Qual é o espírito, afinal?

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

ESPÍRITO LIBERTADORES

O vocabulário brasileiro na Libertadores é sempre o mesmo. Fala-se em guerra, arbitragem caseira para os times dos outros países, várzea, catimba, altitude e uma porção de clichês que ouvimos ano após ano. O famoso ESPÍRITO da Libertadores é sempre evocado por imprensa, torcedores, jogadores. Mas, afinal, quem é essa entidade futebolística que tanto conclamamos?

Em 1981, em sua primeira participação na competição continental, o Flamengo apanhou, bateu, teve jogos duros, outros nem tanto, foi eficiente e, nos duelos mortais contra o Cobreloa, encarou o que veio pela frente, pelos lados, por todas as direções, geralmente em forma de pedradas, como bem sabem o supercílio de Adílio, a orelha de Lico e o olho de Tita. Mas, além de tudo isso, jogou futebol.

Foto: Mexsport - Vontade ou violência? Contra o León, Amaral foi expulso logo no início do jogo

Foto: Mexsport – Vontade ou violência? Contra o León, Amaral foi expulso logo no início do jogo

Dando um pulo na Sul Americana 2013, reverberemos as palavras de Roberto, goleiro da Ponte Preta: “Se eles cuspirem na nossa cara, pegar o cuspe e comer, isso para fazer eles vomitarem de nojo”. Se para o arqueiro da Macaca esse era o espírito da segunda competição mais importante do nosso continente, imaginem o que este rapaz fará em uma Libertadores. Mas, sejamos justos: antes de qualquer coisa, a Ponte se preocupou com a bola rolando.

Voltemos. Corinthians em 2012, Atlético Mineiro em 2013. Dois clubes brasileiros campeões em sequência, praticamente com o mesmo futebol apresentado. Eficiente, seguro, garantindo os resultados em casa, um traçado bem linear. Sem violência, sem pedradas, sem entrar na tão falada guerra. Lembremos apenas de Emerson Sheik, um dos poucos malandros deste mundo da bola atual, que devolveu provocações com ironias e mordidas discretas em dedos alheios. Acima de tudo, ambos os times se preocuparam em jogar futebol.

Foto: EFE - Após escorregão e pênalti cometido por Samir, jogadores do Bolívar comemorar o gol que garantiu a vitória

Foto: EFE – Após escorregão e pênalti cometido por Samir, jogadores do Bolívar comemorar o gol que garantiu a vitória

E então vemos o Flamengo em 2014, ou 2008, ou 2010, ou 2007, ou… não importa. Vemos o Flamengo tropeçando nos mesmos erros de sempre. Expulsões infantis, jogos tensos e traumáticos dentro de casa, enfrentando equipes inferiores e passando dificuldades, e cometendo toda a sorte de erros infantis, participação após participação, seja na fase de grupos ou no mata-mata.

Se o tal ESPÍRITO da Libertadores anda rondando por aí procurando aumentar sua fama, ele passa bem longe da Gávea. Talvez porque, muito antes de possuir o manto sagrado e quem o estiver vestindo, ele gosta de sentir um algo mais vindo do seu alvo: o espírito de vitória.

Mas na Libertadores, o Flamengo ainda não aprendeu a receber esse santo.

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.