Léo, símbolo do Santos moderno

  • por João Rabay
  • 6 Anos atrás

Quando Léo chegou ao Santos, no distante ano 2000, o clube não ganhava nada havia 16 anos, desde o Paulistão de 1984. Quer dizer, o Santos tinha sido campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1997 e da Copa Conmebol de 1998, mas essas conquistas de menor importância são sumariamente ignoradas quando se tem como referência a fila de títulos do alvinegro.

Quando, 14 anos depois, Léo anunciou, sem muito alarde, sua aposentadoria, o Peixe havia vencido, nesse intervalo, dois campeonatos brasileiros, uma Libertadores, uma Copa do Brasil e cinco campeonatos paulistas. Léo participou de sete dessas conquistas – só esteve ausente nos estaduais de 2006 e 2007, quando o lateral estava no Benfica.

Não é difícil compreender por que o camisa 3 é ídolo da torcida. Foram 455 jogos com a camisa do Santos, o que o coloca como o 10ª atleta que mais vezes atuou pelo Peixe. À sua frente, apenas jogadores ativos entre os anos 50 e 70. Da geração santista campeã brasileira em 2002, pelo menos metade dos titulares podem ser considerados ídolos da torcida. Mas nenhum tem laços tão estreitos com o clube como Léo.

É impossível para um santista esquecer do gol aos 47 do segundo tempo da final contra o Corinthians. O drible de Robinho na ponta da área, o passe para o lateral, o corte para dentro e a bomba de pé direito que estufou a rede do Morumbi. Pura catarse, explodindo em emoção após 18 anos de sofrimentos. Sofrimento que Léo sentiu na pele, como na semifinal do Campeonato Paulista do ano anterior, na qual Ricardinho marcou também nos acréscimos, também no Morumbi, para colocar o Corinthians na final.

É verdade que alguns acontecimentos dos últimos anos de Léo como jogador do Santos não foram tão positivos, e ele se tornou até motivo de piada entre rivais. Mas é certo que eles serão esquecidos na história, são bem menos marcantes que os grandes feitos do lateral, que promete voltar ao Santos num futuro não tão distante, mas fora das quatro linhas.

Uma coisa que deve ser dita: desde que Luis Álvaro assumiu a presidência do Santos, em 2010, três ídolos santistas se despediram do clube. Giovanni, Neymar e Léo. Nenhum deles teve o tratamento merecido, como um jogo para marcar os fatos. A Giovanni foi prometida uma despedida digna, mas nada foi feito. Neymar, já com o clube sendo dirigido por Odílio Rodrigues, vice de Luis Álvaro, jogou sua última partida pelo Santos em Brasília, mando de campo vendido pelo Santos e com mais flamenguistas que santistas no estádio. Agora, Léo se retira sem as merecidas e devidas homenagens. Falta à administração do clube valorizar mais quem fez história com a camisa branca.

Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".