Lições aprendidas e a volta para casa

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás
Foto: Site Oficial do Celta Vigo | Luis Enrique no Celta: bom relacionamento com elenco e mudança de estilo foram os frutos do sucesso

Foto: Site Oficial do Celta Vigo | Luis Enrique no Celta: bom relacionamento com elenco e mudança de estilo foram os frutos do sucesso

Luis Enrique está em evidência. Após uma temporada desastrosa, sem nenhum título importante, Tata Martino pediu demissão do Barcelona, que respondeu imediatamente oficializando a contratação do treinador catalão.Vindo de uma temporada bem tensa até o final do campeonato espanhol em 2012/2013, quando escapou do rebaixamento na última rodada devido à derrota do rival Deportivo La Coruña para o Valencia, o Celta em 2013/2014 passou longe de ser ameaçado pelo inferno do descenso. Na nona posição com 49 pontos, os celestes ficaram a dez da zona de Liga Europa.

Formado em La Masía, onde fez um ótimo trabalho pelo Barcelona B (conquistou o acesso à Liga Adelante após nove anos em 2010 e foi o terceiro colocado da competição em 2011), e com passagem desastrosa pela Roma, Luis Enrique é associado ao tiki-taka. Seu trabalho na capital italiana não deixou tantas saudades justamente porque a equipe romanista teve média de quase 70% de posse de bola, mas quase sempre de maneira estéril, com poucas finalizações. Tecnicamente, ele fez escolhas no mínimo controversas, como Pablo Osvaldo, centroavante de área, deslocado à ponta esquerda e De Rossi escalado à frente dos zagueiros, exercendo um papel semelhante ao do Pirlo, mas sem tanta liberdade ofensiva.

O segredo para o sucesso do Celta na temporada passou pelo fato de Luis Enrique abrir mão dos próprios conceitos para se adaptar ao elenco. Treinador com fama de ter convicções bem definidas, ele aprendeu com os erros cometidos no futebol italiano. Há duas semanas, seu time bateu o Real Madrid por 2×0 e teve 44% da posse de bola.

Foto: AS | No Celta Vigo, Rafinha Alcântara se destacou. Agora, ele também está de volta ao Barcelona

Foto: AS | No Celta Vigo, Rafinha Alcântara se destacou. Agora, ele também está de volta ao Barcelona

As estatísticas provam que o Celta passou longe de ser tiki-taka: foi o sexto time com maior posse de bola (média de 53,8%) e o quinto com maior precisão no passe (79, 6%). Nesse cenário de contragolpes e verticalidade, Rafinha Alcântara, cedido pelo Barcelona, se destacou. Seja driblando partindo da direita (ou até mesmo da esquerda), servindo Charles, conectando-se a Nolito, Krohn-Dehli e Alex López, o brasileiro foi, a nível individual, o melhor jogador do Celta na temporada.

Ao longo do campeonato, Luis Enrique variou entre o 4-2-3-1, o 4-3-3 e o 4-1-4-1, tendo em Rafinha uma espécie de coringa para o funcionamento dos diversos módulos táticos. Polivalente, ele jogou como camisa 10, ponta-direita, terceiro homem de meio-campo e até mais preso na faixa central, como seu irmão, Thiago. As variações táticas que tanto fizeram falta ao Barcelona com Tata Martino e até Tito Vilanova foram comuns no Balaídos. O bom Nolito, outra cria de La Masía, foi outro com temporada positiva, especialmente na reta final, quando marcou sete gols em quatro jogos.

O Celta foi um time corajoso, que soube se adaptar a determinados contextos para chegar ao resultado. A equipe que entregou a bola ao Real Madrid e apostou nas transições rápidas, explorando a velocidade de seus jogadores de meio, dominou a pelota no La Rosaleda contra o Málaga, na décima rodada. Com 62% de posse de bola, triangulações velozes e efetividade, os galegos humilharam os vulneráveis donos da casa: 5×0.

Conhecido pelo temperamento quente da época de jogador, Luis Enrique teve uma relação tranquila com o elenco celeste. Especular como será seu trabalho no Barcelona, no momento, é impossível. Mas a perspicácia tática para superar os problemas e as interrogações que o rondavam dá ao catalão o direto de ter a confiança dos torcedores culés.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.