Os seis pilares do Sport no título do Nordestão

Sport-gol

Depois de uma trajetória cheia de dificuldades e desafiando todas as chances matemáticas, o Sport se sagrou campeão da Copa do Nordeste. Quase eliminado a dois jogos do final da fase de grupos, o time protagonizou uma arrancada impressionante e acabou por vencer a competição com muita autoridade, desbancando favoritos e superando traumas do passado recente.

Por trás dessa campanha que resgatou o orgulho do torcedor rubro-negro, havia um grupo focado no título e comprometido com os conceitos de seu treinador. É quase unanimidade que a grande força desse grupo era justamente o seu espírito coletivo e a dedicação de todos eles no cumprimento de suas atribuições táticas. Mas dentre esses pouco mais de vinte atletas, escolhemos os seis principais destaques. Aqueles que foram, cada um à sua maneira, determinantes na caminhada rumo ao tricampeonato regional.

Eduardo Baptista: a aposta certeira

Eduardo ao lado de D. Maria e Zé do Rádio, rubro-negros folclóricos: trabalho sério e sangue de campeão (Foto: Instagram Oficial do Sport).

Eduardo ao lado de D. Maria e Zé do Rádio, rubro-negros folclóricos: trabalho sério e sangue de campeão (Foto: Instagram Oficial do Sport).

As quatro primeiras rodadas da Copa do Nordeste foram desastrosas para o Sport. Geninho era o treinador de um time que só conseguiu somar dois pontos em doze possíveis, e colocava a culpa desse fraco desempenho na falta de opções do elenco. “Não temos um meia”, ele dizia repetidamente, enquanto pedia reforços também para a cabeça de área e o ataque. Com apenas dois jogos (que pareciam meramente protocolares) ainda por fazer, a diretoria rubro-negra deu oportunidade ao interino Eduardo Baptista, enquanto procurava o treinador ideal para a sequência da temporada. Mal sabia, no entanto, que o comandante perfeito já estava em casa.

Quase instantaneamente, Eduardo deu outra cara à equipe: organizou o setor defensivo de maneira compacta, com marcação pressão e saídas rápidas em contra-ataques, implementando um padrão bem definido de jogo e transformando o Sport em uma equipe que sabe muito bem ocupar os espaços do campo. Além disso, achou alguns bons “reforços” dentro do próprio elenco, resgatando alguns jogadores que vinham sendo completamente ignorados pelos últimos treinadores. O resultado dessa revolução foi uma campanha absolutamente irretocável (seis vitórias, um empate e uma derrota, com apenas três gols sofridos) que culminou com a conquista desse título – do qual Eduardo, indiscutivelmente, foi o grande protagonista.

Durval: o hábito de ser campeão

A torcida sentia falta do seu capitão. E ele voltou para levantar mais uma taça. (Foto: Instagram Oficial do Sport)

A torcida sentia falta do seu capitão. E ele voltou para levantar mais uma taça. (Foto: Instagram Oficial do Sport)

Depois de uma longa novela, a torcida rubro-negra pôde comemorar a volta de um dos principais ídolos da última década. Durval, o capitão da conquista da Copa do Brasil de 2008, tetracampeão estadual, retornava à sua casa para botar ordem em uma defesa que vinha sendo ponto fraco do Sport desde a campanha do acesso. Sua entrada no time titular deu início a um processo de encaixe do sistema defensivo, o que terminou sendo o grande trunfo do Leão na campanha do tricampeonato. Com muita regularidade e segurança, Durval vem passando ao restante do grupo toda a tranquilidade e a experiência de um atleta acostumadíssimo a levantar troféus.

Patric: consistência, por fim

Um passado de sucesso num dos arquirrivais do Sport, e desempenho discreto com a camisa rubro-negra. Esse roteiro já se repetiu inúmeras vezes na Ilha do Retiro, e parecia que aconteceria novamente com Patric. Ele chegou ao clube como solução para a lateral direita, mas teve um 2013 marcado pela inconstância: ao mesmo tempo em que era capaz de fazer partidas brilhantes, principalmente no apoio, era constantemente tido pelos técnicos adversários como “mapa da mina” – e foi, efetivamente, responsável por alguns maus resultados do time na campanha do acesso. Mas em 2014, sobretudo após a saída de Geninho, o lateral reencontrou seu melhor futebol, atuando com muita regularidade e compreendendo melhor seu papel dentro da equipe. Na Copa do Nordeste, Patric conseguiu novamente se tornar um jogador determinante, marcando com competência e mantendo sua característica de surpreender os adversários com arrancadas e dribles em velocidade.

Éwerton Páscoa: o “golpe de mestre”

Ele foi visto como a aposta mais arriscada de Eduardo Baptista: contratado para disputar posição na zaga, Páscoa estreou como titular do Sport jogando no meio-campo. E não é que deu certo? Dono de um porte físico avantajado, ele teve um papel muito importante na proteção aos zagueiros, além de se envolver também na construção de jogo com boas arrancadas. Terminou se tornando um diferencial tático do time, e é mais um que termina a competição muito valorizado.

Renê: a solução está em casa

A vida de Renê sofreu uma verdadeira reviravolta desde que Eduardo Baptista assumiu o comando do Sport. De terceira opção a titular absoluto, o lateral esquerdo termina a Copa do Nordeste como um dos atletas mais valorizados pela conquista da taça. Ele já fazia parte do elenco profissional rubro-negro há três temporadas, e nunca tinha conseguido se firmar como opção para nenhum dos inúmeros treinadores que passaram pela Ilha do Retiro. Mas Eduardo enxergou em Renê um potencial que vinha sendo desprezado, e em uma de suas primeiras decisões como treinador (ainda interino), depositou sua confiança no jovem lateral. Com a moral dada pelo novo comandante, o garoto, de 21 anos, teve oportunidade de mostrar à torcida toda a sua evolução técnica, física e mental, com muita firmeza na marcação e qualidade no apoio.

Neto Baiano: sangue, suor e gols

Os gols e a perseverança de Neto Baiano transformaram-no, de contestado, no mais novo ídolo da torcida rubro-negra (Foto: Reprodução).

Os gols e a perseverança de Neto Baiano transformaram-no, de contestado, no mais novo ídolo da torcida rubro-negra (Foto: Reprodução).

Uma frase comum nas resenhas esportivas de Pernambuco é que o Sport não tem sorte em encontrar centroavantes. Mas ela parou de ser repetida desde o momento em que Neto Baiano se firmou como titular no ataque rubro-negro. Aos 31 anos, o atacante viu no Leão a oportunidade de voltar ao futebol brasileiro em grande estilo. E rapidamente, conquistou a torcida com suas atuações sempre permeadas por intensas demonstrações de vontade e espírito de luta. Além de todo o suor derramado em campo, Neto ainda cumpriu plenamente com seu dever de matador: com seis gols, foi o artilheiro do Sport e personagem decisivo na campanha do título regional.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.