Após goleada em clássico, Pelusso deixa o comando técnico do Nacional

  • por Gustavo Ribeiro
  • 6 Anos atrás
Foto: teledoce - Gerardo Pelusso

Foto: teledoce – Gerardo Pelusso

Depois da derrota acachapante no clássico contra o Peñarol (5×0) e a eliminação precoce na Copa Libertadores, Gerardo Pelusso não resistiu no comando técnico do Nacional e, nesta segunda-feira, 29, a diretoria tricolor anunciou sua demissão. Enquanto a direção não divulga um nome definitivo, Álvaro Gutiérrez, técnico das categorias de base, assume interinamente.

A demissão de Pelusso já era esperada. A eliminação na fase de Grupos da Libertadores e a fraca campanha no Clausura, com 18 pontos conquistados em 12 jogos, já indicavam sua saída após o fim da temporada, e o clássico apenas antecipou o que parecia inevitável.

Pelusso assumiu o comando técnico do Nacional no fim de 2013. O time, até então comandado por Rodolfo Arruabarrena, vinha de uma terceira colocação no Apertura, tendo perdido o título para o Danubio na última rodada. A diretoria achou que não era o suficiente e, mesmo com a vaga para a Libertadores assegurada, demitiu Arruabarrena e contratou Pelusso.

Um dos principais motivos da escolha de Gerardo Pelusso para o comando técnico foi seu histórico no clube. Pelusso comandou o time entre 2007 e 2009, conquistando o Apertura 2009, o Campeonato Uruguaio 2008/2009 e levou o Nacional até às semifinais da Copa Libertadores em 2009. Nessa primeira passagem, foram 63 jogos, 38 vitórias, 13 empates e 12 derrotas, totalizando um aproveitamento de 67,2%.

Não contente com o elenco que recebeu, Pelusso pediu reforços e a diretoria atendeu. Foram sete contratações, das quais podemos destacar o zagueiro Sebastián Coates, o goleiro Gustavo Munúa e o meia Rinaldo Cruzado. Mas sua principal mudança foi na armação tática do time.

Se na temporada anterior o time atuava com três zagueiros e tinha no experiente meia Ignacio González o responsável pela criação, com a chegada de Pelusso isso mudou. O então novo técnico Implantou o esquema “da moda”, 4-2-3-1. Neste novo arranjo, a defesa passou a jogar em linha de quatro e perdeu a consistência da temporada anterior: no Clausura já foram 16 gols sofridos em 12 jogos, enquanto na Libertadores foram 13 em seis jogos.

O ataque foi outro setor prejudicado com a chegada do técnico. No Clausura, o time tem o quinto pior ataque, com 16 gols marcados, enquanto no Apertura o ataque tricolor foi o segundo mais eficiente com 29 gols marcados, um a menos que o River Plate, o melhor neste quesito.

A eliminação na fase de Grupos da Libertadores é até aceitável se olharmos o nível dos adversários, mas a campanha vexatória fez o clube igualar sua performance em 1976, quando também terminou a fase de grupos da Libertadores sem nenhuma vitória. No Grupo 6 junto com Grêmio, Newell’s Old Boys e Atlético Nacional, os tricolores somaram apenas um ponto em seis jogos e foram o pior time da fase de grupos.

Um ponto positivo (sim, conseguimos achar algum) do trabalho de Pelusso foi o aproveitamento de jogadores das categorias de base, como os meias Gastón Pereiro (18 anos), Nicolás Prieto, (21 anos), Hugo Dorrego (20 anos), o atacante Juan Cruz Mascia (20 anos), além da efetivação definitiva do meia-atacante De Pena, de 22 anos. Com isso, jogadores experientes, como o atacante Alonso e o meia Ignacio González, foram perdendo espaço e terminam a temporada no banco de reservas.

Em 22 jogos neste segundo ciclo no Nacional, Gerardo Pelusso conseguiu 9 vitórias, saiu derrotado 12 vezes e conquistou um empate. Foram 24 gols marcados e 32 sofridos.

Este já é o segundo fracasso seguido do técnico, que antes de retornar ao Nacional fez um péssimo trabalho na seleção paraguaia. Em 2012, após uma ótima passagem pelo Olimpia, pelo qual conquistou o Clausura em 2011, Pelusso aceitou o desafio de levar a seleção albirroja a uma Copa do Mundo após 16 anos. Mas, com uma campanha pífia, deixou a seleção na última posição e foi demitido antes do fim das Eliminatórias.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.