Após 49 anos, campeão europeu pode ser treinado por sul-americano

Foto: Eurosport - Simeone pode ser o terceiro técnico argentino campeão europeu

Foto: Eurosport – Simeone pode ser o terceiro técnico argentino campeão europeu

O argentino Diego Simeone precisa de apenas uma vitória para quebrar uma sina que dura quase cinco décadas: desde 1965, nenhum técnico nascido na América do Sul foi campeão da Liga dos Campeões da Europa. Para quebrar este tabu, basta o Atlético de Madrid, comandado por Cholo, vencer o Real Madrid na decisão do próximo dia 24.

O último sul-americano a conquistar o principal torneio de clubes da Europa foi o também argentino Helenio Herrera, no citado ano de 1965. Comandando a Internazionale, o treinador nascido em Bueno Aires venceu o Benfica pelo marcador mínimo em partida realizada no San Siro, em Milão. Na ocasião, Herrera se tornou bicampeão europeu, já que conquistara a competição no ano anterior.

Além disso, ele ingressou na seleta lista de técnicos que ganharam a Liga dos Campeões em mais de uma oportunidade. Em 1965, esta relação contava com o espanhol José Villalonga, com o húngaro Béla Guttman e com outro argentino: Luís Carniglia.

Carniglia, aliás, foi o primeiro técnico sul-americano a conquistar a Europa. Foi em 1958, comandando o Real Madrid, que o argentino, também nascido em Buenos Aires, derrotou o Milan por 3×2, no Heysel, em Bruxelas. Em 1959, ele repetiu o feito derrotando o Stade de Reims por 2×0, em Stuttgart.

Dá para dizer que o feito de Carniglia é mais marcante que o de Herrera, já que o conterrâneo foi campeão europeu com quase 20 anos de estrada como técnico, sendo aquele o quinto ano à frente da Inter. Enquanto isso, Carniglia ainda jogava profissionalmente pelo Nice em 1955, três anos antes de ser campeão europeu como técnico.

Foto: Reprodução - Com a Inter, Helenio Herrera quase ganhou a liga pela segunda vez

Foto: Reprodução – Com a Inter, Helenio Herrera quase ganhou a liga pela segunda vez

De 1965 para cá, o tabu esteve próximo de ser quebrado três vezes. Primeiro em 1967, de novo com Helenio Herrera, mas a Inter perdeu por 2×1 a decisão daquele ano para o Celtic, em Lisboa. No ano seguinte, foi a vez do brasileiro Otto Glória cair na final. Jogando em Londres diante do Manchester United, o Benfica foi goleado por 4×1 na prorrogação (após 1×1 no tempo normal).

Na última vez que um técnico sul-americano chegou a uma final europeia, o Atlético de Madrid estava envolvido. O time madrilenho era comandado pelo argentino Juan Carlos Lorenzo e avançou para a decisão em 1974 para encarar o Bayern, quando sofreu um duro revés. O Atleti vencia em Heysel pelo marcador mínimo até o último minuto da prorrogação, quando Hans-Georg Schwarzenbeck acertou um potente chute de pé direito de fora da área. Como não havia disputa por pênaltis na época, forçou-se outro jogo, realizado dois dias depois no mesmo estádio. Abatido, o Atlético foi goleado pelos alemães: 4×0.

Ou seja, no próximo dia 24, as sinas serão quebradas ou mantidas. Simeone, quarto argentino e quinto sul-americano em uma final de Liga dos Campeões, estará diretamente envolvido na história. Pode ser ele o primeiro “não-europeu” a conquistar a Europa em quase 50 anos. De quebra, o Atlético de Madrid seria campeão do maior torneio de clubes do continente pela primeira vez.

E vocês, acham que estes tabus serão quebrados?

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.