Há males que vem para o bem?

Imagem: EFE

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Não restam dúvidas de que o Barcelona enfrenta sua maior crise desde os tempos de Frank Rijkaard. Mesmo com chances de conquistar o campeonato espanhol, a equipe catalã está mergulhada num mar de desconfiança do qual nem mesmo Lionel Messi conseguiu escapar. Logicamente, com o recém-chegado Neymar não seria diferente. Criticado por algumas atuações e, sobretudo, pela avalanche que sua contratação gerou no clube, Neymar se juntou ao companheiro de ataque no olho do furacão que assola aquele que um dia foi melhor time do mundo.

Nesse cenário, a lesão no pé esquerdo sofrida pelo camisa 11 do Barça no clássico diante do Real Madrid pela Copa do Rei não poderia ter acontecido em momento mais oportuno. Pelo menos no que diz respeito à Seleção Brasileira. As quatro semanas previstas para recuperação devem coincidir com o término de La Liga e o início da preparação para a Copa do Mundo. Isso significa que, além do descanso, Neymar não sofrerá riscos de uma lesão mais séria às portas da competição mais importante de sua carreira.

Embora não tenha dito, é provável que Luiz Felipe Scolari tenha gostado de saber que seu principal jogador será preservado até o Mundial. Não só no aspecto físico como também psicológico: “Mesmo jogando numa posição diferente, ele está muito acima de outros jogadores do Barcelona, mas a imprensa [espanhola] fecha os olhos para os outros”, disparou o técnico durante um evento organizado por patrocinadores. Um discurso claramente lançado com o objetivo de blindar ainda mais a joia da coroa. Numa só declaração há a opinião sobre o que julga ser um posicionamento equivocado do atacante e sobre uma suposta cobrança maior sobre o brasileiro.

Fora de combate, Neymar está mais distante das lentes e da crise que sufoca o Barcelona. Poderá se apresentar ao seu comandante com a cabeça mais leve e o corpo mais descansado. Não se imagina uma Seleção Brasileira campeã do mundo sem seu maior craque decidindo jogos onde a técnica e a consistência tática não são suficientes. Uma das razões para o hexacampeonato ser possível é o fato de Neymar vestir a camisa amarela. Essa é outra constatação que Felipão nunca transformou em palavras, mas não há dúvida de que está plenamente ciente dessa dependência.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.