Os desafios de Ney Franco

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

O Fla-Flu do último domingo evidenciou aquilo que vinha sendo mostrado durante todo o ano de 2014: o Flamengo precisava de um técnico. Ainda que Jayme tenha sido campeão da Copa do Brasil – batendo equipes da parte de cima da tabela do Brasileirão 2013 – e do Campeonato Carioca 2014, chegando à final com a vantagem mesmo após usar os reservas em boa parte do torneio, estava mais do que provado que o trabalho em 2014 regrediu alguns degraus.

Não bastasse o constante banho tático que o rubro-negro vinha levando dos adversários (lembremos os jogos contra Corinthians, León e Bolívar no Maracanã, e a partida deste domingo, apenas para ficar em alguns), o ex-assistente continuava se mostrando perdido em substituições, escalações e mudanças na equipe. Jogo sim e outro também havia uma alteração. Talvez nem os próprios jogadores soubessem dizer quem eram os onze titulares.

No estilo paizão, Jayme procurava valorizar o desempenho dos atletas e a qualidade de jogo mesmo após apresentações constrangedoras. Suas coletivas tornaram-se um festival de explicações vazias, procurando não perder o grupo. “Os meninos foram ótimos e merecem os parabéns”, “estamos orgulhosos do trabalho” e “não jogamos mal” eram as palavras mais comuns, todas longe da realidade. Primeiro porque vários jogadores vêm rendendo bem abaixo do que renderam em 2013, e depois porque o time jogou, sim, muito mal em diversas partidas.

Foto: Divulgação - Depois de um bom 2013, o Flamengo de Jayme não evoluiu em 2014

Foto: Divulgação – Depois de um bom 2013, o Flamengo de Jayme não evoluiu em 2014

Com a chegada de Ney Franco, uma escolha que não foge do lugar comum do mercado brasileiro, o cenário tende a mudar. O principal ponto que precisa ser modificado, claro, é a parte tática. A (des)organização da equipe de Jayme chamava muita atenção. Jogadores completamente fora de posição, falta de padrão de jogo, nenhuma jogada ensaiada, nada de novo. O segundo foco deve ser a recuperação de alguns atletas.

Se ano passado o lado esquerdo rubro-negro atormentou os adversários com Paulinho e André Santos, este ano mal fez figuração. Luiz Antônio, Hernane e Léo Moura são outros jogadores que fazem temporada muito abaixo do esperado. Além disso, Ney precisará ter sorte (ou um preparador físico melhor) para manter o departamento médico vazio, algo raro durante 2014 no Ninho do Urubu.

Foto: Gilvan de Souza /Flamengo - Ney chega para dar cara a um time completamente desorganizado

Foto: Gilvan de Souza /Flamengo – Ney chega para dar cara a um time completamente desorganizado

Mais maduro e experiente do que na primeira fase, quando conquistou a Copa do Brasil (comandando a equipe somente na final) e o Carioca 2007, Ney precisará provar que, ao menos, sabe organizar um time. Caso contrário, pode sucumbir à eterna panela de pressão rubro-negra, e viver à beira do caos.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.