O surpreendente Bolívar

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: eltiempolatino - jogadores do Bolívar comemorando

Foto: eltiempolatino – jogadores do Bolívar comemorando

O Bolívar vem fazendo uma campanha espetacular na atual edição da Copa Libertadores. Depois de conseguir se classificar em primeiro lugar em um grupo que tinha Flamengo (Campeão da Copa do Brasil), Emelec (Campeão Equatoriano) e León (Campeão Mexicano) e avançar às oitavas de final, o Bolívar conseguiu um feito ainda maior: a classificação para as quartas, o que não acontecia há 14 anos. (Atualização: O time segue firme para as semifinais do torneio)

Nas oitavas de final, o Bolívar voltou a enfrentar o León e, com dois empates, avançou na competição. Em sua 30ª participação na Libertadores, é apenas a quinta vez que o clube consegue chegar a esta fase e tentará repetir sua melhor campanha, na qual chegou às semifinais (1986). Para motivar ainda mais o elenco, Marcelo Claure, dono da empresa que administra o clube, prometeu ingressos a todos os jogadores para a final da Copa do Mundo, no Maracanã, caso avancem às semifinais da Libertadores.

O mérito desta campanha é, em boa parte, do técnico espanhol Xabier Azkargorta, que antes de assumir o clube estava no comando técnico da seleção boliviana. Quando Azkargorta chegou à equipe, o Bolívar vinha de uma derrota fora de casa para o Emelec e um empate em casa com o León. No primeiro jogo sob seu comando, empatou com o Flamengo em 2×2 no Maracanã.

Ao contrário da maioria dos técnicos estrangeiros que assumem clubes bolivianos, Azkargorta conhece bem o futebol boliviano. Foi o técnico responsável por classificar a Bolívia para a Copa do Mundo de 1986, a única da seleção até hoje, e já conhecia como poucos o futebol boliviano antes de assumir o Bolívar. A maior mudança que o time sofreu sob a tutela de Azkargota foi tática. A equipe, que jogava com uma linha de quatro na defesa, passou a atuar com três zagueiros: o 3-4-2-1 fez evoluir a parte ofensiva.

Sem a bola, este 3-4-2-1 vira um 5-4-1, com os alas Yacerotte e Juan Carlos Capdevilla recuando para formar a linha de cinco defensores com o trio de zagueiros Alvarez, Nelson Cabrera e Luiz Gutierrez. Com um sistema defensivo mais seguro, o Bolívar já conseguiu 204 desarmes nessa Libertadores, sendo o segundo melhor time neste quesito.

Outra característica do Bolívar de Azkargota é tentar manter a posse de bola e sair tocando desde a defesa. Entretanto, quando o time se sente pressionado, principalmente nos jogos fora de casa, os jogadores não pensam duas vezes em tentar lançamentos longos. Neste quesito (lançamentos), La Academia é a quinta equipe com mais acertos (169) e a segunda com mais erros (283).

Na parte ofensiva, podemos destacar o atacante espanhol Juanmi Callejón, artilheiro do time na competição com quatro gols em oito jogos. Irmão gêmeo do meia Callejón, ex-Real Madrid e atualmente no Napoli, foi o que mais cresceu de rendimento no atual esquema. Assim como seu irmão, Juanmi também começou sua carreira nas categorias de base do Real Madrid, mas, sem o mesmo sucesso, passou por pequenos clubes da Espanha, como Mallorca, Albacete, Córdoba e Hércules. Em 2013, transferiu-se para Levadiakos, da Grécia, onde ficou só até o meio do ano, quando foi contrato pelo Bolívar.

Atuando como meia armador ao lado de Juan Carlos Arce, ex-Corinthians, Callejón é o responsável pela criação, mas também vem conseguindo deixar seus gols. Além dos quatro marcados na Libertadores, também já deu duas assistências. Outro ponto positivo para a histórica campanha do Bolívar foi a chega do atacante e ídolo Willian Ferreyra, de 31 anos. Na atual edição da Libertadores, já são dois gols marcados e quatro passes para gol em oito jogos.

Nas quartas de final, o Bolívar irá enfrentar o Lanús, que eliminou o Santos Laguna na etapa anterior. Como foi um dos primeiros colocados na fase de grupos, La Academia irá fazer o jogo de volta como mandante, em La Paz.

Se a campanha na Libertadores é histórica, no Campeonato Boliviano, já com 17 rodadas, o Bolívar ocupa apenas quinta posição com 24 pontos. Isso se explica porque o técnico Azkargota prefere poupar titulares em algumas rodadas, mantendo o foco na Libertadores. Resta saber se este esforço será recompensado ao final da temporada.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.