Nasceu pra jogar no Porto?

  • por Tiago Lima Domingos
  • 7 Anos atrás

quaresma

Criado na categoria de base do Sporting, a melhor de Portugal (revelou “apenas” Figo e Cristiano Ronaldo), Ricardo Quaresma é mais um daqueles jogadores que nunca alcançou o nível de excelência que seu talento prometia. Casos semelhantes não faltam no futebol, sendo Robinho o melhor exemplo brasileiro recente.

Quaresma se destacou desde muito cedo no Sporting e logo foi alvo da cobiça de grandes europeus. Em 2004, chegou ao Barcelona junto a Ronaldinho Gaúcho para formar uma dupla que parecia fantástica pelo talento e habilidade dos dois. Entretanto, o português foi um grande fracasso no Barça. Uma temporada foi o suficiente para rumar de volta à Terrinha, dessa vez para jogar no FC Porto, um dos grandes rivais do Sporting.

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Foto: Reprodução – Em 2004, a promessa de magia junto a Ronaldinho.

No Porto, foram quatro anos de magia. Os apelidos de Mágico, Harry Potter e Cigano não vieram à toa. Quaresma encantava a Europa com gols, assistências e, principalmente, jogadas inesquecíveis. A trivela virou sua marca registrada, assim como os cruzamento de letra. Quem nunca parou para assistir um pouquinho do Quaresma dessa época? O atleta se tornou presença garantida em todas as convocações da seleção de seu país e teve seu desempenho reconhecido internacionalmente.

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Foto: Reprodução – Cristiano Ronaldo e Quaresma na Seleção Portuguesa.

A magia em Portugal queria se provar em outros cantos. Precisava apagar o Barcelona da memória. No meio de 2008, a Internazionale desembolsou 18,5 milhões de euros mais o passe do português Pelé em busca desse algo mais. A nova chance contava com um apoio especial: junto a Quaresma, a Inter tinha no banco de reservas o seu compatriota José Mourinho, um aliado perfeito para ajudá-lo a desencantar em outro país. Não aconteceu. Após seis meses, 13 jogos e apenas um gol, Quaresma era emprestado a outro grande clube, dessa vez da Inglaterra, o Chelsea.

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Foto: Na Inter, nem mesmo o compatriota Mourinho conseguiu fazer Quaresma render.

Em Londres, mais um aliado: Luiz Felipe Scolari. Mais um fracasso. Felipão foi demitido menos de um mês depois de sua contratação e seu sucessor, Guus Hiddink, apostou muito pouco no talento do português. Depois de outros seis meses, Quaresma voltava para a Inter. Na temporada seguinte, na Itália, mais um ano ruim. Quaresma atuou em apenas 11 jogos com a camisa azul e preta e não marcou nenhum gol. Era hora de uma nova mudança de ares.

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Foto: Reprodução – No Chelsea, o aliado Felipão não durou muito tempo. Mais um fracasso.

Depois de Espanha, Itália e Inglaterra, a Turquia era o destino. No Besiktas, foi em alguns momentos o Quaresma do Porto, em outros o Quaresma de Barcelona, Inter e Chelsea. Deixou o país após uma temporada e meia, tendo o contrato rescindido por problemas dentro e fora dos gramados. Por lá, 73 jogos e 18 gols.

Próximo destino, o “Mundo Árabe”, recanto de jogadores semi-aposentados em fim de carreira. Diferentemente deles, Quaresma tinha apenas 30 anos. Não era bem o rumo que o mundo imaginou para o “Cigano”. Com lesões, problemas de adaptação e mau rendimento, sua “aventura nas Arábias” durou apenas cinco meses.

O mercado de verão europeu passou e não houve um clube sequer que o procurasse. Àquela altura, estava há seis meses sem atuar, tinha 31 anos e deixava uma dúvida no ar. Acabou? Foi só isso? O mercado de inverno chegava e uma surpresa viria…

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Foto: Reprodução – Na Turquia: altos e baixos.

O útil ao agradável se encontraram em janeiro de 2014: um Ricardo Quaresma em baixa e um Porto carente de magia, de memória, de identidade. Mal na Liga Sagres, os Dragões apostaram naquele que se tornou mais ídolo lá do que no clube que o formou. Quaresma voltava ao Porto, voltava para casa, em um desses grandes retornos que todo torcedor adora. Por pior que pudesse estar, a esperança de vê-lo brilhar como no passado, como Petkovic no Flamengo e Juninho no Vasco, por exemplo.

E como um fez bem ao outro! O Porto, com novo treinador, e com um Quaresma que lembra o dos velhos tempos, não será campeão português, mas já resgatou um pouco da identidade perdida. A magia está de volta ao Estádio do Dragão! Os portistas agradecem e o futebol também.

2014

Foto: Reprodução – O renovado Ricardo Quaresma – versão 2014

Quaresma 2014

Jogos: 24

Como titular: 22

Gols: 9

Assistências: 5

Vídeos:

Abaixo, alguns golaços de Quaresma em 2014 e uma coletânea de belos lances do ‘Cigano’.

O primeiro gol depois da volta:

Na Europa League, só golaços!

vs. Eintracht Frankfut

vs. Napoli

vs. Sevilla


Assistência com a famosa trivela:

O melhor de Quaresma em 2014:

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.