Campeonato Argentino terá 30 equipes

  • por Gustavo Ribeiro
  • 6 Anos atrás
Foto: detallesdebuenosaires -Sede da AFA

Foto: detallesdebuenosaires -Sede da AFA

Nesta segunda-feira, 29, a Associação Argentina de Futebol (AFA) decidiu que o campeonato nacional terá um novo formato. Ao invés de dois torneios curtos por ano com 20 equipes, o novo campeonato será disputado ao longo de todo o ano e contará com 30 equipes a partir de 2015. A decisão partiu de Julio Grondona, presidente da Associação e idealizador do novo formato, e dos presidentes dos clubes que compõem a associação.

Esta mudança representa a realização de algo que Grondona vem tentando há várias temporadas: aumentar o número de participantes da Primeira Divisão. Em 2011, quando o River Plate foi rebaixado, ele propôs a criação de um Campeonato Argentino com 40 clubes, com o objetivo de ter os Millonarios na primeira divisão sem muito esforço. Mas o projeto não avançou, a virada de mesa não vingou, e o time de Núñez teve que retornar à elite pelo futebol.

Mesmo com alguns clubes discordando do novo regulamento, o projeto foi aceito pela maioria. Apenas Armando Pérez, presidente do Belgrano, teve coragem de debater com o chefão. Nem Boca Juniors e River Plate se manifestaram, mesmo ambos sendo contra o novo modelo.

No segundo semestre deste ano, o Torneo Inicial será disputado normalmente por 20 equipes, já sem os rebaixados da atual temporada e com os promovidos da segunda divisão, mas sem descenso. Será apenas para definir os classificados para a Copa Sul-americana e Copa Libertadores

Para determinar as 10 equipes que irão disputar a primeira divisão em 2015, a B Nacional (segunda divisão) será disputada por 22 times: os três rebaixados da Primeira Divisão, os 15 que não subiram, dois que subiram da B Metropolitana (terceira divisão) e outros dois do Argentino A. Essas 22 equipes serão divididas em dois grupos de 11, com jogos de ida e volta, e os cinco primeiros de cada grupo se juntarão aos 20 clubes da primeira divisão.

O novo formato de campeonato pode gerar algumas situações inusitadas. O Argentinos Juniors, por exemplo, já rebaixado para a segunda divisão da próxima temporada, pode se aproveitar desta mudança de regulamento e, em fevereiro, estar entre os 10 classificados que disputarão a primeira divisão. Vale lembrar que Luis Segura, presidente do Argentinos Juniors, é também vice de Grondona na AFA.

A classificação para as competições internacionais também serão modificadas. Para a Libertadores 2016, irá o campeão, o melhor argentino da Copa Sul-americana 2015, o campeão da Copa Argentina e duas equipes que se classificarem via Liguilla. Para a Copa Sul-americana 2016, serão seis equipes: o campeão da Supercopa Argentina e cinco clubes de outra Liguilla, que será disputada pelas equipes que terminarem entre a quarta e a vigésima terceira posição.

Com o novo modelo, o Campeonato Argentino será disputado em 29 rodadas, nove a menos que o atual formato. Além dessas 29 rodada, teremos uma rodada mais só com clássicos. Por exemplo: se Boca Juniors e River Plate se enfrentaram na La Bombonera, nessa rodada adicional, jogarão no Monumental de Nuñez. Com as equipes que não tiverem rivais, a AFA irá selecionar seu adversário.

Foto: Rivadavia - Julio Grondona, presidente da AFA

Foto: Rivadavia – Julio Grondona, presidente da AFA

Um dos maiores pontos negativos deste novo modelo é o desnivelamento do campeonato. Fica difícil imaginar um Douglas Haig, atualmente na B Nacional, disputando em pé de igualdade com um Estudiantes ou Vélez. Enquanto a maioria dos clubes da primeira divisão recebe, no mínimo, 21 milhões de dólares, os clubes da B Nacional recebem 3,5 milhões.

Estão enganados os que pensam que Grondona mudou o regulamento só para ajudar o Independiente, que corre sérios riscos de não conseguir acesso para a primeira divisão. Um dos motivos que o levaram a propor um campeonato com 30 equipes é poder incluir times do interior na elite do futebol argentino e, com isso, aumentar a arrecadação dos direitos de televisão.

Na atual temporada, apenas quatro das 23 províncias tem algum representante na primeira divisão. Outro argumento usado por Grondona é acabar com o imediatismo, já que, em torneios curtos, o planejamento a longo prazo é coisa rara.

O presidente da AFA acredita que com isso o governo federal, através do Fútbol Para Todos, que transmite o Campeonato Argentino desde 2009, aumentará o pagamento dos direitos televisivos, que hoje giram em torno 825 milhões de dólares por ano. Com uma maior receita, a fiscalização financeira sobre os clubes deverá aumentar. Clubes como All Boys e Colón, que devem salários a seus jogadores, foram proibidos de contratar pela AFA na atual temporada

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.