O que está acontecendo em Brasília?

  • por Matheus Mota
  • 7 Anos atrás

Neste período de decisões dos estaduais, tudo está ocorrendo normalmente, sem interferências da Justiça normal ou desportiva. Ou melhor, quase tudo. O Campeonato Brasiliense está parado por conta de uma confusão.

Pelas quartas de final do torneio, Brasiliense e Unaí/Paracatu (clube mineiro que por ser de uma cidade limítrofe ao Distrito Federal disputa o campeonato brasiliense) se enfrentariam, com a primeira partida com mando dos mineiros e a segunda na capital federal. O problema é que a FBF (Federação Brasiliense de Futebol) mudou repentinamente o mando da primeira partida, que estava marcada para o dia 27/03, em Paracatu, às 16h. A alteração para Luziânia-GO, às 18h, ocorreu na tarde de quarta-feira, dia 26/03, cerca de 26 horas antes da partida. Esta ação não respeitou nem mesmo o prazo de 48 horas de antecedência para alterações motivadas por emergências, conforme o artigo 16, inciso I, do Estatuto do Torcedor. Tendo isso em vista, o Paracatu foi para seu estádio, o Frei Norberto, e o Brasiliense foi para o Serra do Lago, em Luziânia. Como o Brasiliense estava no local definido oficialmente pela Federação, venceu por WO.

A diretoria do Unaí/Paracatu afirmou que iria recorrer da decisão, mas que mandaria o time para Brasília para disputar o jogo de volta, se assim podemos dizer, no domingo, dia 30/03. Na partida em questão, o Brasiliense saiu vencedor pelo placar mínimo. Já fora das quatro linhas, na segunda-feira, o TJD/DF votou pela interrupção da competição, além de determinar a remarcação do polêmico jogo. Diante desta decisão, o presidente da FBF, Jozafá Dantas, foi para o Rio de Janeiro, mais especificamente para o STJD, tentar derrubar a liminar que suspendia o Campeonato Brasiliense, mas não obteve sucesso, sendo orientado pelo órgão de justiça desportiva a respeitar o Estatuto do Torcedor. Assim sendo, em reunião feita com o TJD/DF, representantes da FBF e dos dois clubes, as duas partidas foram remarcadas para os dias 12/04 e 20/04.

Normalmente, o caso acabaria aqui, mas a anormalidade no Candangão deste ano não se resume a isso. Logo na primeira rodada, a partida entre Formosa e Brasília não pôde ser realizada devido a um sumiço das chuteiras de todos os atletas do Formosa. No final da primeira fase, a Justiça também foi acionada por conta de uma denúncia de que o Atlético Ceilandense possuía dois CNPJ’s, bem como por uma partida em que o Unaí/Paracatu entrou com um uniforme não homologado.

Com a remarcação dos jogos entre Brasiliense e Unaí/Paracatu, a competição durará mais tempo, o que será um problema para os outros clubes que avançaram na competição (Brasília, Luziânia e Sobradinho). Estas equipes terão que providenciar novos contratos com seus jogadores, já que os acordos atuais foram feitos na expectativa de que o campeonato acabasse no máximo até 15/04. Isso gerará um custo adicional para equipes que não possuem um calendário nacional, logo, não atuariam profissionalmente pelo resto do ano. Os clubes ameaçam abandonar a competição caso não haja uma antecipação de seu término.

Depois de tantos eventos controversos, ganha força um movimento de impeachment contra o presidente Jozafá Dantas, que, ao ver dos clubes membros da FBF, não vêm fazendo uma boa gestão.

Antes do início da competição, acreditava-se que 2014 seria o início do processo de reestruturação do futebol brasiliense. Pelo visto, esse projeto terá de aguardar um pouco mais.

Comentários

Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.