Por que o Lanús pode sonhar com a América

  • por Lucas Sartorelli
  • 6 Anos atrás
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União e raça, as grandes armas do Lanús | Foto: wventv

O Lanús é um time que chegou à Taça Libertadores 2014 sem gerar muita atenção e que parecia não ter muitas pretensões depois de um início ruim em um grupo difícil e equilibrado. Sem nenhuma vitória nos primeiros 3 jogos, a equipe dava mostras de ter perdido o fôlego da notável campanha da Copa Sul-Americana, competição internacional da qual se sagrou campeã de forma inédita há alguns meses atrás.

Mas o Lanús reagiu. Com duas vitórias e um empate nos jogos finais da primeira fase, somou 8 pontos, o suficiente para deixar o chileno O-Higgins e o colombiano Deportivo Cáli para trás, assegurando a segunda colocação e garantindo a classificação junto com o paraguaio Cerro Porteño, que terminou em primeiro no grupo.

E ganhou motivação. Muita motivação.

Bem administrado, o clube apostou em um estreante na carreira de treinador e obteve sucesso. A chegada de Guillermo Barros Schelotto ao plantel em 2012 marcou o início de um modelo tático admirável e que deu resultados surpreendentes em campo. O ex-atacante parece ser o discípulo mais eficaz do “Sr. Libertadores” Carlos Bianchi, treinador multivencedor que o instruiu em diversas conquistas pela América e pelo mundo com o Boca Júniors. Mantendo a base da equipe que levantou a taça da Copa Sul-Americana, o jovem técnico pôde dar continuidade ao seu projeto e vem mostrando a cada jogo que quem quiser eliminá-lo terá muito trabalho.

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Schelotto e sua comissão técnica | Foto: Reprodução

Sem tantos destaques individuais, a equipe prima pelo coletivo e ocupa o campo sempre de forma muito simétrica, alternando compactação defensiva com jogadores como Paolo Goltz e Carlos Izquierdoz, que não brincam em serviço, com um poderio ofensivo que, se não é de todo letal, incomoda trocando passes até que uma oportunidade de finalização surja. Os meio-campistas Diego González e Leandro Somoza são os principais responsáveis pela armação, que faz a bola chegar até o ataque. Sem a bola, a postura não muda muito. Atletas agressivos e coordenados, determinados a recuperar o controle do jogo o mais rápido possível.

De modo geral, as principais virtudes do Lanús se ajustam de forma harmoniosa ao estilo da competição que disputa: grande variedade de esquemas e jogadores com máxima vontade, que se entregam, que não se importam em dar chutão, de jogar feio ou de não dar espetáculo.

Nas oitavas de final, ao eliminar sem sustos o mexicano Santos Laguna, que teve uma das melhores campanha da primeira fase, o grupo de Schelotto provou de vez por todas que o início inseguro foi deixado para trás e que o futuro pode reservar boas surpresas.

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Vitória no México e passagem para as quartas: coletivo que pode fazer a diferença | Foto: Globo Esporte

Sem muito alarde, eles estão chegando.

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