O Atlético de Diego Costa, Koke e Arda Turan

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás
Diego Costa: símbolo de um Atlético de Madrid aplicado, guerreiro, competitivo e histórico (Foto: Getty Images)

Diego Costa: símbolo de um Atlético de Madrid aplicado, guerreiro, competitivo e histórico (Foto: Getty Images)

A sete rodadas do fim, o Atlético de Madrid deu uma de suas maiores demonstrações de força rumo ao título espanhol. Tratado como “a primeira das finais” que fará nesta reta final, o time de Simeone bateu o Athletic Bilbao no San Mamés de virada por 2×1, chegou aos 76 pontos e manteve a vantagem ante Barcelona e Real Madrid, que também triunfaram na rodada.

A partir de agora, cada jogo será decisivo para os colchoneros. Além do Barcelona nas quartas de finais da Liga dos Campeões, a tabela na Liga Espanhola reserva o Villarreal, no Vicente Calderón, e Valencia, Levante e o próprio Barcelona fora de casa. Pelo andar da carruagem, o duelo contra os blaugranas na última rodada será tratado como a final do campeonato.

Com sobrevida em duas competições e a possibilidade de quebrar a hegemonia de Barcelona e Real Madrid no cenário nacional, o atual momento nos remete à 1995/1996, ano do último título espanhol dos rojiblancos de Madrid. À época, em um campeonato disputado em 42 rodadas, a equipe treinada pelo sérvio Radomir Antic obteve 69% de aproveitamento. No final da temporada, o Atléti ainda levou a Copa do Rei ao vencer o Barcelona de Carles Rexach na prorrogação por 1×0. A histórica temporada do doblete é um passado distante que começa a aparecer na cabeça dos aficionados de Manzanares em pequenos flashbacks. Atualmente, o time de Simeone tem incríveis 81% de aproveitamento no campeonato nacional e leva vantagem no confronto direto contra o Real Madrid.

No final de semana, o meio-campo colchonero precisou de meia hora para adentrar ao jogo. Enquanto o Bilbao marcava em cima e abusava da velocidade pelas pontas, um nome se destacou por reanimar o Atlético no jogo: Koke. O jovem espanhol, tratado como um dos substitutos de Xavi na seleção espanhola desde os tempos de divisão de base, faz sua temporada de afirmação. Com uma excelente visão de jogo, passe qualificado e uma boa finalização de fora da área, Koke vive grande momento. Presença na última convocação de Vicente Del Bosque, é provável que ele seja um dos 23 nomes que virão ao Brasil defender o título da Fúria.

Se Koke foi o responsável por acalmar o ímpeto bilbaíno, colocar a bola no chão e iniciar as jogadas de ataque, Diego Costa se destacou no setor ofensivo. Como de praxe na atual temporada e especialmente nos momentos decisivos, o hispano-brasileiro esteve irrepreensível. Melhor em campo, ele anotou o gol de empate e teve mais duas boas oportunidades de marcar sobre Iraizoz, que faz uma de suas melhores temporadas. No primeiro tempo, a saída para vencer a linha de marcação ofensiva do Athletic Bilbao foi a ligação direta a partir de Miranda, que Diego Costa aproveitou categoricamente.

Aplicado sem a bola e oportunista com ela, o sergipano é o jogador que melhor representa o estilo do Atlético de Madrid de Simeone. A velocidade de raciocínio, a intensidade e o estilo provocador que se assemelha ao do treinador argentino na época de jogador transformam Diego Costa em um dos principais jogadores da temporada europeia. Na temporada, são 42 jogos e 33 gols. Koke e Diego Costa não estão sós. Quando o Atlético tem a posse de bola, Arda Turan vira o maestro da companhia. Dribla muito bem e trata a bola com cuidado, seja nos lançamentos ou nos passes perfeitos na entrada da área.

A disciplina tática dos jogadores permitem ao Atléti readaptar seu sistema de jogo a determinadas situações. Camaleônico, o estilo direto e aberto na Liga dá lugar a um mais conservador, com linhas retraídas e velocidade nos contragolpes da Liga dos Campeões. É dessa forma que os rojiblancos irão ao Camp Nou tentar desbancar o Barcelona na Europa. As presenças de Diego Costa, Koke e Arda Turan têm sido essenciais para o assédio do time da capital ao título espanhol. Será ou não suficiente? São cenas dos próximos capítulos. Mas que o elenco comandado por Diego Simeone é sinônimo do trabalho de equipe e da coletividade, isso não há dúvidas.

Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.