Histórias das Copas #11 – “Vencer ou morrer”

Mais uma vez, a Itália tinha a propaganda fascista como um dos grandes objetivos no Mundial de 1938. No jogo da segunda rodada contra a França, por exemplo, como os italianos não poderiam utilizar a cor azul, que seria usada pelos donos de casa, atuaram meias, calções e camisas negras, em referência ao seu regime político, abrindo mão do tradicional segundo uniforme branco.

Italianos fazem a saudação nazista durante a Copa (Foto: Reprodução).

Italianos fazem a saudação fascista durante a Copa (Foto: Reprodução).

Antes da final contra a Hungria, Mussolini enviou um telegrama para seus jogadores, com uma simples frase, que pode ser traduzida como “Vencer ou morrer”. Por essa frase, muitos entendem que os jogadores morreriam se não vencessem aquela Copa, o que não aparenta ser verdade.

Ora, a seleção italiana até tinha a obrigação de vencer a Copa quatro anos antes, e assim o fez. Naquela Copa de 1934 sim, o futuro dos jogadores poderia ser sombrio caso não conquistassem a taça. Após mais um título olímpico (1936) e uma final de Copa, não era de se esperar que uma eventual derrota os levasse à morte, até porque não se tem registro de fato semelhante acontecer com equipes ou atletas italianos que fracassaram em competições durante o regime do Duce.

Na verdade, a frase pode ser interpretada como um tipo de incentivo aos jogadores, forçando-os a dar o seu melhor. O goleiro húngaro Antal Szabo aparentemente encarou-a no sentido literal, já que após a Copa  declarou que, embora tivesse levado 4 gols, acabou salvando 11 vidas.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.