalço. Algumas referências falam que o gol teria surgido a partir de uma reposição mal feita do goleiro polonês, mas em entrevista à TV Cultura, em março de 1974, o próprio jogador comenta o fato.

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Segundo Leônidas, ao chutar uma bola, ele notou que a chuteira havia descolado a sola e pediu para que o banco providenciasse outra. Porém, por calçar o número 36, foi difícil e conseguiram arranjar apenas uma chuteira de número 38. Durante o tempo em que se procurava uma chuteira substituta, o rebote de uma cobrança de falta brasileira caiu em seus pés. Ele não titubeou e chutou para o gol, que deveria ter sido anulado por Ivan Eklind.

Ao longo do tempo sempre se disse que o árbitro poderia ter se confundido por haver muita lama e poças no campo, a ponto de alguns jogadores estarem com barro até a canela. Mais uma lendas das Copas: na verdade, existem vídeos do jogo (infelizmente o lance do gol não permite ver se o brasileiro estava calçado) que mostram que não havia poças nem lama no gramado, ou, pelo menos, não a ponto de validar a lenda do barro até as pernas.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.