Napoli: esperávamos mais

  • por Raniery Medeiros
  • 7 Anos atrás

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Time querido por boa parte das pessoas que não torcem por ele, o Napoli chegou para a temporada 2013/2014 repleto de boas expectativas. É fato que a saída do goleador Edinson Cavani deixou a torcida desconfiada. No entanto, boas peças de reposição foram contratadas, e o time parecia ter tudo para vingar. O vice-campeonato do Calcio em 2012/2013 fortaleceu as pretensões dos napolitanos. No entanto, os comandados de Benítez caíram bastante de rendimento no decorrer do ano.

Walter Mazzarri, treinador que recolou o clube no cenário mundial do futebol, foi substituído por Rafa Benítez. O treinador espanhol, como é de conhecimento de todos, gosta de trabalhar com compatriotas. Se Cavani foi embora, Gonzalo Higuain chegou para suprir a falta que o uruguaio faria ao elenco. Callejón, bom jogador que veio do Real Madrid, chegou para tomar conta dos flancos. Questionado por muitos, Albiol, queridinho do treinador, veio para manter o padrão de qualidade da boa defesa do ano anterior. Reina teve a incumbência de substituir Morgan De Sanctis. Ou seja, no papel, tudo muito positivo.

Foto: Site do Napoli

Foto: Site do Napoli

Mesmo com todos os reforços adquiridos, o Napoli oscilou mais do que deveria e, dessa forma, perdeu a oportunidade de voltar a brigar por títulos. Mas qual a razão para isso? Antes de tudo, é preciso deixar bem claro que não estamos abordando um total declínio. Não é isso. Os Azzurri ganharam o status de time com uma defesa segura, ataque letal e futebol envolvente. Mas essa alegria parece ter sido perdida no meio do caminho. Benítez perdeu a mão e passou a não ter um time-base.

CHAMPIONS LEAGUE – eliminação dolorosa

Caiu no grupo que contava com Borussia Dortmund, Arsenal e Marseille. O nível de exigência seria enorme, mas o elenco parecia confiante e sabedor das reais chances de classificação. A campanha foi digna de um clube com a tradição do Napoli. Futebol bem jogado, variações táticas e aplicação. No entanto, mesmo tendo feito 12 pontos, foi eliminado. Um duro golpe para quem sonhava com fases mais agudas. Na última rodada, contra o Arsenal, partida vibrante e com determinação. A vitória por 2×0 não foi suficiente para obter a vaga. O time foi eliminado no saldo de gols. Tudo teria mudado se mais um gol tivesse sido feito. Não há como determinar o tamanho do estrago que essa eliminação causou, mas a confiança foi abalada.

Foto: AFP - Higuain chora após a  eliminação

Foto: AFP – Higuain não conteve as lágrimas

Liga Europa – faltou paixão

Com o 3º lugar no grupo F, foi disputar a Liga Europa. Na fase 1/16 de final, contra o Swansea, percebia-se claramente a preguiça do Napoli. Mesmo com o 3×1 no jogo da volta, se salvou nos minutos finais. Nas oitavas, diante do Porto, faltou concentração. A defesa, que há um ano era motivo de orgulho e segurança, bateu cabeça em várias situações da partida. Eliminação precoce para um time que poderia ter ido além.

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Calcio – oscilando em demasia

Mesmo com Juventus e Roma em alto nível, o Napoli deixou a desejar. Pelo investimento feito, qualidade no elenco e expectativa gerada, esperávamos mais. O ponto de equilíbrio do time de Mazzarri era a defesa. Foi dessa forma que voltou a figurar entre os primeiros colocados, mas sem esquecer de atacar com qualidade. Mas o time do treinador espanhol parece não apresentar essa qualidade defensiva, e vem sofrendo muito contra equipes de menor escalão. Mesmo tendo vencido Roma e Juventus, tropeçou várias vezes em casa nos chamados jogos ganhos. Isso afastou e muito o objetivo de brigar pelo Scudetto. Pode ser que a crítica seja um pouco exagerada, mas é fato que algo a mais poderia ter sido feito. A distância para a líder Juventus já está na casa dos 20 pontos. Logo, a briga seria pelo vice. No entanto, a Roma também desgarrou, e já colocou 12 pontos de frente. A campanha do time da capital é sensacional, mas convenhamos que as derrotas em casa para Parma e Fiorentina não estavam nos planos. Empatar com Sassuolo, Genoa e Chievo também distanciou o time da ponta da tabela. Claro que o “se” não entra em campo. Porém, ao analisarmos friamente as partidas da equipe, dá para cobrar resultados melhores. Ajustes na defesa precisam ser feitos para a temporada 2014/2015.

Copa Itália – salvação da temporada

Campeão em 2012, o Napoli voltará a brigar pelo título da Copa. Para isso, terá que vencer a encardida Fiorentina. Ser campeão poderá salvar o ano que começou cheio de esperanças, mas esvaiu após o trauma na Champions e a irregularidade no Calcio.

Foto: Reuters - Campeão em 2012, a equipe quer erguer, mais uma vez, a taça

Foto: Reuters – Campeão em 2012, a equipe quer erguer, mais uma vez, a taça

Forza, Napoli!

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