Superclássico da Europa

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás

Real Madrid ou Bayern de Munich? O sorteio das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA colocou frente a frente mais uma vez espanhóis e alemães, donos de 14 taças levantadas. A “final antecipada” marca o retorno de Josep Guardiola, ex-treinador do Barcelona, ao futebol espanhol. Comandante do Bayern de Munich, Pep, acostumado a batalhas contra os merengues à época do Barcelona, mostrou-se confiante e elogiou o Real Madrid. “Se não pararmos Bale e Cristiiano Ronaldo, ficaremos de fora da final”, declarou.

O confronto marca um dado especial: Bayern e Real Madrid já se enfrentaram 20 vezes em âmbito europeu, um recorde entre equipes de países diferentes. Os ringues da Liga dos Campeões os unirão para os novos combates nos dias 23 e 29 de abril, no Santiago Bernabéu e na Allianz Arena, respectivamente. É a última parada antes da tão sonhada final de Lisboa. Na expectativa pelos jogos, o Doentes por Futebol relembra os duelos anteriores entre os dois times.

O louco do Bernabéu, 1975/76

Foto: Acervo Marca | El Loco del Bernabéu: torcedor do Real Madrid invade campo e agride árbitro

Foto: Acervo Marca | El Loco del Bernabéu: torcedor do Real Madrid invade campo e agride árbitro

Era a primeira vez que se enfrentavam. Na ida, após o empate de 1×1, um torcedor invadiu o gramado e agrediu o lendário árbitro Linemayer, além do super goleador alemão Gerd Müller, que na volta marcou os dois gols da vitória do Bayern por 2×0. Os bávaros viriam a vencer a competição ao derrotar o Saint-Etienne na Escócia.

Adeus à final, Real Madrid, 1986/87
Em cenário semelhante ao atual, o Real Madrid foi assassinado no jogo de ida da classificatória. Possuindo um dos melhores times da Europa, mas sem vencer uma Champions há mais de 20 anos, os merengues sofreram no primeiro jogo. Saíram de Munique com uma goleada de 4×1 nas costas e dois dos principais jogadores expulsos: Mino e Juanito, que perdeu a cabeça ao pisar em Matthaus. Na volta, Santillana até marcou cedo, mas o jogo ficou no 1×0, que de nada valeu ao Real Madrid. Na final de Viena, o Bayern sucumbiu ao Porto.

Revanche blanca, 1987/86
Uma temporada depois, as equipes se reencontraram nas quartas de final. A revanche madrilenha foi concretizada com sabor especial: o Real virou a partida no Olímpico de Munique a seis minutos do fim e colocou um pé e meio na fase posterior. O placar final foi de 2×3, gols de Butragueño e doblete de Hugo Sánchez. Na volta, 2×0 no Bernabéu que garantiu o passaporte às semifinais, nas quais caíram para o futuro campeão PSV. Mais uma vez, a forte geração de canteranos de ouro do Real Madrid, conhecida como La Quinta Del Buitre, decepcionava em solo europeu.

Herói Anelka, 1999/2000
Naquela temporada, quatro grandes confrontos marcaram a rivalidade entre as equipes. Os primeiros ocorreram na fase de grupos e o Bayern não teve piedade: ganhou por 4×2 em Madrid e 4×1 em Munique. Na semifinal, contudo, o Real Madrid deu o troco e a volta por cima, contando com Anelka inspirado: foi ele quem marcou os dois da vitória por 2×0 na ida no Bernabéu e o gol de honra que valeu a classificação à final na derrota por 2×1. Contra o Valencia, no Stade de France, show de Raúl e vitória por 3×0 que garantiu La Oitava para os merengues.

Elber brilha e põe Bayern na final, 2000/2001

Foto: Bild | Em 2001, o brasileiro Elber foi o carrasco do Real Madrid. O Bayern viria a ser o campeão da Liga dos Campeões naquele ano

Foto: Bild | Em 2001, o brasileiro Elber foi o carrasco do Real Madrid. O Bayern viria a ser o campeão da Liga dos Campeões naquele ano

Novamente, as semifinais serviram com palco para os confrontos. Na ida, em Madrid, Casillas saiu de campo cabisbaixo. Ele falhou no gol do brasileiro Elber, que colocou os bávaros a um passo da final de Milão. Na volta, o brasileiro, eleito o melhor em campo no jogo anterior, voltou a ser pedra no sapato dos atuais campeões europeus, marcando um gol na nova vitória por 1×0. Na final no Meazza, o Valencia foi a vítima da vez e perdeu nos pênaltis para o Bayern, com um Oliver Kahn inspirado nas penalidades. Os chés, pela segunda vez consecutiva, ficaram no quase.

Bávaros engolem suas próprias palavras, 2001/2002
Pela terceira temporada consecutiva, a dupla se encontrou, dessa vez pelas quartas de final. Comandado por Zidane, Figo e Raúl, o Real Madrid havia dado adeus às chances de vencer a Liga Espanhola e se concentrou somente na competição europeia. Após perderem por 2×1 em Munique, com gols de Effenberg e Pizarro, os madridistas foram provocados pelos jogadores e treinador do Bayern, Ottmar Hitzfeld, na coletiva pós-jogo. Na volta, o Bernabéu inflamou e Helguera e Guti marcaram os gols da classificação blanca. Após eliminar o maior rival, Barcelona, na semifinal, o Real foi campeão na final de Glasgow, batendo o Bayer Leverkusen por 2×1, com golaço de Zidane. Por ora, foi o último título conquistado pelo maior detentor de taças.

Mago Zidane, 2003/2004 

Foto: Getty Images | Zinédine Zidane foi o protagonista do duelo em 2004. No Bernabéu, o francês marcou o gol da vitória que eliminou o Bayern da competição

Foto: Getty Images | Zinédine Zidane foi o protagonista do duelo em 2004. No Bernabéu, o francês marcou o gol da vitória que eliminou o Bayern da competição

No jogo de ida, partida empatada: 1×1. Roy Makaay, que muito incomodou os merengues nos tempos de Deportivo La Coruña, abriu o placar, mas Roberto Carlos empatou após colaboração de Oliver Kahn. Em Madrid, noite mágica do genial Zidane, melhor jogador do mundo à época. Inspirado, o francês mandou na partida e marcou o gol da vitória que eliminou novamente os alemães. Na fase posterior, os galáticos viriam a ser eliminados de forma dramática para o Monaco: Morientes, jogador que havia sido emprestado ao clube francês, foi um dos principais responsáveis pela queda madridista, ao lado de Giuly (que viria jogar no Barcelona no futuro).

Gol recorde e polêmica com Van Bommel, 2006/07

Foto: AP Photos | Após marcar, van Bommel disparou contra a torcida merengue em Madrid. Em 2006-2007, o Bayern despachou o Real Madrid nas oitavas

Foto: AP Photos | Após marcar, van Bommel disparou contra a torcida merengue em Madrid. Em 2006-2007, o Bayern despachou o Real Madrid nas oitavas

Há oito temporadas, os jogos foram marcados por polêmicas. No Bernabéu, o Real Madrid venceu por 3×2, mas um gol do holandês van Bommel, campeão europeu com o Barcelona na temporada anterior, causou tumulto e briga entre os jogadores. Na comemoração, o volante dirigiu-se aos aficionados blancos, que o vaiaram durante os 90 minutos, xingando-os e gesticulando com sinais de menosprezo. Na volta, após provocações lado a lado nas coletivas, os bávaros começaram a definir a eliminatória cedo. Novamente, Roy Makaay, o atacante holandês, anotou aos nove segundos (gol recorde na história da Liga dos Campeões) o primeiro gol. O zagueiro brasileiro Lúcio ampliou ainda no primeiro tempo e van Nistelrooy, de pênalti, tentou a reação nos minutos finais da segunda etapa. Fábio Capello, treinador merengue à época, assinou praticamente sua carta de demissão com a eliminação, que marcou mais um fracasso do Real Madrid no nível continental.

Cristiano Ronaldo e Mourinho batem na trave e Bayern garante vaga para a final em Munique, 2011/12
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O equilíbrio marcou os últimos confrontos oficiais entre Real Madrid e Bayern. Mais uma vez, a fase semifinal promoveu o embate. Na primeira temporada de Jupp Heyncks na Baviera, o desejo do Bayern era poder disputar a final em casa, na Allianz Arena. Na ida em Munique, Ribery e Mário Gomez decretaram a vitória bávara por 2×1, mas o gol de Özil deixou o Real Madrid vivo para o confronto no Bernabéu.

Com a moral elevada pela vitória no Camp Nou contra o Barcelona de Guardiola que praticamente sentenciou a Liga Espanhola, o Real Madrid entrou em campo a mil por hora. Em menos de 20 minutos, Cristiano Ronaldo já havia marcado duas vezes. Porém, após pênalti de Pepe, Robben recolocou o Bayern na partida. O resultado não se alterou durante o tempo normal e a prorrogação, obrigando a disputa de pênaltis. Foi quando brilhou a estrela de Manuel Neuer: ele defendeu as cobranças de Cristiano Ronaldo e Kaká, viu Sergio Ramos mandar para longe os últimos resquícios de esperança do Real Madrid e saiu de campo como um dos responsáveis pela vaga do time alemão na final. No entanto, na final contra o Chelsea, o Bayern bateu na trave e ficou sem a taça em seu estádio.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.