A outra Copa

  • por Matheus Mota
  • 7 Anos atrás
Poster da Copa do Mundo ConIFA 2014. Foto: conifa.org

Poster da Copa do Mundo ConIFA 2014. Foto: conifa.org

A partir do dia 12/06, todos os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil, onde ocorrerá a Copa do Mundo de 2014. A atenção é compreensível, pois trata-se de um evento de magnitude mundial, em que alguns dos melhores jogadores da atualidade entrarão em campo, além de muitos outros fatores que todo aquele que acompanha futebol pode elencar. Também é certo que nem todos estão felizes com a Copa, muito por causa dos altos gastos e dos mandos e desmandos da FIFA, e não serão poucos os protestos durante o campeonato. Outra coisa certa é que haverá outra Copa do Mundo, bem menos midiática e polêmica.

O torneio será organizado pela ConIFA (Confederation of Independent Football Associations), entidade que congrega seleções de nações, territórios e minorias que não são reconhecidos pela FIFA. Esta será sua primeira edição, sediada pela Suécia, e, por isso, pode-se dizer que a seleção da Lapônia será a anfitriã. A Lapônia é a região de origem do povo sami, que abrange parte dos territórios de Suécia, Finlândia e Noruega, bem como a Península de Kola, que pertence à Rússia. Além da equipe da casa, outras 11 seleções (que podem ser conferidas aqui, no site oficial da competição) concorrerão ao título.

Não há eliminatórias; a ConIFA envia convites para diversas federações e cabe a elas aceitar ou não. Para este ano, chegou-se a cogitar a presença da Catalunha e da seleção Rapa Nui (do povo nativo da Ilha da Páscoa), mas, infelizmente, a presença delas não se concretizou. Mesmo com o número relativamente baixo de seleções, a diversidade da Copa é imensa, pois reúne não só nações que procuram a Independência política, caso do Curdistão, como comunidades que tiveram que sair de sua terra original, situação vivida pelos assírios. Há também a história do selecionado de Darfur, que é composto por refugiados da guerra que assola a região, localizada em território sudanês.

Na competição, as equipes estão divididas em 4 grupos, sendo que as duas melhores colocadas em cada um deles passam de fase. A partir disso, ocorrem as quartas de final, semifinal e final, com direito a decisões de 3º, 5º, 7º e assim por diante. Uma das peculiaridades do torneio é que haverá partidas para se definir todas as colocações, envolvendo, inclusive, os times eliminados na 1ª fase.

Não serão poucos jogos, mas, ainda assim, a Copa não terá uma duração muito longa, indo do dia 1 a 8 de junho. A partida inaugural será entre as seleções da Abecásia e da Occitânia, na Jämkraft Arena, em Östersund. Outro aspecto que evidencia a modéstia da competição é o próprio estádio: com capacidade para pouco mais de 6 mil pessoas, receberá a final e, assim como todas as outras partidas do campeonato.

As datas foram estrategicamente escolhidas para não competirem com a Copa do Mundo “maior”. Ainda que mais singela, a Copa do Mundo da ConIFA esbanjará simpatia, não só pelo campeonato em si; a comunidade sami promoverá festivais culturais, visando a integração com os representantes das outras seleções. Será difícil acompanhar qualquer partida desta Copa, mas, só pela ideia que representa, fica difícil não torcer pelo seu sucesso.

Comentários

Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.