Héctor Tapia e os méritos na conquista da trigésima estrela

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: prensafutbol - Tapia com o troféu do Clausura

Foto: prensafutbol – Tapia com o troféu do Clausura

Neste domingo, 13, ao vencer o Santiago Wanderers por 1×0 no Monumental lotado, o Colo Colo voltou a conquistar o campeonato nacional após quase cinco anos. A trigésima estrela veio de maneira incontestável, com o melhor ataque (38 gols marcados) e o artilheiro da competição (Esteban Paredes, 11 gols). Além do título com duas rodadas de antecedência, os Albos já se garantiram na Libertadores de 2015, competição que não disputam desde 2011.

O sucesso da Esquadra Alba passa muito pelas mão do técnico Héctor Tapia, que soube unir a experiência de jogadores que não vinham em seus melhores momentos com o aproveitamento de jovens da base do clube. Vale lembrar que Tapia era técnico da categoria de base do Colo Colo antes de ascender ao time principal no final de 2013, após renúncia de Gustavo Benítez.

Quando assumiu como treinador, Tapia tinha nas mãos uma equipe sem chances de brigar pelo título e a missão de conseguir uma vaga na Libertadores, que não pôde cumprir. Apesar disso, conseguiu fazer o time jogar futebol em um bom nível, terminando o Apertura com quatro vitórias, duas derrotas e um empate nos últimos setes jogos. Graças à boa reta final, a diretoria resolveu efetivá-lo no comando técnico e renovou seu contrato por mais 18 messes.

O fato de ter defendido o clube em seus tempos de jogador ajudou Tapia a conquistar a confiança da torcida. Revelado nas categorias de base do próprio clube, estreou pelo time profissional em 1994, com apenas 16 anos, em jogo da Copa Chile, contra o Huachipato. Pelo clube, foram 199 jogos disputados, 88 gols marcados e cinco troféus conquistados: Copa Chile 1994 e 1996, Torneo Nacional 1996, Torneo Clausura 1997 e Torneo Nacional 1998. Como jogador, Tapia também defendeu as cores da Universidad Católica, Perugia, da Itália, Lille, da França, Cruzeiro, FC Thun, da Suíça, e Palestino.

Para a disputa do Clausura, o time não realizou grandes mudanças como muitos esperavam. Apenas cinco jogadores deixaram o clube: Nicolás Canales, Nicolás Crovetto, Damián Malrechauffe, Mirko Opazo e Ignacio Caroca. Todos quase não vinham sendo utilizados.

Para contratar, o time não agiu como em temporadas anteriores, quando saiu adquirindo reforços sem pensar. Chegaram apenas três novos nomes para a disputa do Clausura: o zagueiro Julio Barroso, campeão na temporada passada com o O’higgins e eleito o melhor de sua posição; o volante Jaime Valdés, que passou anos no futebol europeu e chegou a pedido do técnico; e o atacante Esteban Paredes, principal reforço e artilheiro do time na conquista com 11 gols em 11 jogos.

De todo o elenco atual, Paredes é o único que estava na conquista do Clausura 2009, o último título do clube desde então. Quando acrescentado ao elenco, pediu a camisa 30, já avisando qual era o objetivo da sua volta.

Outro ponto importante na conquista do título, foi as atuações do meia Emiliano Vecchio. Contratado no semestre passado depois de uma ótima passagem pela Unión Española, Vecchio não vinha conseguindo entrar na forma física ideal a apresentar o futebol que todos esperavam com o técnico Gustavo Benítez. Mas assim que Tapia chegou, conseguiu fazer o meia entender suas ideias e se encaixar perfeitamente em seu esquema. No 4-3-3, Vecchio atua como meia de criação, à frente dos dois volantes, com total liberdade para encostar no trio de ataque.

Foto: Lacuarta - Vecchio e Paredes, dois dos pilares do Colo Colo no campeonato

Foto: Lacuarta – Vecchio e Paredes, dois dos pilares do Colo Colo no campeonato

Mesmo com alguns reforços, Tapia manteve seu projeto de utilizar as categorias de base que ele conhece tão bem. Dos pilares do time, podemos destacar o lateral esquerdo Luis Pavez, de 18 anos, que virou titular incontestável na posição, e o volante Esteban Pavez, de 23 anos, que com ótimo poder de marcação e muita qualidade no passe virou peça fundamental na equipe. Além dos dois, podemos destacar também o atacante Delgado, que começou a campanha do título como titular, mas perdeu a posição com a chegada do experiente Esteban Paredes. Durante o campeonato, Tapia também fez estrear o zagueiro Dilan Zúñiga, o lateral direito Camilo Rodríguez e Nicolás Orellana, e o meia Bryan Carvallo.

Outro ponto que obteve claramente o dedo do técnico Héctor Tapia foi a mudança de função e posição de alguns jogadores. É o caso de Gonzalo Fierro, que chegou ao clube como meia e não vinha conseguindo render o esperado e, graças à visão diferenciada de Tapia, passou a atuar na lateral. Como lateral direito, Fierro foi um dos destaques do time na parte ofensiva, com assistências e gols. Fuenzalida foi outro que teve sua função alterada. Antes volante, com a chegada do novo técnico ganhou a titularidade no ataque.

Ao longo dos últimos anos, a diretoria do Colo Colo mostrou ter pouca paciência com treinadores. Desde a conquista do Clausura em 2009, vários técnicos passaram pelo Monumental, mas nenhum conseguiu o objetivo máximo: conquistar a trigésima estrela. Durante esses quase cinco anos, estiveram no comando do time Diego Cagna, Luis Pérez, Américo Gallego, Ivo Basay, Omar Labruna, Hugo González e Gustavo Benítez.

Com a conquista do Clausura, Héctor Tapia, de 36 anos, tornou-se o segundo técnico mais jovem a ser campeão nacional na história, sendo superado apenas por Pedro Gracía, que em 1981 foi campeão pelo próprio Colo Colo com apenas 35 anos. Tapia também entrou para a seleta lista de atletas que alcançaram o título de campeões nacionais como jogadores e técnicos, juntando-se a Arturo Torres, Enrique Sorrel, Francisco Hormazábal, Pedro García, Jaime Pizarro, Marcelo Birticciotto.

Muitos podem dizer que a ascensão de um técnico da base para a equipe profissional é garantia de sucesso, mas não é bem assim. Universidad de Chile e Universidad Católica, os maiores rivais do Colo Colo, também contam com técnicos oriundos das canteras, e tiveram resultados muito menos animadores. Héctor Tapia mostrou ter competência e talento, por isso sua passagem pelo Colo Colo tem dado certo

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.