LA MANO DE DIOS

  • por Edson Vinicius
  • 7 Anos atrás
Maradona sobe e usa a mão para fazer o gol (reprodução)

Maradona sobe e usa a mão para fazer o gol (reprodução)

Por definição, futebol (football) significa pé na bola. Claro, existem os goleiros, que têm a função diferenciada de evitar gols e por isso podem usar as mãos dentro da grande área. Mas a essência do jogo são os chutes, dribles e passes efetuados com os pés.

Mas, por ironia do destino, o lance que tornou-se o mais famoso da copa de 1986 – aquela em que Maradona mostrou seu vasto repertório e fez sua seleção pulverizar quem apareceu pela frente, aquela em que o mundo viu a maior sequência de atuações de um jogador na história, aquela em que a perna esquerda do camisa 10 argentino sobressaiu-se como nenhuma outra jamais fez – foi o gol de mão de Don Diego contra a Inglaterra.

Aos cinco minutos e vinte segundos do segundo tempo, Maradona partiu rumo à área driblando os defensores ingleses e tentou a tabela com Valdano, que dominou mal a bola, permitindo o corte do zagueiro adversário. O desvio, porém, foi defeituoso, e a pelota subiu e descaiu em direção à pequena área, para onde corria o genial argentino. A trajetória da bola a deixou muito mais perto das mãos do goleiro Shilton do que da cabeça de Maradona, que, sutilmente, levantou seu braço esquerdo acima do couro cabeludo, “ganhando” com isso centímetros suficientes para vencer a disputa pelo alto e “cabecear” (ou seria melhor dizer arremessar?) com a mão a bola para o fundo do gol inglês. Tão rápida foi a jogada que o árbitro e o auxiliar nada perceberam, para desespero dos jogadores britânicos, que reclamaram bastante, em vão.

Dieguito ainda faria na mesma partida aquele que é considerado o gol mais bonito de todas as copas, quando partiu desde antes do meio-campo enfileirando seis jogadores ingleses, incluindo o goleiro, marcando o tento e levando a seleção argentina à semifinal. Mas o gol que recebeu uma alcunha foi realmente o primeiro: La mano de Dios.

Talvez Maradona quisesse vingar o compatriota Rattín, que, vinte anos antes, na copa da Inglaterra, também contra o English Team, igualmente usou a mão, só que para amassar a bandeirinha de corner (uma miniatura da bandeira inglesa) após ser expulso de forma polêmica na partida que eliminou sua seleção. Talvez Maradona tenha pretendido, ao burlar as regras, dar uma espécie de “troco” aos ingleses pelo que os argentinos chamam de “roubo das ilhas Malvinas”, que inclusive culminou numa guerra entre os dois países quatro anos antes, com categórica vitória do país europeu. Ou talvez não tenha sido nada disso, e o nome dado ao gol se justifique. Talvez tenha sido puramente intervenção divina…

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Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!