A histórica defesa do “besouro” Banks

  • por Edson Vinicius
  • 7 Anos atrás
A defesa milagrosa de Gordon Banks (reprodução)

A defesa milagrosa de Gordon Banks (reprodução)

É comum se ouvir que a aerodinâmica do besouro não lhe permitiria voar. Seu peso excessivo em relação ao tamanho do corpo, suas asas finas e a abdome distorcido o impediriam de alcançar tal feito. E, no entanto, ele o faz. Este fato ensejou até uma fábula, em que um sapo, ao tentar capturar um besouro com a língua e vendo que o mesmo escapara voando, pergunta:
“Ô, besouro, como você consegue fazer isso, se é dito que pelas leis da física você não pode voar?”.
Ao que o inseto responde:
“Ora, porque eu não conheço tais leis…”.

Assim fez o goleiro Gordon Banks na Copa de 1970, no jogo entre Inglaterra x Brasil, naquela que é considerada a maior defesa da história. Aos 10 minutos do primeiro tempo, quando, após cruzamento de Jairzinho, Pelé seguiu à risca a receita da cabeçada perfeita: forte, para baixo, no canto da trave, de um modo que praticamente impossibilitava o trabalho do goleiro.

Normalmente, quando pratica uma defesa, um goleiro fica com o corpo de frente para a bola ou, no máximo, na diagonal dela, de modo que possa interceptá-la. No lance em questão, pela precisão da conclusão de Pelé, o arqueiro inglês ficou exatamente de lado para a bola, e seu corpo estendido e a trajetória da pelota traçaram no campo duas linhas paralelas – que, segundo a matemática, só se encontram no infinito. Pois Banks encontrou a linha da bola nos poucos centímetros contidos entre o quique desta no chão e marca de cal fatal da baliza.

Além disso, pela força da testada do atacante brasileiro, a velocidade da bola era maior que a do movimento do corpo do goleiro britânico e ela passou por Banks, que, numa subversão das leis da física, ainda assim conseguiu alcançá-la quando a mesma já quase cruzava a linha do gol.

Mas ainda não era o fim. Ao espalmá-la na posição em que se encontrava (à frente da bola, corpo e mão jogados para trás), a lógica seria que a empurrasse para dentro do gol ou que, no máximo, ela batesse na trave e entrasse – de acordo com o que diz a lei da continuidade do movimento (inércia). Contudo, em outro ato “impossível”, ele atirou a pelota por cima da trave, fazendo-a descrever um parábola rumo à linha de fundo.

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Assim como nosso simpático besouro, parece que Banks também não conhecia as tais leis das ciências exatas que regulam o mundo. Gordon Banks desafiou a geometria projetiva, a cinemática e a primeira lei de Newton. Desafiou também o Rei, que já levantava os braços em comemoração pelo gol que não ocorreu. Aliás, em relação ao último caso, o arqueiro mostrou arrependimento anos depois. Segundo suas próprias palavras: “Se eu soubesse o quão importante seria esse gol hoje, eu não teria defendido. Eu fico intrigado…eu não sei como ou por que aquilo aconteceu. Me desculpe, Pelé. Me desculpe…”

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Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!