A temporada de afirmação de Koke Resurrección

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás
Foto: Zimbio | Para Xavi, Koke será destaque da seleção espanhola depois da Copa de 2014

Foto: Zimbio | Para muitos, Koke Resurrección é o sucessor de Xavi

Em 1959, Adelardo Rodríguez chegou ao Atlético de Madrid para fazer história. Contratado pelo clube colchonero após chamar a atenção durante a disputa de um torneio na cidade espanhola de Badajoz, o espanhol foi um pedido exclusivo do histórico treinador eslováco Ferdinand Daucik, tri-campeão espanhol (duas vezes por Barcelona e uma vez por Athletic Bilbao). Ganhador de três Ligas Espanholas, cinco Copas do Rei, uma Copa Intercontinental e uma Recopa da Europa, Aderlado é considerado por muitos o maior ídolo da história do Atlético de Madrid.

Ele permaneceu no Atléti durante 17 temporadas, durante as quais vestiu o uniforme rojiblanco 511 vezes. Até hoje, o jogador que mais entrou em campo representando o time do Vicente Calderón na história do clube. O meio-campista espanhol era daqueles caras que transformavam o cenário de um jogo, condicionava o resultado de uma partida. A intenção do post não é fazer uma comparação entre Adelardo e Jorge Resurrección, mais conhecido como Koke. Mas o jovem espanhol, xodó da torcida colchonera, começa a construir sua história pelo clube de Manzanarez.

Aos 22 anos, Koke não precisa mais provar que deixou o rótulo de promessa de lado. Se faltava uma temporada mais consistente ao talentoso meio-campista espanhol, agora não lhe resta mais: peça-chave do time de Simeone, ele é um dos principais jogadores da Liga Espanhola em 2013-2014. A recompensa pode ser uma vaga ao elenco da Espanha que virá ao Brasil disputar a Copa do Mundo. Convocado por Del Bosque para o duelo contra a Itália, em março, Koke é cotado para vestir a camisa da Fúria pela primeira vez numa competição oficial.

O meio-campista do futuro, de acordo com Xavi, é o símbolo do futebol moderno. Talentoso, com porte físico e capaz de jogar em até três faixas do meio-campo, Koke é uma espécie de todo-campista. O hoje (na teoria) ponta direita do 4-4-2 de Simeone é segundo volante de origem, função executada na Espanha Sub-21 e com o próprio Simeone em 2011-2012. Na temporada passada, Koke não deixou a desejar jogando praticamente como um camisa 10, no auxílio a Falcao García.

Foto: Getty Images Europa | Desde o pós-Copa das Confederações, Koke é presença nas convocações de Del Bosque

Foto: Getty Images Europa | Desde o pós-Copa das Confederações, Koke é presença nas convocações de Del Bosque

O gol marcado contra o Barcelona na Liga dos Campeões é um prêmio de consagração ao mais polivalente jogador do elenco. Koke é um meia que completa Arda Turan, é combativo quando precisa e mais hábil que Gabi para puxar contra-ataques. Isso explica o motivo de Diego, desde seu retorno, não ter conseguido ganhar uma vaga como titular. Pelo contrário.

Se o pensamento era de que Simeone iria relegá-lo ao banco sob o argumento de que ele precisava de descanso (Koke é o jogador que mais entrou em campo – no momento, 49 partidas disputadas), o treinador ratificou sua confiança no jovem mesmo após a fraca exibição no dérbi de Madrid pela Copa do Rei, quando Modric passeou em seu setor na vitória merengue por 3×0.

Formado no clube pelo qual é apaixonado, Koke demonstrou estar muito satisfeito em Madrid, onde quer permanecer pelos próximos anos. Mesmo com o suposto assédio de Bayern de Munich, Manchester United e Barcelona, ele renovou contrato até 2018 em agosto do ano passado e é essencial na mudança de patamar que o Atlético de Madrid gradativamente vai alcançando.

A versatilidade de Koke pode beneficiar a seleção espanhola. Se tiver em apuros, Del Bosque pode optar por uma variação de jogo a partir de suas características. Na atual temporada, o madrilenho tem atuado aberto pela direita, mas cumpre um papel semelhante ao de Iniesta na Eurocopa de 2008. Revezando com Arda Turan, ganha liberdade para se deslocar para o centro e armar jogadas para Villa e Raúl García. São 16 assistências na temporada, 13 na Liga Espanhola, onde é o líder no quesito. Fã de Juninho Paulista, a quem considera seu idolo no futebol, Koke praticamente ganhou a permissão de Xavi para ser seu sucessor na Roja.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.