O fracasso de Tata Martino

  • por Victor Mendes Xavier
  • 6 Anos atrás
Foto: BBC | Entre erros e acertos, Tata Martino triunfou em Manchester ante o futuro campeão inglês

Foto: BBC | Entre erros e acertos, Tata Martino triunfou em Manchester ante o futuro campeão inglês

Gerardo Tata Martino não é mais treinador do Barcelona. O argentino confirmou na coletiva pós-jogo contra o Atlético de Madrid o que já era esperado há pelo menos dois meses, após a temporada mais fracassada dos azul-grenás desde 2007/2008 (a última pré-Guardiola). O trabalho de Martino foi caindo gradativamente ao longo de seu período à frente do time, que terminou sem o título da Copa do Rei, da Liga Espanhola e da Liga dos Campeões da Uefa.

O ex-Newell’s nunca foi uma unanimidade na Catalunha. Desde a especulação de seu nome como possível substituto de Tito Vilanova até as recentes derrotas, a pressão por resultados vinda da imprensa barcelonista e dos torcedores culés foi grande. Em setembro de 2013, quando a temporada blaugrana ainda era relativamente boa e promissora, ele reagiu de forma ousada ao confirmar que se sentia tranquilo mesmo sabendo que seria pressionado por não ser um “treinador catalão, da base ou holandês”. A declaração veio após um jogo no qual o time teve menor posse de bola que o adversário pela primeira vez em cinco anos.

De fato, um breve trabalho de pesquisa mostra que de 1990 até 2014 somente os treinadores catalães (Josep Guardiola e Tito Vilanova) ou holandeses (Johan Cruyff, Lois van Gaal e Frank Rijkaard) conquistaram títulos no Camp Nou. Coincidência? Talvez. Mas essa espécie de “hierarquia” é comum em clubes ortodoxos como o Barcelona. 

O sucesso de Martino passava por um competente mercado de verão, o que nem remotamente aconteceu. Há dois meses, a ESPN revelou uma lista com jogadores que o treinador desejava para reforçar o elenco. Sandro Rosell, o presidente do clube à época, não atendeu a nenhum pedido. Sem carta branca, ele apostou num retorno saudável de Puyol, mas o (ex) capitão conviveu com as lesões.

Foto: Getty Images | Mas seu Barcelona foi incapaz de superar o Valladolid

Foto: Getty Images | Mas seu Barcelona foi incapaz de superar o Valladolid

De certa forma, é injusto apenas os erros da campanha de Martino. O Barcelona da primeira metade da temporada, com um Messi irregular fisicamente, animou. O jogo direto, pelo qual o treinador argentino tanto prezou, apareceu com frequência. Até então, o Barça era um time mais vertical que o de Tito Vilanova e o das últimas temporadas de Guardiola, que marcava sob pressão como outrora e aumentava a intensidade do jogo, numa tentativa deixá-lo menos previsível e independente do tiki-taka. Porém, desde o início do segundo turno da Liga Espanhola, após o empate contra o Levante por 1×1, os blaugranas voltaram a mostrar lentidão, pouca criatividade, posse de bola estéril e vulnerabilidade defensiva extrapolada.

O natural de Rosário apresentou certa limitação tática ao insistir com os quatro meio-campistas nos duelos contra o Atlético de Madrid na UCL (que pedia três atacantes e uma maior profundidade de jogo) e pouca ousadia para mudar a postura do time em determinados contextos. Ele acenou com a possibilidade de variar mais taticamente (como o 4-2-3-1 nos 45 minutos finais da vitória contra o Celta Vigo ou o 4-3-1-2 do empate contra a Real Sociedad na Copa do Rei) e ir a campo de maneira mais conservadora (Busquets e Song formando o doble-pivote, Xavi no banco e Iniesta ou Fàbregas organizando o meio-campo), mas não deu prosseguimento às propostas. Foi, resumindo, um Barça periclitante, que venceu Manchester City, Real Madrid e Milan, mas foi incapaz de superar Getafe, Valladolid, Elche e Granada.

Martino não é um treinador fraco. A bela campanha com o Newell’s, que terminou com o título argentino, e com o Paraguai, que sufocou a Espanha na Copa, dão a ele créditos para continuar na Europa e dar a volta por cima. De acordo com o Marca, o Málaga irá tentar sua contratação para substituir o alemão Bernd Schuster. A mudança de ares após uma temporada tão desgastante o fará bem.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.